Durante uma sessão na Câmara de Registro, no Vale do Ribeira, o vereador Amarildo Carlos Simoni Lopes (PSD) foi acusado de ter realizado falas de caráter homofóbico. Conforme informações apuradas pelo TH+ Portal, as declarações teriam ocorrido em 17 de agosto (segunda-feira), sendo direcionadas ao colega do político, Jefferson Pécori (PT).
O caso teria ocorrido no momento de uma discussão sobre uma obra na rodovia SP-139. Na ocasião, Pécori teria relatado que a revitalização abrange um investimento de aproximadamente R$ 500 mil. Contudo, após a fala, Lopes fez um contra-argumento, e passou a mencionar referências à sexualidade de Pécori, apontando que ele é “fixado pelo prefeito Samuel Moreira (PSD)”, e que “o prefeito é um homem hétero, casado e tem dois filhos”.
“Olha, esse vereador tem um problema sério. Ele tem uma fixação pelo prefeito Samuel. Samuel é hétero, rapaz, para com isso, entendeu? Não é gente aí, que parece o sol do meio-dia. Pensa que não queima, mas queima. Então, vamos parar com essa fixação”, relatou Lopes.
Outro relato polêmico de Lopes abrange a seguinte fala: “Pensa que não queima, mas queima”. A declaração gerou motivo de repúdio por parte da Comissão da Diversidade Sexual, de Gênero e Raça da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Iguape (SP).
Pronunciamento de Amarildo
Após a polêmica, o vereador Amarildo Simoni realizou uma postagem em seu Facebook se posicionando sobre o ocorrido. Na nota, o político presta o seguinte esclarecimento:
“Não sou homofóbico. Nunca tive qualquer tipo de preconceito relacionado a orientação sexual, gênero ou raça, e minha trajetória pública e pessoal em Registro é prova disso. Convivo e respeito todas as pessoas, e minha fala naquela sessão não teve, em nenhum momento, essa intenção. O que ocorreu foi uma discussão política com o vereador Jefferson Pecori, do PT. Minha resposta foi motivada pela fixação anormal e doentia que ele mantém em relação ao prefeito Samuel Moreira, trazida à tona em praticamente todas as sessões, independentemente do tema em pauta. Foi a esse comportamento reiterado que me referi. Pecori sabe exatamente do que estou falando e, mesmo assim, optou por distorcer o sentido da minha fala para se colocar como vítima, o que considero uma atitude mentirosa e oportunista”.
Ele também menciona a questão do repúdio por parte da Comissão da Diversidade Sexual, de Gênero e Raça da OAB de Iguape.
“A respeito da nota divulgada pela Comissão da Diversidade Sexual, de Gênero e Raça da OAB de Iguape, cabe esclarecer que se tratou de uma decisão isolada, sem o respaldo dos demais advogados da subseção. Lamento que um profissional medíocre tenha optado por se promover às custas de uma fala retirada de seu contexto, em vez de tratar o assunto com a seriedade que o debate público exige. Por se tratar de manifestação envolvendo outro advogado, o autor da nota tinha a obrigação de me ouvir antes de se manifestar publicamente. Por esse motivo, o caso será levado ao Tribunal de Ética e Disciplina da OAB/SP”.
Do mesmo modo, o texto postado no perfil do vereador é finalizado com a seguinte frase: “Não vou aceitar que uma divergência política seja utilizada para construir uma acusação de preconceito que não corresponde ao que sou nem ao que penso”.
Nota de repúdio da OAB
Em resposta ao TH+ Portal, a OAB compartilhou a seguinte nota: “A Comissão da Diversidade Sexual, de Gênero e Raça da Ordem dos Advogados do Brasil – 195ª Subseção Iguape, vem a público manifestar seu veemente repúdio às manifestações de cunho homofóbico proferidas pelo vereador e advogado Amarildo Simoni, Líder do Governo, durante sessão da Câmara Municipal de Registro, dirigidas ao vereador de oposição Jefferson Pecori e, por meio dele, à população LGBTQIAPN+”.
A instituição também confirma o acontecimento, e classifica as falas de Lopes como “elementos de desqualificação e constrangimento”.
“As manifestações ocorreram durante debate parlamentar em que o vereador Jefferson Pecori exercia legitimamente sua função fiscalizatória, formulando críticas e questionamentos acerca de possíveis gastos indevidos relacionados a obra realizada em praça pública do Município de Registro e cobrando do Poder Executivo a devida prestação de contas. Na condição de Líder do Governo, o vereador Amarildo Simoni respondeu aos questionamentos mediante manifestações que, conforme o conteúdo audiovisual divulgado nas redes sociais, extrapolam os limites do debate político e recorrem à orientação sexual como elemento de desqualificação e constrangimento. A Comissão considera grave e incompatível com o debate democrático a utilização da orientação sexual, real ou presumida, como instrumento de ataque ou desqualificação política”.
Finalizando, a organização afirma que não está de acordo com esse tipo de atitude: “Não aceitaremos a naturalização de qualquer forma de violência que contribua para patologizar, discriminar, inferiorizar ou disseminar ódio contra a população LGBTQIAPN+ ou contra quaisquer outros grupos historicamente vulnerabilizados”.
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