Jota Quest e Tim Maia, em “Dance Enquanto é Tempo”

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Jota Quest e Tim Maia se encontram novamente em “Dance Enquanto é Tempo”. O título do novo álbum do Jota carrega uma história que acompanha a banda desde seus primeiros passos. Primeiramente lançada em 1996, a música de Tim foi uma das primeiras conexões com o artista que se tornaria uma de suas principais referências.

Agora, três décadas depois, a relação ganha um novo capítulo. Em “Jota Quest e Tim Maia – Dance Enquanto é Tempo”, a obra do “Síndico” é revisitada, reunindo sucessos, lados B e novas roupagens de canções que fizeram história. O álbum tem 16 faixas e conta com participações, como por exemplo Negra Li, Thiaguinho, Tony Tornado e Lincoln Tornado.

E a Novabrasil esteve presente na audição exclusiva do álbum realizada no Steel Bar, em São Paulo. Em uma parceria entre a Universal Music e a Apple Music.

Para ouvir de um jeito diferente

A experiência começou ainda na entrada. Os convidados receberam uma camiseta exclusiva do projeto e, antes da audição, puderam aproveitar uma recepção preparada especialmente para a ocasião, com comes e bebes.

A ambientação também ajudava a preparar os ouvidos para o que viria pela frente. Enquanto os convidados chegavam, o espaço era embalado por músicas do próprio Tim Maia, criando o clima para um evento dedicado à obra do cantor.

No evento estavam os integrantes do Jota, gravadora, amigos, representantes de rádios, imprensa e de fã-clubes. Além de duas presenças especialmente importantes para o projeto: Negra Li, que participa do álbum, e Carmelo Maia, filho de Tim Maia, que esteve diretamente envolvido na curadoria do repertório ao lado da banda.

A escolha das músicas é um dos pontos centrais do projeto. Em vez de focar apenas nos sucessos de Tim Maia, o Jota Quest, além disso, mergulhou em faixas mais lado B de seu repertório. A proposta é apresentar diferentes momentos da obra do artista e, ao mesmo tempo, mostrar como essa influência atravessa a própria trajetória da banda.

A relação entre os dois artistas começou ainda em 1996, quando o então J.Quest decidiu gravar “Dance Enquanto é Tempo” para seu primeiro álbum. A escolha chamou a atenção do próprio Tim Maia, justamente por não se tratar de um dos seus maiores hits. Segundo o baixista PJ, o artista “se amarrou” na escolha da banda.

Carmelo Maia e Jota Quest. Foto: Gabriel Petrasso/Novabrasil.

Uma audição em quatro lados

Para apresentar o álbum, a audição foi dividida em quatro blocos. A estrutura remetia diretamente à experiência de ouvir um disco de vinil duplo: lado A, lado B, lado C e lado D.

Portanto, a divisão permitiu que o público acompanhasse o álbum como uma experiência completa, respeitando a proposta de construção do repertório e criando pequenas pausas entre os diferentes momentos do disco.

Mas havia ainda outro elemento importante na experiência: o som.

Jota Quest em Dolby Atmos

“Dance Enquanto é Tempo” foi gravado em Dolby Atmos, tecnologia que permite uma experiência sonora mais imersiva, trabalhando não apenas com os canais tradicionais de áudio, mas também com a percepção espacial do som.

No início da experiência, Daniel Martins, do laboratório Dolby, explicou aos convidados como funciona a tecnologia e de que maneira ela pode transformar a experiência de ouvir música.

Logo, o próprio Steel Bar conta com estrutura compatível com Dolby Atmos, permitindo que o público pudesse perceber na prática as características da tecnologia durante a audição.

Nesse formato, instrumentos, vozes e diferentes elementos das músicas ganham novas possibilidades de posicionamento dentro do espaço sonoro. Assim, para um álbum construído em torno do groove, dos arranjos e da riqueza instrumental de Tim Maia, a escolha pelo formato acrescenta uma camada a mais à experiência.

Uma homenagem que também olha para a própria história

Apesar de ser apresentado como uma homenagem a Tim Maia, o projeto também funciona como um reencontro do Jota Quest com suas próprias origens.

A influência do cantor está presente desde a formação musical do grupo e atravessa a trajetória de Rogério Flausino, PJ, Marco Túlio, Paulinho e Márcio Buzelin. A própria história da banda passa pela música de Tim, que esteve presente em um momento decisivo para a construção da identidade do quinteto.

Para Flausino, o projeto representa justamente esse retorno às raízes. “O ‘Jota Quest e Tim Maia – Dance Enquanto é Tempo’ é uma volta às raízes do Jota Quest, através da voz, do balanço e da energia do Tim”, afirmou o vocalista.

Rogério Flausino. Foto: Gabriel Petrasso/Novabrasil

Carmelo Maia: “É mais do que uma homenagem”

Durante a audição, a Novabrasil também conversou com exclusividade com Carmelo Maia, filho de Tim Maia e responsável pela curadoria do repertório do álbum ao lado do Jota Quest.

