Analfabetismo recua na Paraíba, e MEC lança ferramenta para ajudar adultos a voltar a estudar

Apesar do avanço, o percentual paraibano continua significativamente acima da média brasileira, que caiu para 4,9% em 2025, o menor nível da série histórica nacional.

Carlos Rocha
Carlos Rocha
Nascido em 1988, em Guarulhos (SP), Carlos Rocha é filho de paraibanos e vive em João Pessoa desde o início dos anos 2000. Graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Paraibana, ingressou posteriormente no curso de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).Atua no jornalismo digital desde 2013, com passagens por importantes veículos de comunicação da Paraíba. Na TH+ SBT Tambaú, trabalhou nas áreas de Marketing, Reportagem e Produção de Conteúdo Multimídia.Sua atuação é voltada principalmente para política, cidades e temas de interesse público, sempre com foco na apuração rigorosa e na produção de conteúdo de qualidade. Além do jornalismo, é apaixonado por leitura, cinema, séries e cultura pop.
Imagem ilustrativa | Foto: Reprodução

A taxa de analfabetismo entre pessoas com 15 anos ou mais caiu de 12,7% para 11,6% na Paraíba entre 2024 e 2025, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua).

A redução foi de 1,1 ponto percentual em um ano. Apesar do avanço, o percentual paraibano continua significativamente acima da média brasileira, que caiu para 4,9% em 2025, o menor nível da série histórica nacional.

Isso significa que a taxa de analfabetismo da Paraíba ainda é mais de duas vezes superior à registrada no conjunto do país.

Os números foram divulgados pelo Ministério da Educação (MEC), que também apresentou dados sobre a Educação de Jovens e Adultos (EJA) e uma plataforma criada para aproximar pessoas interessadas em voltar a estudar das redes de ensino.

Paraíba tem quase 90 mil matrículas na EJA

Dados do Censo Escolar de 2025 mostram que a Paraíba contabilizava 89.977 matrículas na Educação de Jovens e Adultos.

Desse total, 87.886 estavam na rede pública, o equivalente a aproximadamente 98% dos estudantes da modalidade no estado.

A Paraíba também possuía 1.402 escolas públicas e privadas com matrículas na EJA.

Entre elas, 1.384 pertenciam à rede pública.

Os dados reforçam o peso das redes municipais e estadual na oferta da modalidade destinada a pessoas que não concluíram a educação básica na idade regular.

Nordeste concentra mais de 1,2 milhão de matrículas

O Nordeste reunia, em 2025, 1.205.167 matrículas na Educação de Jovens e Adultos, mais da metade das aproximadamente 2,25 milhões registradas em todo o Brasil.

A região também concentrava 16.901 escolas com estudantes da EJA.

Na Paraíba, as quase 90 mil matrículas colocam o estado dentro de um cenário regional em que a demanda por alfabetização e retomada dos estudos continua elevada.

Entre os estados nordestinos, a Bahia possuía o maior contingente, com 427.888 matrículas, seguida por Ceará, Maranhão, Pernambuco e Alagoas.

Como voltar a estudar pela EJA

Uma das ferramentas criadas pelo Ministério da Educação para tentar aproximar a população das vagas disponíveis é o Cadastro da Educação de Jovens e Adultos (CadEJA).

A plataforma permite que pessoas interessadas em retomar os estudos registrem a demanda pela internet.

Podem utilizar o serviço:

  • pessoas com 15 anos ou mais que desejam retomar o Ensino Fundamental;
  • pessoas com 18 anos ou mais interessadas em concluir o Ensino Médio.

No sistema, o interessado deve selecionar a opção “Quero voltar a estudar”, preencher as informações solicitadas e aguardar o contato responsável pelo encaminhamento para uma oportunidade de matrícula.

O cadastro, por si só, não representa matrícula automática, mas permite que as redes de ensino identifiquem a procura e auxiliem o interessado a localizar uma vaga.

Plataforma tenta aproximar demanda e vagas

O CadEJA funciona com diferentes perfis de usuários.

Além do cidadão que deseja voltar à escola, existem operadores responsáveis por acompanhar os cadastros e orientar sobre oportunidades disponíveis.

Servidores públicos também podem atuar como agentes de cadastro, auxiliando pessoas que tenham dificuldade para acessar a plataforma.

Já os gestores indicados por estados, municípios, Distrito Federal ou instituições federais acompanham as demandas registradas e fazem a articulação com as instituições que oferecem a Educação de Jovens e Adultos.

Brasil atinge menor taxa da série histórica

Em âmbito nacional, a taxa de analfabetismo das pessoas com 15 anos ou mais chegou a 4,9% em 2025.

O índice representa o menor patamar da série histórica da Pnad Contínua.

Embora a Paraíba também tenha registrado redução, a diferença em relação à média brasileira mostra que o enfrentamento ao analfabetismo permanece como um dos desafios da política educacional no estado.

O dado também evidencia a importância da EJA para alcançar pessoas que deixaram a escola ou não tiveram acesso à alfabetização na idade regular.

Pacto EJA reúne ações contra analfabetismo

O CadEJA integra o Pacto Nacional pela Superação do Analfabetismo e Qualificação da Educação de Jovens e Adultos, política do Governo Federal voltada à ampliação da escolaridade da população adulta.

Entre os objetivos estão:

  • reduzir o analfabetismo;
  • ampliar o número de matrículas na EJA;
  • elevar a escolaridade da população;
  • ampliar o atendimento a pessoas privadas de liberdade;
  • integrar a Educação de Jovens e Adultos à formação profissional.

Outra iniciativa é o Programa Nacional de Formação para a Docência na Educação de Jovens e Adultos (ProfEJA), voltado à formação continuada de professores e educadores populares.

Paraíba em números

Taxa de analfabetismo em 2024: 12,7%
Taxa de analfabetismo em 2025: 11,6%
Redução: 1,1 ponto percentual
Média brasileira em 2025: 4,9%
Matrículas na EJA na Paraíba: 89.977
Matrículas na rede pública: 87.886
Escolas com EJA: 1.402
Escolas públicas com EJA: 1.384

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