Cantor, compositor, saxofonista, radialista e um dos grandes cronistas da canção brasileira contemporânea, Maurício Pereira é o convidado desta semana do Vozes da Vez. Numa conversa bonita, elegante e sincera, o artista revisita sua trajetória e apresenta o novo álbum, “O Dia da Girafa”, primeiro trabalho de inéditas em oito anos. O Vozes da Vez vai ao ar todo sábado, às 8h, em toda rede Novabrasil.
São mais de quatro décadas de uma carreira construída com liberdade, curiosidade e permanente disposição para experimentar. Maurício surgiu na cena paulistana dos anos 1980 ao lado de André Abujamra, com quem formou “Os Mulheres Negras”, dupla que desafiou formatos, misturou gêneros e se tornou uma das experiências mais originais da música independente brasileira.
Na carreira solo, iniciada nos anos 1990, Maurício consolidou uma escrita muito particular. Suas canções observam a cidade, os encontros, os desencontros e as pequenas situações da vida cotidiana. Há sempre humor, estranhamento, delicadeza e uma poesia que não precisa aumentar o tom para alcançar profundidade.
Esse olhar ganha novas camadas em “O Dia da Girafa”. O álbum nasceu de textos, fragmentos e anotações produzidos durante a pandemia, quando o confinamento alterou não apenas a rotina, mas também a maneira como o compositor observava o mundo. Se antes Maurício costumava voltar o olhar para as ruas e seus personagens, desta vez boa parte do movimento acontece dentro da própria cabeça.

Nas 12 faixas do disco, pensamentos, relações, lembranças e paisagens imaginadas se transformam em música. É um trabalho mais introspectivo, mas não fechado: mesmo quando mergulha em questões íntimas, Maurício continua procurando o que há de universal nas experiências aparentemente mais simples. Como ele afirma durante a entrevista: “Eu busco o sagrado nas pequenas coisas.”
“O Dia da Girafa” também promove um encontro entre diferentes gerações da música brasileira. O álbum reúne músicos mais jovens, parceiros de longa data e participações que ajudam a renovar a sonoridade do compositor sem apagar sua
identidade. Entre os colaboradores estão seus filhos, Tim Bernardes e Chico Bernardes, com quem Maurício divide não apenas os laços familiares, mas também a criação musical.
Chico participa da coprodução e da mixagem do disco, além de tocar violões e colaborar nas composições. Tim também aparece como parceiro, instrumentista e responsável por arranjos. A presença dos dois dá ao projeto um caráter ainda mais artesanal e afetivo, revelando uma família na qual a música circula como linguagem, memória, troca e descoberta.
Ao longo do programa, Maurício fala sobre o processo de composição, a relação com os filhos, o trabalho independente e as transformações que atravessaram sua forma de criar. Também reflete sobre o tempo, a maturidade e a possibilidade de continuar se surpreendendo com o próprio ofício depois de tantos anos de estrada.
Sem abrir mão da inquietação que sempre marcou sua obra, Maurício Pereira mostra que ainda há muito a investigar dentro de uma canção — e que aquilo que parece pequeno, quando observado com atenção, pode carregar um mundo inteiro.
Uma conversa sobre música, família, criação e a beleza escondida nas coisas mais cotidianas. Dê o play e confira a entrevista completa com Maurício Pereira no Vozes da Vez.


