A banda baiana Maglore acaba de lançar “Fluxo Natural”, seu sexto álbum de estúdio. Com uma estética mais moderna em relação aos lançamentos anteriores e influenciado principalmente pela sonoridade dos anos 80, com toques da década de 70, o álbum mantém o compromisso central da banda com a canção. Ao mesmo tempo, amplia as influências de seu som característico, que mistura indie, rock brasileiro, folk e MPB. As canções começaram a ser rascunhadas em 2024 em intervalos de turnês, com o trabalho sendo gravado entre maio e abril deste ano no Estúdio Kapa, na casa de Teago Oliveira, vocalista e guitarrista do grupo que é formado também por Lelo Brandão (guitarra e teclado), Lucas Gonçalves (baixo e voz) e Felipe Dieder (bateria).
“O nome do álbum explica um pouco o caminho filosófico que ele percorre: Fluxo Natural significa que os obstáculos da vida são matéria prima para algo maior. Não é só sobre aceitação e sim sobre escolhas”, argumenta Teago Oliveira. “O recado mais profundo do disco é do amor como algo que permanece. Não apenas de um jeito romântico, e mesmo com muitas imagens densas – impérios caindo, corpos modificados, chuva de concreto, pesadelos – o amor surge como âncora, como elo central.”
“É um disco de rock brasileiro”, explica Teago. “Tem forte sensorialidade corporal e geográfica, fala-se muito sobre rio, mar, luar, outono, chuva, sol. Mas também fala de sonhar, de fé, infância, futuro possível, malandragem, de transformar a lama em banquete. Existe um microuniverso do pensamento brasileiro que talvez estejamos perdendo, mas que escolhemos trazer pra esse disco”, conclui.
Em atuação desde 2009, o grupo baiano reafirma, com o novo álbum, a continuidade e a constante renovação de seu projeto artístico. “Filosoficamente, o álbum escapa do niilismo porque ele recusa o vazio de sentido. Em vez de concluir que nada importa, ele encontra sentido justamente no fluxo, nessa coisa que vai nos levando. O álbum também tem como ideia o pensamento de ‘sobreviver ao tempo’, mas da melhor forma que conseguimos, consigo e com o mundo, com propósito de seguir esse fluxo. Isso reflete um pouco a história da própria banda, que está em atividade contínua por quase 20 anos”, finaliza o vocalista.


