Botafogo-PB chega aos 95 anos entre títulos, Almeidão lotado e mais uma luta pelo acesso

Fundado em 28 de setembro de 1931, o Alvinegro da Estrela Vermelha chega à data meses depois de conquistar o Campeonato Paraibano de 2026 e em plena fase decisiva da Série C

Carlos Rocha
Carlos Rocha
Nascido em 1988, em Guarulhos (SP), Carlos Rocha é filho de paraibanos e vive em João Pessoa desde o início dos anos 2000. Graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Paraibana, ingressou posteriormente no curso de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).Atua no jornalismo digital desde 2013, com passagens por importantes veículos de comunicação da Paraíba. Na TH+ SBT Tambaú, trabalhou nas áreas de Marketing, Reportagem e Produção de Conteúdo Multimídia.Sua atuação é voltada principalmente para política, cidades e temas de interesse público, sempre com foco na apuração rigorosa e na produção de conteúdo de qualidade. Além do jornalismo, é apaixonado por leitura, cinema, séries e cultura pop.
Torcida do Botafogo-PB no Almeidão – Foto: Cristiano Santos/Botafogo-PB

De um grupo de jovens que jogava futebol pelos terrenos de João Pessoa a um clube campeão brasileiro e dono de uma das maiores torcidas da Paraíba. O Botafogo-PB completa 95 anos nesta segunda-feira (28) carregando uma história que atravessou diferentes gerações da capital paraibana e chega ao aniversário novamente envolvido na disputa por um lugar na Série B do Campeonato Brasileiro.

Fundado em 28 de setembro de 1931, o Alvinegro da Estrela Vermelha chega à data meses depois de conquistar o Campeonato Paraibano de 2026 e em plena fase decisiva da Série C. O clube terminou a primeira fase da competição nacional na liderança, mas encontrou dificuldades no quadrangular do acesso, que ainda ocupa o calendário botafoguense neste aniversário.

[ATUALIZAÇÃO PARA PUBLICAÇÃO: inserir aqui o resultado de Botafogo-PB x Maringá, disputado no sábado (26), e informar a situação do Belo no quadrangular após a quarta rodada.]

A combinação entre passado e presente ajuda a resumir boa parte da trajetória do Belo. Aos 95 anos, o Botafogo continua perseguindo um objetivo que se tornou recorrente nas últimas temporadas: retornar à Série B, divisão nacional que o clube não disputa desde 1989.

Uma casa, alguns estudantes e um novo clube em João Pessoa

A história começou em uma João Pessoa muito diferente da atual.

A capital havia recebido esse nome apenas no ano anterior, após deixar de se chamar Parahyba. Foi nesse ambiente que um grupo de adolescentes e jovens que costumava jogar futebol começou a discutir a formação de uma equipe própria.

Em 28 de setembro de 1931, eles se reuniram em uma casa de número 45 da antiga Rua Borges da Fonseca, via que hoje integra a Avenida Dom Pedro II, próximo à Rua 13 de Maio.

Daquele encontro surgiu o Botafogo Futebol Clube.

Beraldo de Oliveira foi escolhido como primeiro presidente. A diretoria inicial tinha ainda Manoel Feitosa, conhecido como Nezinho, como vice-presidente; Livonete Pessoa e José de Melo nas secretarias; Edson de Moura Machado na tesouraria; e Enock Lins como orador.

O primeiro amistoso terminou com vitória por 1 a 0 sobre o Triunfo, no Campo do América. Pouco depois, o novo clube começou a disputar torneios locais e ampliar sua presença no futebol da cidade.

Botafogo nem sempre foi escrito assim

Até o próprio nome carrega uma história menos óbvia do que parece.

Pesquisas em jornais da época mostram que os primeiros registros apresentavam a grafia “Bota-Fogo”, com hífen. Uma das interpretações históricas associa a escolha a funcionários do jornal A União envolvidos em uma greve naquele período.

Nesse relato, a expressão teria o sentido literal de “botar fogo”, de provocar e protestar, e não simplesmente reproduzir o nome do Botafogo do Rio de Janeiro.

A aproximação visual com o clube carioca viria posteriormente, com a adoção das cores alvinegras e de elementos semelhantes no escudo.

Décadas depois, porém, o time paraibano já havia construído uma identidade própria.

E de onde veio o “Belo”?

O apelido que hoje praticamente substitui o próprio nome do clube entre torcedores teria surgido por volta de 1957.

Segundo relato do historiador e conselheiro Raimundo Nóbrega, o então presidente Antônio de Abreu e Lima teria se empolgado durante uma partida e comemorado uma jogada dizendo que aquilo era uma “coisa bela”.

Pessoas próximas começaram a repetir “Belo, Belo, Belo”, e o grito acabou incorporado pela torcida.

Nascia uma das marcas mais reconhecidas do futebol paraibano.

Primeiro estadual veio em 1936

O crescimento esportivo foi rápido.

Depois de integrar competições suburbanas e se filiar à Liga Desportiva Paraibana, o Botafogo terminou como vice-campeão estadual em 1935.

