Uma mãe procurou a Polícia Civil de Turiúba (SP) para denunciar supostos maus-tratos, tortura e violência psicológica contra sua filha de quatro anos. A criança, matriculada em uma escola municipal, possui Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno Opositor Desafiador (TOD). O caso foi registrado como crime de tortura (artigo 1º da Lei 9.455/97) e segue sob investigação pela Polícia Civil.
Segundo o relato da mãe, a criança sofreu maus-tratos em razão de sua condição neurodivergente. A menina frequentava regularmente as aulas, mas passou a apresentar mudanças de comportamento, incluindo resistência em frequentar a escola, agressividade defensiva e sinais de sofrimento emocional.
A mãe afirmou que começou a desconfiar de possíveis problemas após ouvir da filha relatos envolvendo uma professora que teria apertado sua mão com força excessiva e buscou esclarecimentos na direção da escola, relatando suspeita de maus-tratos contra a menina.
Gravador
Segundo o boletim de ocorrência, a direção teria informado que as câmeras de monitoramento da escola não estavam funcionando. Diante da situação, a mãe decidiu colocar um gravador na mochila da criança para tentar identificar o que estaria ocorrendo no ambiente escolar.
Os áudios, conforme o registro policial, teriam registrados conversas preocupantes. Em uma delas, há uma suposta orientação da diretora para que funcionários apertassem o braço da criança sem deixar marcas aparentes, justificando que “era assim que deveriam ser tratadas crianças doentes”.
Em outro trecho, a professora confessa ter aberto os braços da criança com força e ordena que outra professora a retire de perto para “não perder o réu primário”. O relato da mãe à Polícia também menciona supostas falas depreciativas e discriminatórias direcionadas à criança, om o uso de palavrões e ofensas, chamando-a de “cadela”.
Terrores noturnos
A mãe relatou ainda que a criança passou a sofrer de terrores noturnos, choro durante o sono e regressão em seu processo terapêutico. Ela contou aos policiais que os sintomas desapareciam coincidentemente durante períodos de recesso ou afastamento da escola.
A Polícia Civil registrou o boletim de ocorrência como crime de tortura, e o caso foi encaminhado para investigação.
A reportagem procurou a Prefeitura de Turiúba para comentar o caso e possíveis providências, mas não obteve retorno até o momento.



