Na Nova Brasil FM, Veneziano rebate questionamentos sobre doação ao MDB e critica decisão que barrou Janine Lucena

Em sabatina na Nova Brasil FM, senador também falou sobre STF, defendeu investigação de eventuais irregularidades envolvendo ministros e apresentou balanço do mandato

Carlos Rocha
Carlos Rocha
Nascido em 1988, em Guarulhos (SP), Carlos Rocha é filho de paraibanos e vive em João Pessoa desde o início dos anos 2000. Graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Paraibana, ingressou posteriormente no curso de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).Atua no jornalismo digital desde 2013, com passagens por importantes veículos de comunicação da Paraíba. Na TH+ SBT Tambaú, trabalhou nas áreas de Marketing, Reportagem e Produção de Conteúdo Multimídia.Sua atuação é voltada principalmente para política, cidades e temas de interesse público, sempre com foco na apuração rigorosa e na produção de conteúdo de qualidade. Além do jornalismo, é apaixonado por leitura, cinema, séries e cultura pop.

O senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB), candidato à reeleição pela Paraíba, afirmou nesta terça-feira (15) que não vê irregularidade na doação de R$ 2 milhões feita pelo advogado Fabiano Augusto Martins Silveira ao diretório estadual do MDB e criticou a decisão do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) que indeferiu o registro de Janine Lucena (PSD), até então primeira suplente em sua chapa.

As declarações foram dadas durante entrevista ao jornalista Josival Pereira, na Nova Brasil FM 102,5, em João Pessoa, dentro da série de sabatinas promovida pela emissora com candidatos ao Senado nas Eleições 2026.

Veneziano também foi questionado sobre as discussões envolvendo integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) e defendeu que eventuais irregularidades atribuídas a ministros sejam investigadas e, caso comprovadas, punidas.

Veneziano rebate questionamentos sobre doação de R$ 2 milhões

Um dos primeiros assuntos da entrevista foi a doação de R$ 2 milhões feita pelo advogado Fabiano Augusto Martins Silveira ao diretório estadual do MDB da Paraíba.

O repasse passou a ser questionado judicialmente por meio de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), que aponta suposto abuso de poder econômico.

Questionado por Josival Pereira, Veneziano afirmou que o partido já apresentou resposta à Justiça Eleitoral e sustentou que a contribuição foi realizada dentro das regras.

Segundo o senador, o doador teria capacidade financeira para realizar a contribuição, histórico de relacionamento com o MDB e teria feito o repasse oficialmente.

“Não tem nada, absolutamente nada”, declarou.

Veneziano afirmou ainda que o MDB preza pela prestação de contas e que as movimentações financeiras da campanha são realizadas oficialmente e submetidas à fiscalização da Justiça Eleitoral.

O senador também rejeitou tentativas de relacionar a doação à atuação de seu irmão, Vital do Rêgo Filho, presidente do Tribunal de Contas da União (TCU).

O caso chegou ao TRE-PB por meio de uma AIJE. Os questionamentos apresentados na ação são acusações ainda submetidas à análise da Justiça Eleitoral e não representam, por si só, uma condenação ou comprovação de irregularidade.

Janine Lucena

Outro tema de destaque foi a mudança na primeira suplência da chapa.

Janine Lucena (PSD) renunciou à candidatura na segunda-feira (14), três dias depois de o TRE-PB indeferir o registro dela. Para ocupar a vaga, foi indicado o irmão de Janine, Matheus Lucena (PDT).

Durante a entrevista, Veneziano disse acreditar na inocência da ex-companheira de chapa e criticou o fundamento utilizado para impedir a candidatura.

“Eu tenho plena consciência da inocência de Janine”, afirmou.

Segundo Veneziano, a decisão representa uma interpretação que considera excessivamente ampla das regras eleitorais porque Janine não possui condenação nos processos utilizados como fundamento para o pedido de impugnação.

“Como é que você exclui uma pessoa que nem julgada foi? Como é que uma pessoa é simplesmente excluída de um processo eleitoral sem julgamento?”, questionou.

Senador diz ver risco à presunção de inocência

Veneziano argumentou que o caso levanta uma discussão sobre a presunção de inocência e o direito de defesa.

Para ele, impedir uma candidatura antes do julgamento definitivo dos processos criminais utilizados como fundamento para a impugnação pode criar um precedente preocupante.

“Isso é muito preocupante, porque a presunção, que é constitucional, de inocência deixa de existir”, afirmou.

