Adolescente suspeito de matar padrasto ao defender mãe na Paraíba é ouvido e liberado

O jovem compareceu à delegacia acompanhado de um advogado, dois dias depois da ocorrência.

Carlos Rocha
Carlos Rocha
Nascido em 1988, em Guarulhos (SP), Carlos Rocha é filho de paraibanos e vive em João Pessoa desde o início dos anos 2000. Graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Paraibana, ingressou posteriormente no curso de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).Atua no jornalismo digital desde 2013, com passagens por importantes veículos de comunicação da Paraíba. Na TH+ SBT Tambaú, trabalhou nas áreas de Marketing, Reportagem e Produção de Conteúdo Multimídia.Sua atuação é voltada principalmente para política, cidades e temas de interesse público, sempre com foco na apuração rigorosa e na produção de conteúdo de qualidade. Além do jornalismo, é apaixonado por leitura, cinema, séries e cultura pop.
Foto: Reprodução

O adolescente de 15 anos investigado pela morte do padrasto em Sousa, no Sertão da Paraíba, se apresentou voluntariamente à Polícia Civil nesta quinta-feira (10), prestou depoimento e foi liberado.

O jovem compareceu à delegacia acompanhado de um advogado, dois dias depois da ocorrência.

Segundo a Polícia Civil, a apresentação já havia sido comunicada previamente pela defesa ao delegado responsável pela investigação.

A identidade do adolescente deve permanecer preservada por se tratar de menor de idade.

Jovem alegou legítima defesa

Durante o depoimento, o adolescente relatou que teria agido para defender a mãe das agressões praticadas pelo padrasto.

Segundo a versão apresentada à polícia, o homem estaria agredindo a mulher e também teria tentado atacar o adolescente quando ele interveio.

A Polícia Civil investiga a possibilidade de legítima defesa de terceiro, hipótese prevista quando alguém age para proteger outra pessoa de uma agressão injusta atual ou iminente.

A alegação, no entanto, ainda deverá ser analisada a partir do conjunto de depoimentos, perícias e demais elementos reunidos durante a investigação.

Caso aconteceu na terça-feira

A ocorrência foi registrada na terça-feira (8), em Sousa.

De acordo com as informações apuradas pela polícia, a mulher teria sido agredida e asfixiada pelo companheiro dentro da residência.

Ela pediu ajuda, e o adolescente interveio durante a situação.

O homem acabou atingido por golpe de faca e morreu no local. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e confirmou a morte.

A mulher também precisou de atendimento médico e foi encaminhada ao Hospital Regional de Sousa.

Homem descumpria medidas protetivas, diz polícia

Segundo a delegada Patrícia Forny, responsável pelas primeiras informações sobre o caso, o homem morto descumpria de forma recorrente medidas protetivas que determinavam que ele não se aproximasse da companheira.

Esse histórico também integra a investigação sobre as circunstâncias que antecederam a morte.

A polícia já havia informado que o episódio ocorreu em um contexto de violência doméstica e que outra criança também estava na residência.

Adolescente havia deixado o local

Após o episódio, o adolescente deixou a residência e não havia sido localizado pela polícia nos dias seguintes.

A defesa entrou em contato com a Polícia Civil e informou que ele compareceria voluntariamente para prestar esclarecimentos.

Nesta quinta-feira, o jovem foi ouvido e não permaneceu apreendido após o depoimento.

A liberação não encerra a apuração. O procedimento continuará para esclarecer toda a dinâmica do caso e definir se houve ato infracional e em quais circunstâncias ocorreu.

Polícia analisa legítima defesa de terceiro

Os elementos iniciais levaram a Polícia Civil a considerar a hipótese de que o adolescente tenha agido para interromper uma agressão contra a mãe.

No entanto, caberá às autoridades responsáveis analisar se estavam presentes os requisitos legais necessários para caracterizar a legítima defesa.

Como o investigado tem 15 anos, eventual responsabilização segue as regras do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), e não o sistema penal aplicado a adultos.

O caso segue sob investigação.

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