A herança do samba-jazz e a bossa negra: de Moacir Santos a Johnny Alf

Novabrasil
Novabrasil
Somos uma emissora que privilegia a MPB como alicerce de nossa programação, creditando ao estilo musical sua devida importância como um dos maiores patrimônios brasileiros. Nos colocamos como uma solução multiplataforma que foca em conteúdo para engajar a audiência e aproximá-las de maneira relevante e pertinente das marcas. A Novabrasil faz parte do Grupo Thathi, conglomerado de comunicação que conta com o Portal TH+, além de emissoras de rádio e televisão em mais de 400 cidades de várias regiões do país.

Quando se fala em bossa nova, é comum que a história comece no fim dos anos 1950, com violão, voz suave e apartamentos da Zona Sul carioca. Essa imagem registra uma parte importante do movimento, mas deixa outras trajetórias fora do quadro. Entre elas está a de Johnny Alf, pianista, cantor e compositor negro que já aproximava samba, jazz e música erudita no início daquela década. Seu piano, sua maneira de cantar e suas harmonias ajudaram a abrir caminhos que mais tarde seriam reconhecidos como características da bossa nova.

Alf trabalhava com uma ideia de canção que pedia atenção aos detalhes. A melodia podia parecer simples à primeira escuta, enquanto os acordes criavam novas cores ao redor dela. O ritmo do samba permanecia presente, às vezes de forma discreta, como um balanço que atravessava o piano e a voz. Essa liberdade para combinar referências revela um artista que não esperou o nascimento de um movimento para encontrar sua linguagem.

Moacir Santos percorreu outra trilha, igualmente decisiva. Compositor, saxofonista e arranjador pernambucano, construiu uma obra em que a escrita para instrumentos de sopro dialoga com ritmos nordestinos e afro-brasileiros. Em Coisas, lançado em 1965, suas composições mostram como uma formação instrumental elaborada pode conservar a força da pulsação popular. Mais tarde, seus discos gravados nos Estados Unidos ampliaram esse diálogo com o jazz.

Johnny Alf | Imagem: Reprodução.

A contribuição de ambos ajuda a ouvir o samba-jazz e a bossa nova de outra maneira. A modernidade dessas músicas nasceu também da experiência de instrumentistas, compositores e arranjadores negros que circulavam por diferentes espaços: o rádio, os conjuntos de baile, as casas de espetáculo, os estúdios e as orquestras. Nessas trocas, o conhecimento musical se transmitia tanto pela partitura quanto pela escuta, pelo improviso e pela convivência.

Reconhecer essas presenças muda mais do que uma lista de nomes. Muda a pergunta que fazemos ao ouvir uma canção. Quem criou o arranjo? De onde veio aquela maneira de tocar? Que músicos construíram a sonoridade antes de ela receber um nome e alcançar grande público? A narrativa de um gênero costuma privilegiar seus intérpretes mais conhecidos, mas o som também carrega o trabalho de quem compôs, acompanhou, ensinou e experimentou.

Johnny Alf e Moacir Santos não precisam caber numa mesma escola para que suas histórias se encontrem. Cada um criou um universo próprio. O encontro está na liberdade com que trataram a tradição brasileira e na marca que deixaram para músicos de gerações seguintes. Ao recolocar suas obras em destaque, percebemos que a música negra esteve no centro da invenção de muitas das sonoridades pelas quais o Brasil ficou conhecido.

COMPARTILHAR:

Participe do grupo e receba as principais notícias de Campinas e região na palma da sua mão.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.

NOTÍCIAS RELACIONADAS