Uma operação integrada das forças de segurança cumpre 30 mandados judiciais nesta quarta-feira (16) contra investigados por envolvimento com uma organização criminosa Uma operação integrada das forças de segurança cumpre 30 mandados judiciais nesta quarta-feira (16) contra investigados por envolvimento com uma organização criminosa em João Pessoa.
A ação é a segunda fase da Operação Trapiche e tem como foco, além da atuação ligada ao tráfico de drogas e a crimes violentos, a movimentação financeira atribuída ao grupo.
Ao todo, são cumpridos 17 mandados de busca e apreensão e 13 de prisão preventiva.
A Justiça também determinou bloqueio de ativos financeiros de até R$ 750 mil, além do sequestro de bens e outras restrições patrimoniais.
Operação mira dinheiro de organização criminosa
A nova fase aprofunda elementos reunidos durante a primeira etapa da investigação, deflagrada em maio deste ano.
Segundo as forças de segurança, o objetivo agora é atingir também a estrutura financeira utilizada para movimentar, ocultar ou dissimular recursos supostamente provenientes das atividades criminosas.
Os investigados são relacionados, conforme a apuração, a crimes como:
- tráfico de drogas;
- associação para o tráfico;
- lavagem de dinheiro;
- homicídios;
- outros delitos atribuídos à organização.
As responsabilidades individuais ainda estão sendo investigadas.
Mulher é presa na Comunidade do S
Entre as prisões realizadas nesta quarta-feira está a de uma mulher identificada como Jessiane, localizada na Comunidade do S, no bairro do Roger, em João Pessoa.
Segundo a Polícia Civil, ela seria companheira de um homem apontado como liderança do tráfico na região.
A corporação utiliza a expressão “primeira-dama do tráfico” para descrever a posição que atribui à investigada dentro da estrutura do grupo.
A expressão representa uma classificação feita pelas autoridades responsáveis pela investigação e não uma definição judicial da responsabilidade da mulher.
Ela deverá responder às acusações no decorrer do processo e tem direito à defesa.
Justiça determinou bloqueio de até R$ 750 mil
Além das prisões e buscas, a 2ª Vara Regional das Garantias do Estado da Paraíba autorizou medidas voltadas ao patrimônio dos investigados.
Entre elas estão:
bloqueio de ativos financeiros de até R$ 750 mil,
sequestro de bens e
outras restrições patrimoniais.
Esse tipo de medida busca impedir que bens supostamente vinculados às atividades investigadas sejam transferidos ou ocultados enquanto o processo está em andamento.
A determinação não representa, por si só, confisco definitivo.
Trapiche começou em maio
A primeira fase da Operação Trapiche foi deflagrada em 12 de maio de 2026.
Na ocasião, foram expedidos 40 mandados de busca e apreensão e 20 de prisão preventiva, além de sete medidas de bloqueio e sequestro de patrimônio.
As investigações apontavam para uma organização criminosa com atuação principalmente na região central de João Pessoa.
O grupo era investigado por tráfico de drogas, associação para o tráfico, comércio ilegal de armas e lavagem de capitais.
Na primeira fase, também foram apreendidos armamentos, incluindo um fuzil calibre 5,56, munições e carregadores.
Quem participa da operação
A ação desta quarta-feira envolve diferentes órgãos de segurança.
Participam:
- Polícia Federal;
- Polícia Civil;
- Polícia Militar;
- Polícia Penal;
- Força Integrada de Combate ao Crime Organizado na Paraíba (FICCO/PB);
- Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público da Paraíba.
A FICCO funciona como uma força-tarefa formada por instituições estaduais e federais, sob coordenação da Polícia Federal.
Na Paraíba, também participam da estrutura a Secretaria Nacional de Políticas Penais, a Secretaria de Segurança e da Defesa Social e a Secretaria de Administração Penitenciária.
Ação integra operação nacional
A segunda fase da Trapiche ocorre dentro da Operação Força Integrada IV, mobilização nacional coordenada pela Polícia Federal.
Nesta quarta-feira, forças integradas atuam em 19 estados e no Distrito Federal.
O balanço nacional aponta mais de uma centena de prisões, além de mandados de busca, apreensões e medidas patrimoniais que, somadas, ultrapassam R$ 500 milhões.
Cada estado, entretanto, executa investigações próprias contra diferentes organizações criminosas.
Outra operação também cumpre mandados na Paraíba nesta quarta
Além da Trapiche, uma segunda investigação interestadual realiza diligências na Paraíba nesta quarta-feira.
A Operação Muro de Gesso, conduzida pela FICCO do Acre, cumpre mandados em João Pessoa e Cabedelo, além de cidades do Acre, Minas Gerais e Rondônia.
Apesar de acontecer no mesmo dia, a Muro de Gesso é uma investigação diferente da Operação Trapiche.
Muro de Gesso investiga tráfico interestadual
A investigação do Acre apura a atuação de um grupo suspeito de tráfico interestadual de drogas e lavagem de dinheiro.
Segundo as investigações, um dos principais alvos seria uma liderança de facção criminosa com atuação no Acre que teria passado a viver na Paraíba utilizando identidade falsa.
Ao longo da investigação que antecedeu a operação, foram apreendidos aproximadamente 396 quilos de cocaína.
Nesta quarta-feira, a Muro de Gesso cumpre:
- 14 mandados de busca e apreensão;
- 5 mandados de prisão preventiva.
A Justiça também determinou o sequestro de bens e o bloqueio de contas bancárias em até R$ 8 milhões.
São duas operações distintas
A realização simultânea pode gerar confusão, mas as operações possuem investigações, processos e alvos diferentes.
Operação Trapiche — 2ª fase
- investigação conduzida na Paraíba;
- foco em organização com atuação em João Pessoa;
- 17 buscas;
- 13 prisões preventivas;
- bloqueio de até R$ 750 mil.
Operação Muro de Gesso
- investigação conduzida pela FICCO do Acre;
- ações em quatro estados;
- mandados em João Pessoa e Cabedelo;
- 14 buscas;
- 5 prisões preventivas;
- bloqueio de até R$ 8 milhões.
As duas fazem parte do esforço integrado de enfrentamento a organizações criminosas.
Os investigados não devem ser considerados culpados antes de eventual condenação definitiva.