No ano seguinte, conquistou pela primeira vez o Campeonato Paraibano. O título de 1936 abriu uma sequência: o Belo voltou a vencer em 1937 e 1938, formando seu primeiro tricampeonato estadual.

Nove décadas depois, o clube permanece no topo da lista de conquistas estaduais.

Em março deste ano, o Botafogo empatou em 0 a 0 com o Sousa no Almeidão depois de vencer o primeiro jogo da final por 2 a 1 e conquistou o Campeonato Paraibano de 2026. Para a Federação Paraibana de Futebol, foi a 31ª taça estadual do Belo.

O clube, entretanto, contabiliza 32. A divergência envolve o campeonato de 2002: a FPF reconhece o Atlético de Cajazeiras como campeão, enquanto o Botafogo considera que uma decisão posterior relacionada à utilização irregular de jogador modificaria o resultado daquela edição.

O Almeidão virou parte dessa história

Inaugurado em 1975, o Estádio José Américo de Almeida Filho, o Almeidão, tornou-se palco de algumas das noites e tardes mais importantes da trajetória alvinegra.

Foi ali que diferentes gerações acompanharam títulos estaduais, partidas nacionais, acessos e eliminações.

Também foi no estádio que o Botafogo recebeu alguns dos grandes clubes e personagens do futebol brasileiro.

Um desses episódios aconteceu ainda em 1969, antes mesmo da inauguração do atual Almeidão, quando o Belo enfrentou o Santos de Pelé em João Pessoa. A passagem do Rei do Futebol pela capital paraibana tornou-se objeto de uma controvérsia histórica sobre a contagem de seus gols.

Outra página veio em 6 de março de 1980.

Naquele dia, o Botafogo entrou no Maracanã diante de um Flamengo que reunia nomes como Zico, Júnior, Adílio e Andrade e venceu por 2 a 1.

Na rodada seguinte, derrotou também por 2 a 1 o Internacional, então tricampeão brasileiro, no Almeidão. A sequência ajudou aquela geração a ganhar a fama de “matadora de tricampeões”.

2013 mudou a história do Belo

Nenhum ano, entretanto, ocupa tanto espaço na memória recente do Botafogo-PB quanto 2013.

A temporada começou com uma missão: encerrar um jejum de dez anos sem conquistar o Campeonato Paraibano.

O Belo conseguiu. Na final, derrotou o Treze por 3 a 0 no Amigão, em Campina Grande, e voltou a levantar a taça estadual.

Mas o que viria depois transformaria aquela equipe em uma das mais lembradas da história do clube.

Na Série D do Campeonato Brasileiro, o Botafogo avançou pela fase de grupos e eliminou Central, Tiradentes e Salgueiro no mata-mata.

A classificação contra o Tiradentes, nas quartas de final, também garantiu o acesso à Série C.

Restava a disputa pelo título.

O dia em que o Almeidão viu o Belo campeão brasileiro

A final colocou Botafogo-PB e Juventude frente a frente.

No primeiro jogo, em Porto Alegre, o time gaúcho venceu por 2 a 1.

A decisão ficou para 3 de novembro de 2013, em João Pessoa.

Diante de quase 20 mil pagantes no Almeidão, Mário Larramendi abriu o placar de cabeça no primeiro tempo. Já nos acréscimos da segunda etapa, Rafael Aidar marcou o segundo.

Botafogo-PB 2 x 0 Juventude.

O clube conquistava a Série D e se tornava o primeiro time paraibano a levantar um título brasileiro homologado pela CBF.

A estrela dourada que passou a aparecer acima do escudo do Belo representa justamente aquela conquista.

Desde então, o Botafogo permanece na Série C.

Noventa e cinco anos depois, acesso continua no horizonte

A temporada do aniversário começou com a volta do clube ao topo do futebol estadual.

O título do Campeonato Paraibano encerrou um período de seis anos sem conquistar a competição.

Na Série C, o time viveu momentos distintos.

Depois de atravessar uma sequência de seis derrotas, reagiu e estabeleceu sua maior invencibilidade na história da competição: foram 11 partidas sem perder até o encerramento da primeira fase.

A vitória por 2 a 0 sobre o Itabaiana, fora de casa, garantiu ao Belo a liderança da etapa classificatória, com 33 pontos.

O rendimento caiu justamente no quadrangular que decide o acesso. O Botafogo perdeu as três primeiras partidas dessa fase e chegou ao confronto deste sábado (26) contra o Maringá ainda em busca de uma reação.

[ATUALIZAR ESTE PARÁGRAFO APÓS A RODADA DE SÁBADO, informando resultado, pontuação e situação matemática na disputa pelo acesso.]

Independentemente do cenário que o clube encontre ao completar 95 anos, a Série B continua sendo uma fronteira histórica para o Botafogo. A última participação ocorreu em 1989.

Entre a pequena casa onde Beraldo de Oliveira e os amigos fundaram um time em 1931, as arquibancadas do Almeidão e a estrela conquistada em 2013, passaram-se nove décadas e meia.

O Botafogo que nasceu das peladas de jovens pessoenses chega aos 95 anos ainda ocupando um lugar que ultrapassa as quatro linhas: o de uma das instituições esportivas que acompanharam a transformação de João Pessoa ao longo de quase um século.

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