Eu fui ao HackTown em 2024, também palestrei naquela edição e estou voltando agora. Dois anos depois, percebi que o que mais ficou comigo não foi uma palestra específica, um slide genial ou alguma previsão sobre o futuro. Foram justamente as coisas que aconteceram fora do que eu tinha planejado.
O HackTown tem uma característica meio inconveniente para quem gosta de organizar tudo antes de viajar. Ele se espalha por Santa Rita do Sapucaí. Você monta sua programação, escolhe o que quer assistir e, de repente, no caminho entre uma atividade e outra, esbarra numa conversa sobre comportamento, música, ciência, negócios ou algum assunto que não tinha absolutamente nada a ver com aquilo que estava procurando.
E você fica.
Isso parece detalhe, mas para mim é uma diferença enorme. A maior parte dos eventos profissionais está ficando cada vez melhor em nos entregar exatamente aquilo que já sabemos que queremos. Marketing encontra marketing, varejo encontra varejo, tecnologia encontra tecnologia. Todo mundo ganha crachá, coffee break e uma quantidade bastante respeitável de confirmação das próprias certezas.
É quase um algoritmo de rede social em formato de congresso.
A gente fala muito em sair da bolha. Depois compra ingresso para passar dois dias inteiros dentro dela.
Juntar 500 pessoas da mesma área para discutir o futuro da própria área pode produzir muito networking. Não necessariamente inovação.
O que me interessa no HackTown é justamente quando essas fronteiras começam a dar errado. Quando marketing encontra música, tecnologia encontra comportamento, ciência encontra negócio e alguém escuta uma ideia que não tinha pedido para ouvir.
Foi isso que me pegou em 2024. Não apenas o conteúdo, mas a sensação de que a cidade inteira fazia parte da experiência. Você precisava andar, cruzar pessoas, mudar de assunto e perder um pouco o controle sobre aquilo que pretendia consumir.
Estou voltando em 2026 e vou palestrar novamente. Desta vez com uma provocação que tem ocupado bastante do meu trabalho: “Seu marketing tem IA ou só uma senha no ChatGPT?”
Vou falar sobre a distância enorme entre usar inteligência artificial e realmente mudar processos, dados, decisões e a forma como o marketing funciona dentro de uma empresa.
Mas talvez a parte mais importante da minha preparação para o HackTown seja outra. Vou montar minha agenda com bastante cuidado, escolher o que quero assistir e organizar meus horários como manda a boa educação corporativa.
Depois vou torcer para dar tudo errado.


