Em 2026, a construção civil brasileira se vê diante de um cenário que une oportunidades e desafios. De um lado, o setor visualiza oportunidades de expansão, promovidas pelo crédito habitacional, por investimentos em infraestrutura e pelo aumento dos recursos destinados à habitação. De outro, empresas continuam enfrentando os juros elevados, a pressão de custos e à carga tributária, além de dificuldade para encontrar mão de obra qualificada.
Em comparação a 2025, a construção civil no Brasil teve alta de quase 2,9% só no primeiro trimestre, de acordo com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Um dos indicativos desse aumento se dá pelos créditos habitacionais, além das facilidades encontradas nas contratações do Minha Casa, Minha Vida.
Mas construir ficou mais caro no Brasil. Dados atualizados do IBGE mostram que o Índice Nacional da Construção Civil (SINAPI) acumulou alta no primeiro período de 2026. E um dos principais componentes desse aumento foi o preço da mão de obra, que subiu 9,59% em 12 meses, enquanto os materiais subiram 5,54%.
E é nesse cenário que construtoras de diferentes portes tentam equilibrar escala, custos e acesso do consumidor ao financiamento. Estratégias para enfrentar um mercado mais competitivo são essenciais, e um exemplo desse movimento vem do interior de São Paulo.
Mais de 1 milhão de metros quadrados construídos
Com origem em Guararapes, localizada a cerca de 25 km de Araçatuba, a LRG Construtora atua no mercado residencial desde 2008 e vem ampliando sua presença em outros estados. Segundo dados divulgados pela própria empresa, a companhia já chegou a mais de 50 cidades em seis estados e ultrapassou a marca de 1 milhão de metros quadrados construídos, além de ter alcançado mais de 40 mil pessoas por meio de seus empreendimentos.
A trajetória que começou de forma regional se transformou, ao longo dos anos, em expansão nacional para estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás e Paraná, o que totaliza mais de 5 mil entregas de imóveis. A LRG também faz parte do Ranking INTEC, levantamento que classifica as maiores construtoras brasileiras de acordo com a metragem construída, pelo sexto ano seguido.
Financiamento
No ramo da construção civil, as facilidades de financiamento são um dos principais fatores para a realização da compra. Por isso, qualquer mudança nas condições de crédito e nos programas habitacionais tem impacto direto sobre as vendas e lançamentos.
A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) aponta justamente o aumento dos recursos para habitação financiados pelo FGTS, juntamente com o programa Minha Casa, Minha Vida, como fatores importantes para o desempenho do setor.
De acordo com o Diretor Financeiro da LRG, Roberto Grosso, “nesse segmento, o desafio não é apenas construir mais. É construir a um preço compatível com a capacidade de pagamento das famílias, sem comprometer a viabilidade econômica dos empreendimentos.”
Crescimento
Já Wesley Meira, Diretor Comercial, observa que “o crescimento do mercado imobiliário está para além das grandes capitais, visto que empresas com atuação regional têm ampliado seus territórios e aumentado oportunidades de crescimento com a diversificação do seu mix de produtos.”
A expansão da LRG ilustra esse movimento. A partir de sua sede em Guararapes, a empresa passou a atuar em diferentes cidades e estados que influenciaram seu crescimento. Entre elas estão: São José do Rio Preto, Jales, Dracena, Santo Anastácio, Presidente Prudente, Santa Fé do Sul, Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo.
Guilherme Grosso, Diretor de Negócios, diz que “esse processo mostra como o mercado imobiliário brasileiro não está restrito às capitais. Cidades pequenas e polos regionais também vêm atraindo novos empreendimentos, especialmente onde existe uma demanda por moradia e disponibilidade de terrenos.”
No caso da LRG, a expansão de uma empresa que nasceu no interior paulista para uma operação presente em diferentes estados ajuda a ilustrar essa transformação. Mais do que a história isolada de uma construtora, o movimento revela uma característica do mercado brasileiro atual, como observa seu diretor de Operações, Fernando Grosso: “A construção civil continua sendo uma das engrenagens importantes da economia e da geração de empregos, mas isso exige cada vez mais planejamento, produtividade e capacidade de oferecer imóveis que caibam no orçamento das famílias.”



