TCE-PB cria IA capaz de pesquisar processos e identificar possíveis irregularidades em contas públicas

Carlos Rocha
Carlos Rocha
Nascido em 1988, em Guarulhos (SP), Carlos Rocha é filho de paraibanos e vive em João Pessoa desde o início dos anos 2000. Graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Paraibana, ingressou posteriormente no curso de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).Atua no jornalismo digital desde 2013, com passagens por importantes veículos de comunicação da Paraíba. Na TH+ SBT Tambaú, trabalhou nas áreas de Marketing, Reportagem e Produção de Conteúdo Multimídia.Sua atuação é voltada principalmente para política, cidades e temas de interesse público, sempre com foco na apuração rigorosa e na produção de conteúdo de qualidade. Além do jornalismo, é apaixonado por leitura, cinema, séries e cultura pop.
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Foto: Divulgação

O Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE-PB) apresenta oficialmente nesta quarta-feira (16) uma ferramenta de inteligência artificial desenvolvida para auxiliar o trabalho de fiscalização e análise das contas públicas.

Batizado de Seixas, o sistema será lançado às 9h, durante a sessão do Tribunal Pleno, e permitirá que servidores façam pesquisas em grandes volumes de documentos utilizando perguntas escritas em linguagem comum.

A ferramenta foi desenvolvida em parceria com a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e terá como uma das principais funções agilizar a localização, compreensão e cruzamento de informações existentes nos processos analisados pelo Tribunal.

O TCE ressalta que a inteligência artificial funcionará como instrumento de apoio: a análise técnica e a responsabilidade pelas decisões continuarão sendo dos servidores e membros da Corte.

Como vai funcionar a IA Seixas?

Uma das principais novidades é a possibilidade de conversar com os documentos dos processos.

Na primeira etapa, o sistema terá um recurso chamado Chat de Documentos.

Em vez de procurar manualmente uma informação entre dezenas ou centenas de páginas, o servidor poderá formular uma pergunta diretamente à ferramenta.

Por exemplo, uma consulta poderá buscar informações relacionadas a determinado contrato, despesa, licitação ou ocorrência registrada nos documentos de um processo.

A IA analisará as informações disponíveis e apresentará uma resposta com indicação das fontes e dos trechos dos documentos utilizados.

Isso permite que o servidor confira de onde veio a informação antes de utilizá-la em uma análise.

Sistema utilizará dados do Tramita

O Chat de Documentos utilizará como base informações existentes no Tramita, sistema de tramitação processual do Tribunal de Contas.

A proposta é facilitar o acesso a dados que atualmente podem estar distribuídos em um grande volume de documentos.

Com isso, tarefas que exigem leitura e pesquisa manual poderão ser feitas de forma mais rápida, sem retirar do servidor a obrigação de verificar e interpretar as informações encontradas.

IA também poderá pesquisar possíveis irregularidades

Outro recurso previsto é a localização de processos a partir da descrição de uma possível irregularidade.

Isso significa que o servidor poderá pesquisar situações semelhantes sem precisar necessariamente conhecer previamente números de processos ou expressões jurídicas específicas.

A plataforma também terá busca integrada de jurisprudência, facilitando a localização de decisões anteriores do próprio Tribunal relacionadas ao assunto analisado.

Na prática, a ferramenta poderá auxiliar na comparação entre processos e entendimentos já adotados pelo TCE-PB.

Gerador de minutas está previsto para segunda etapa

O desenvolvimento da Seixas não termina com os recursos apresentados nesta quarta-feira.

Em uma segunda etapa, está prevista a implantação de um Gerador de Minutas.

A funcionalidade deverá auxiliar na elaboração de relatórios e outros documentos técnicos produzidos no trabalho de fiscalização.

Mais uma vez, o material gerado funcionará como ponto de apoio e deverá passar pela análise do servidor responsável.

IA não poderá decidir no lugar dos servidores

Um dos pontos enfatizados pelo Tribunal é que o Seixas não substituirá a análise humana.

A inteligência artificial poderá localizar, organizar, resumir e relacionar informações, mas não terá autonomia para definir o resultado de uma fiscalização ou decidir pela regularidade ou irregularidade de uma conta pública.

A decisão final continuará sob responsabilidade do corpo técnico, dos membros do Ministério Público de Contas e dos conselheiros, conforme cada etapa processual.

A medida busca estabelecer uma separação entre automação de tarefas de pesquisa e exercício de funções que exigem avaliação técnica e responsabilização institucional.

Ferramenta será apresentada aos servidores na sexta-feira

Depois do lançamento durante a sessão desta quarta, o TCE-PB fará uma apresentação específica na sexta-feira (18).

A atividade será destinada a auditores, integrantes do Ministério Público de Contas, gabinetes e membros do Tribunal.

Nessa etapa, serão apresentadas orientações sobre funcionamento e utilização da ferramenta no cotidiano do controle externo.

O projeto é coordenado pela Diretoria de Tecnologia do TCE-PB.

Parceria com UFCG amplia uso de IA no Tribunal

O Seixas é resultado de uma parceria entre o Tribunal de Contas e a Universidade Federal de Campina Grande voltada ao desenvolvimento de soluções de inteligência artificial aplicadas ao setor público.

A cooperação entre as duas instituições já resultou em outras ferramentas tecnológicas.

Entre elas está a Turmalina 3.0, utilizada pelo Tribunal para automatizar parte da fiscalização dos portais de transparência dos órgãos públicos paraibanos.

A nova ferramenta amplia o uso da inteligência artificial para a análise de documentos e processos internos do controle externo.

Por que o nome Seixas?

O nome faz referência à Praia do Seixas, em João Pessoa, associada ao extremo oriental do continente americano.

A identidade visual desenvolvida pelo Tribunal também utiliza elementos relacionados ao Farol do Cabo Branco.

Segundo o TCE-PB, o conceito do farol foi escolhido para representar ideias de orientação, direção e segurança, associando a tecnologia à função de auxiliar o acesso às informações utilizadas na fiscalização.

A identidade visual também incorpora referências ao sisal, planta que teve importância histórica para a economia paraibana.

O que a Seixas poderá fazer

Na primeira fase, a inteligência artificial terá entre suas funções:

  • responder perguntas sobre documentos e processos;
  • localizar informações em grandes volumes de arquivos;
  • indicar os documentos e trechos usados para formular respostas;
  • cruzar dados processuais;
  • pesquisar jurisprudência do TCE-PB;
  • localizar processos por descrição de possíveis irregularidades.

Em uma etapa posterior, está previsto:

  • Gerador de Minutas, para auxiliar na preparação de relatórios e documentos técnicos.

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