Janine teve o registro indeferido por unanimidade pelo TRE-PB na sexta-feira (11). A impugnação apresentada pela Procuradoria Regional Eleitoral utilizou elementos relacionados à Operação Mandare, investigação sobre suposta atuação de organização criminosa na política de João Pessoa.

Janine não possui condenação nos processos mencionados no julgamento.

Inicialmente, a defesa anunciou que recorreria ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na segunda-feira, porém, Janine formalizou a renúncia à candidatura, e Matheus Lucena foi escolhido para ocupar a primeira suplência.

Veneziano nega desgaste para o MDB

Durante a sabatina, o repórter André Vermino também perguntou se as investigações envolvendo candidaturas ligadas ao partido poderiam prejudicar a imagem do MDB durante a campanha.

Veneziano respondeu que não.

“De modo algum”, afirmou.

O senador voltou a defender Janine e disse que o combate às organizações criminosas deve ser feito com rigor, mas argumentou que isso não pode eliminar garantias individuais.

“Uma coisa é você se levantar, como todos e qualquer cidadão têm que fazer, contra quaisquer práticas criminosas, principalmente organizações criminosas que se alastram pelo país. Outra coisa é você simplesmente retirar o direito de uma pessoa concorrer sem que tenha sido demonstrada a sua culpa”, argumentou.

STF entra na sabatina

A atuação do Supremo Tribunal Federal também ocupou parte relevante da entrevista.

Josival Pereira questionou Veneziano sobre o papel do Senado diante das controvérsias envolvendo ministros da Corte e lembrou que, além da destinação de recursos e apresentação de projetos, senadores exercem funções constitucionais relacionadas à fiscalização e ao julgamento de autoridades.

Veneziano afirmou que sua atuação parlamentar não ficou restrita à liberação de recursos para municípios paraibanos.

O candidato citou participação em debates legislativos, defesa das instituições democráticas e apresentação de propostas no Congresso.

Ao mesmo tempo, disse reconhecer a existência de um ambiente de questionamento sobre o Supremo.

Veneziano defende investigação de eventuais irregularidades de ministros

Questionado especificamente sobre denúncias e suspeitas envolvendo integrantes do STF, Veneziano defendeu que ministros também sejam submetidos à investigação quando existirem elementos que justifiquem a apuração.

Segundo ele, ninguém pode estar acima da Constituição.

“Se qualquer um dos ministros, seja Alexandre de Moraes, seja porventura André Mendonça, tiver questões que precisam ser esclarecidas, elas precisam ser colocadas”, afirmou.

O senador disse que eventuais relações ou irregularidades precisam primeiro ser comprovadas e que, caso isso ocorra, devem resultar nas medidas previstas em lei.

“Comprovadas, elas precisam de ações punitivas com relação a qualquer pessoa”, declarou.

Veneziano argumentou que a mesma regra deve valer para parlamentares, integrantes do Judiciário, autoridades públicas e demais cidadãos.

Segundo ele, investigações transparentes também são importantes para a recuperação da credibilidade das instituições.

Balanço do mandato

Ao explicar por que considera que merece permanecer no Senado, Veneziano apresentou um balanço dos últimos anos e disse que uma campanha de reeleição exige prestar contas do mandato.

“A minha presença na campanha é dizer aos paraibanos que votaram em 2018 que valeu a pena ter acreditado num senador que trabalhou pelo seu estado, trabalhando também pelo seu país”, declarou.

O candidato citou investimentos destinados à Paraíba nas áreas de saúde, educação, infraestrutura e turismo, além de sua atuação legislativa.

Também mencionou discussões relacionadas ao transporte público, políticas para jovens e desenvolvimento econômico.

Veneziano argumentou que o papel de um senador precisa combinar as duas dimensões: atuação legislativa em Brasília e capacidade de articular recursos e investimentos para o estado que representa.

Reta final da campanha

Com menos de três semanas para o primeiro turno, marcado para 4 de outubro, Veneziano afirmou que pretende intensificar o contato direto com os eleitores.

Segundo ele, a estratégia para a reta final será percorrer municípios, participar de atividades de campanha e apresentar as realizações dos oito anos de mandato.

O senador afirmou ter realizado ações em mais de 200 municípios paraibanos durante o atual mandato.

Veneziano também reforçou durante a entrevista sua defesa das instituições democráticas e da soberania nacional e reiterou seu alinhamento político com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A entrevista desta terça-feira integra a série de sabatinas da Nova Brasil FM 102,5 com candidatos às duas vagas da Paraíba no Senado Federal. Na segunda-feira (14), o entrevistado foi André Gadelha (MDB).

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