O que um estádio cheio de empresários me ensinou sobre os encontros que realmente importam

Rafael Seixas
Rafael Seixas
Rafael Seixas é CEO e Fundador da SXS Marketing com operação Brasil e Estados Unidos. Com uma graduação em Ciências Humanas e Bacharelado em Comunicação pela Faculdade Metrocamp de Campinas, ele é um especialista em Comunicação Integrada, com formação pela ESPM de São Paulo. Além disso, Rafael possui uma Especialização em Gestão Digital pela USP de São Paulo e especialização em Patrocínios pela Universidade de Barcelona, na Espanha. Ele também é Pós-Graduado em Gestão de Marketing pela Trevisan Escola de Negócios de São Paulo.Além de sua carreira de sucesso na área de marketing, Rafael é dedicado pai da Maitê.Sob sua liderança, a SXS Marketing continua a alcançar novos patamares de sucesso, oferecendo soluções inovadoras para seus clientes. São mais de 200 milhões de reais já faturados pelo seus clientes e empresas referência em seus mercados são clientes da SXS Marketing.
Rafael Seixas

Na última semana, estive no MLS Festival, em São Paulo, com mais de 35 mil empresários reunidos no Nubank Parque para um dia inteiro de conteúdo, negócios e conexões. A dimensão impressiona, claro. Mas não foi isso que mais ficou comigo.

O que me chamou atenção foi perceber, mais uma vez, que existe uma diferença enorme entre ter acesso à informação e estar em um ambiente que muda a forma como você pensa e decide.

Depois de 17 anos trabalhando com Marketing, uma coisa ficou muito clara para mim: conhecimento só ganha valor quando altera comportamento. Quando muda uma decisão. Quando leva alguém a testar uma nova estratégia, abandonar uma ideia ruim, rever uma prioridade ou enxergar uma oportunidade que antes não estava visível.

Por isso, quando participo de encontros como o MLS, não estou procurando uma fórmula pronta. Quero observar como outros empresários pensam, quais problemas estão enfrentando, o que está mudando na forma de vender, liderar, comunicar e crescer.
Eventos assim funcionam, em alguma medida, como um laboratório concentrado do mercado.

Em poucas horas, você percebe temas que aparecem repetidamente nas conversas, nos palcos e até nos intervalos. E uma percepção que saiu ainda mais forte dessa experiência é que Marketing e Vendas já não fazem sentido como disciplinas isoladas.

Durante muito tempo, as empresas aceitaram uma divisão relativamente confortável: Marketing cuidava da comunicação e Vendas cuidava do faturamento. Essa separação ficou cara.

Hoje, uma empresa pode produzir muito conteúdo, investir em mídia e construir audiência sem necessariamente criar demanda qualificada. Da mesma forma, pode ter uma excelente equipe comercial e ainda depender de esforço excessivo para vender porque o mercado não entende claramente sua proposta de valor.

Marketing precisa preparar o terreno para a venda. Vendas precisa devolver informação para o Marketing. E os dois precisam responder à mesma estratégia de negócio. Isso parece simples quando escrito em uma frase. Na prática, exige uma mudança importante de gestão.

É preciso conectar posicionamento, geração de demanda, dados, processo comercial, experiência do cliente e entrega. Quando cada área trabalha para uma métrica diferente, a empresa pode até parecer ocupada, mas não necessariamente está avançando.

Essa discussão também me fez olhar para o SXS Summit Club com mais clareza. Depois de duas edições, tenho cada vez menos interesse em criar simplesmente “um bom evento”. Um bom palco, bons convidados e uma programação organizada são requisitos básicos. Não são suficientes.

O que me interessa é criar um ambiente em que alguma coisa possa acontecer depois. Pode ser uma nova parceria. Uma mudança de estratégia. Uma conversa que evita um erro. Um contato que abre um mercado. Uma percepção que faz o empresário voltar para a empresa e fazer uma pergunta que até então não estava fazendo.

Esse, para mim, é o verdadeiro retorno de um encontro empresarial.

Empreender tem uma característica curiosa, porque quanto maior a responsabilidade, menor costuma ser o número de pessoas com quem você consegue dividir determinadas decisões. Existem questões que a equipe não resolve, que um fornecedor não responde e que dificilmente aparecem em um curso.

Nessas horas, o repertório importa.

Conhecer pessoas que enfrentam problemas semelhantes importa. Conviver com quem já atravessou determinada fase importa. Escutar experiências fora do próprio setor também importa.

Não porque alguém tenha a resposta pronta, mas porque boas referências melhoram a qualidade das perguntas. E perguntas melhores costumam produzir decisões melhores.

Essa foi uma das lições que trouxe do MLS Festival e que quero levar para a 3ª edição do SXS Summit Club, em 10 de novembro, em São José dos Campos.

Com o tema “Como Planejar e se Preparar para 2027”, o Summit será um espaço para discutir como as empresas podem se preparar diante das mudanças na economia, na tecnologia, no comportamento do consumidor e no trabalho.

Não quero reproduzir o que vi em São Paulo, mas aprender com aquilo. Afinal, benchmark não é copiar formatos, e sim entender o que funciona e adaptar à própria realidade.

No fim, um encontro só faz sentido quando algo continua depois dele, seja uma conversa, uma ideia ou uma decisão.

É isso que quero construir no Summit: um evento que não termine quando as pessoas deixam o local, mas que gere movimento.

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