Grupo investigado por tráfico movimentou R$ 144 milhões com vaquejadas e animais na Paraíba

Polícia Civil aponta lavagem de dinheiro por meio de compra e venda de animais, leilões, academias e outros negócios.

Kaliane Vitoria
Kaliane Vitoria
Estudante de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), é apaixonada por comunicação e pelo futebol. Atualmente, é estagiária no portal Th+ SBT, onde atua na produção de conteúdos jornalísticos. Busca reunir informação, credibilidade e criatividade em todas as suas reportagens.

Uma organização criminosa investigada por tráfico de drogas, venda de armas de fogo e lavagem de dinheiro teria movimentado cerca de R$ 144 milhões em dois anos, segundo a Polícia Civil da Paraíba. O grupo mantinha negócios ligados a vaquejadas, criação e comercialização de animais e também atuava na Paraíba e no Rio Grande do Norte.

A investigação resultou na Operação Bon Vivant, deflagrada nesta terça-feira (15). Foram expedidos 28 mandados de prisão, dos quais 27 foram cumpridos. Entre os presos, 15 já estavam em unidades prisionais. A operação também cumpriu mandados de busca e apreensão e determinou o bloqueio de bens e valores relacionados aos investigados.

Segundo a polícia, a apuração começou após a apreensão do celular de um dos suspeitos. A análise do aparelho revelou conversas e informações que levaram os investigadores a identificar uma estrutura organizada, com diferentes pessoas responsáveis pela prática dos crimes e pela movimentação do dinheiro.

Dinheiro era movimentado por diferentes negócios

Entre as estratégias usadas pelo grupo estava a negociação de animais e participação em leilões ligados ao setor de vaquejadas. A polícia afirma que os negócios ajudavam a movimentar os valores obtidos com atividades criminosas e a ampliar a rede de contatos dos investigados.

A investigação também identificou três academias ligadas ao grupo e o uso de pessoas apontadas como “laranjas” para movimentar dinheiro ou manter bens em seus nomes. Algumas dessas pessoas seriam esposas de integrantes da organização.

Outro braço do esquema teria envolvido o agenciamento da carreira de um cantor. Conforme a Polícia Civil, um dos investigados teria investido recursos na carreira do artista como parte de uma estratégia para ampliar os negócios e a circulação de dinheiro. O cantor não é tratado como integrante da organização e, segundo a investigação, provavelmente não sabia da origem dos recursos.

No Rio Grande do Norte, os policiais também cumpriram mandados em um haras ligado a um dos principais investigados. No local, foram apreendidos veículos, caminhões e um quadriciclo. Em Campina Grande, buscas ocorreram nos bairros Aluízio Campos e José Pinheiro e em dois condomínios fechados, onde foram apreendidos veículos de luxo e outros bens.

Durante uma das prisões realizadas em Campina Grande, houve disparos contra os policiais. A situação foi controlada e o suspeito acabou preso. Ninguém ficou ferido.

A Polícia Civil continua analisando celulares, documentos e outros materiais recolhidos durante a operação. O objetivo é aprofundar a investigação sobre a movimentação financeira da organização, identificar a participação de cada suspeito e localizar o investigado que ainda está foragido.

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