Para Carmelo, o projeto vai muito além de uma homenagem. A relação entre Tim Maia e o Jota Quest começou ainda nos primeiros anos da banda, quando o grupo ainda era conhecido como J.Quest, e o próprio Tim sugeriu que o nome fosse alterado para Jota Quest.

“Hoje a gente está celebrando a audição do disco, onde eu fiz a curadoria toda. Para mim, é mais do que uma homenagem. A banda tem uma história desde o início, quando eles ainda não eram famosos, eram chamados J.Quest. Meu pai achou esse nome muito esquisito, e eles também sofreram uma notificação da Hanna-Barbera e não poderiam usar o nome. E meu pai falou: ‘Mermão, Jota Quest! Jota Quest é muito mais bonito!’. E aí Tim Maia batizou. E se Tim Maia falou, está falado!”, contou Carmelo à Novabrasil.

Carmelo Maia, Flausino e Thiaguinho, que também participa do álbum — Foto: Reprodução/Instagram

A história, portanto, ajuda a explicar a conexão especial que existe entre o artista e a banda. Para Carmelo, o Jota Quest carrega um DNA musical próximo ao de seu pai, o que torna o projeto especialmente significativo.

“O Jota Quest tem um DNA que é o mesmo do meu pai. É mais do que louvável. Para mim, é um dos melhores tributos, mais do que justo.”

Outro ponto que aproximou Carmelo do projeto foi a possibilidade de explorar um lado menos conhecido da discografia de Tim Maia. Em vez de apostar somente nos grandes sucessos, a banda decidiu mergulhar também em músicas que não tiveram o mesmo espaço nas rádios ou no imaginário popular.

“E o que mais me deu tesão em fazer parte dessa produção é que o Jota Quest gosta muito do lado B. Eu apresentei a maioria dessas músicas”, revelou.

E Carmelo ainda deixou um mistério no ar. Segundo ele, existe uma 17ª música relacionada ao projeto.

“Tem uma 17ª música, que eles não falaram, mas que parece que foi mais feita para eles do que para o meu pai.”

Negra Li: “Eu não podia perder essa oportunidade”

A audição também contou com a presença de Negra Li, uma das artistas convidadas para participar do projeto. Em conversa exclusiva com a Novabrasil, a cantora falou sobre a importância de fazer parte de um álbum dedicado a um artista que considera uma de suas maiores referências.

Para Negra Li, o convite chegou como uma oportunidade de celebrar Tim Maia não apenas como um grande cantor, mas como um dos maiores compositores e hitmakers da música brasileira.

Que oportunidade! É agora! Poder fazer uma homenagem ao cara que é uma referência para mim, sempre o achei o maior hitmaker do nosso Brasil. Tem músicas que eu adoraria ter feito, essa mistura gostosa de soul…”

A cantora também destacou a personalidade e a postura de Tim Maia, lembrando que sua importância ia muito além da música. Para ela, o artista também deixou ensinamentos sobre a maneira de se posicionar e defender seus próprios direitos.

“Tim Maia era muito inteligente, muito musical, muito exigente. Dava aulas, né? Não só musical, mas também sobre como você exigir seus direitos. Ele era chato com isso.”

Foto: Divulgação.

Participar do projeto, portanto, teve um significado especial para Negra Li. A cantora descreveu a experiência como um privilégio e ressaltou a responsabilidade de poder acrescentar sua voz à obra de um artista que considera um verdadeiro mestre.

“Então foi muito bom, um privilégio para mim poder escrever dentro da obra dele e falar o quanto ele é maravilhoso e nosso mestre. É o verdadeiro rei. Então, para mim, foi uma grande oportunidade e eu não podia perder!”

“Descobridor dos Sete Mares”

E se a audição já havia proporcionado aos convidados uma experiência diferente para conhecer o álbum, ainda tinha uma surpresa.

Ao final, a Novabrasil e os demais convidados puderam assistir em primeira mão ao clipe de “Descobridor dos Sete Mares”, encerrando a experiência antes do lançamento oficial do trabalho.

A escolha da música para ganhar um registro audiovisual reforça uma das características mais marcantes do projeto: a capacidade de fazer com que músicas que atravessaram diferentes gerações encontrem uma nova leitura nas mãos de uma banda que também construiu sua história a partir delas.

30 anos de Jota Quest

“Jota Quest e Tim Maia – Dance Enquanto é Tempo” chega em um momento simbólico para o Jota Quest. Ao completar 30 anos de carreira, a banda olha para uma de suas principais referências e transforma essa influência em um projeto próprio.

O álbum não se limita a relembrar Tim Maia. Ele busca manter vivo o balanço, o groove e a energia de sua música, aproximando esse repertório de uma nova geração sem deixar de lado a história que existe por trás de cada faixa.

E, como sugere o próprio título, a mensagem parece ser simples: se a música continua fazendo dançar, ainda há tempo para celebrar.

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