Crianças com alergia ao leite terão novo protocolo de atendimento na rede de João Pessoa

Documento padroniza diagnóstico e acompanhamento e estabelece limites mensais para fornecimento de fórmulas especiais a crianças de até 24 meses.

Carlos Rocha
Carlos Rocha
Nascido em 1988, em Guarulhos (SP), Carlos Rocha é filho de paraibanos e vive em João Pessoa desde o início dos anos 2000. Graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Paraibana, ingressou posteriormente no curso de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).Atua no jornalismo digital desde 2013, com passagens por importantes veículos de comunicação da Paraíba. Na TH+ SBT Tambaú, trabalhou nas áreas de Marketing, Reportagem e Produção de Conteúdo Multimídia.Sua atuação é voltada principalmente para política, cidades e temas de interesse público, sempre com foco na apuração rigorosa e na produção de conteúdo de qualidade. Além do jornalismo, é apaixonado por leitura, cinema, séries e cultura pop.

Crianças com Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) atendidas pela rede municipal de João Pessoa passam a contar com regras padronizadas para diagnóstico, acompanhamento e acesso às fórmulas alimentares especiais.

O novo protocolo clínico publicado no Diário Oficial estabelece o fluxo que deve ser seguido pelos serviços de saúde e alcança principalmente crianças de até 24 meses com suspeita ou diagnóstico confirmado de APLV, além de mães que amamentam e precisam de acompanhamento nutricional por causa da condição do bebê.

Entre as medidas estão critérios para encaminhamento ao atendimento especializado, avaliação nutricional, prescrição das fórmulas e realização de exames utilizados para confirmar o diagnóstico ou avaliar se a criança desenvolveu tolerância ao leite.

Atendimento especializado fica no Hospital do Valentina

O Hospital Municipal do Valentina é definido como referência para o acompanhamento especializado dos pacientes inseridos no protocolo.

A unidade já abriga desde fevereiro o Ambulatório APLV, criado para atender crianças encaminhadas pela rede. O fluxo divulgado pela Prefeitura naquela ocasião previa que pacientes com sintomas sugestivos procurassem inicialmente a Unidade de Saúde da Família (USF) de referência, responsável pelos encaminhamentos necessários.

O novo documento detalha que o ambulatório deve contar com equipe formada por profissionais como pediatra, gastroenterologista pediátrico, nutricionista, assistente social e psicólogo, além de apoio técnico-administrativo.

A Prefeitura já informava em fevereiro que o atendimento no ambulatório ocorreria mediante agendamento e com acompanhamento multiprofissional.

Crianças a partir de 18 meses terão acompanhamento especializado

O protocolo determina acompanhamento especializado obrigatório a partir dos 18 meses para as crianças inseridas no fluxo.

A medida é especialmente relevante porque a APLV pode desaparecer com o crescimento em parte dos pacientes, tornando necessária a reavaliação para verificar se a restrição alimentar e o uso de fórmulas continuam indicados.

No início do funcionamento do ambulatório, em fevereiro, a Secretaria Municipal de Saúde havia informado que também reavaliaria crianças que já tinham ultrapassado os dois anos e continuavam necessitando de acompanhamento.

Fórmulas especiais terão limite mensal

O protocolo também estabelece critérios para a dispensação de fórmulas alimentares especiais pela rede municipal.

Para recebê-las, a criança deverá ter diagnóstico confirmado, passar por avaliação nutricional e ter a fórmula prescrita pelo serviço de referência.

O documento estabelece os seguintes limites máximos mensais considerando embalagens de 400 gramas:

0 a 3 meses: até 9 latas
3 a 6 meses: até 10 latas
6 a 9 meses: até 8 latas
9 a 24 meses: até 6 latas

Esses quantitativos não significam que todas as crianças receberão automaticamente o limite máximo. A quantidade poderá ser ajustada conforme peso, idade, evolução clínica, necessidade nutricional e apresentação comercial do produto.

João Pessoa já realizava aquisição pública de fórmulas específicas para tratamento de APLV antes da publicação do novo protocolo. Registros de compras municipais incluem fórmulas extensamente hidrolisadas destinadas a crianças com alergia às proteínas do leite de vaca e da soja.

Teste de provocação deverá ser feito em hospital

Outro ponto definido pelo protocolo é o Teste de Provocação Oral (TPO), procedimento utilizado em determinadas situações para confirmar o diagnóstico ou avaliar se a criança passou a tolerar novamente o alimento.

Pelas novas regras municipais, o teste deverá ser realizado exclusivamente em ambiente hospitalar, com equipe treinada e estrutura para atendimento de emergência caso ocorra uma reação alérgica.

A realização do teste dependerá de indicação clínica. O protocolo não orienta que pais ou responsáveis façam reintrodução do leite por conta própria quando houver indicação de avaliação especializada.

O que muda para as famílias

Na prática, a publicação organiza em um único protocolo o caminho que a criança deve percorrer dentro da rede municipal.

O atendimento começa na atenção básica, passa pela avaliação especializada quando indicada e pode resultar no acompanhamento pelo Ambulatório APLV, incluindo avaliação nutricional e eventual fornecimento de fórmulas.

O objetivo é evitar que a entrega do insumo aconteça de forma isolada do acompanhamento médico e nutricional.

O Hospital Municipal do Valentina funciona como referência pediátrica da rede municipal e está localizado no bairro Valentina de Figueiredo.

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