O funkeiro MC Ryan SP deixou a Penitenciária II de Mirandópolis (SP) na tarde desta quinta-feira (14), após decisão da Justiça Federal que concedeu habeas corpus e determinou sua soltura. O cantor estava preso na unidade prisional desde o dia 30 de abril. Ele é investigado na Operação Narco Fluxo, que apura um esquema bilionário de lavagem de dinheiro ligado a apostas ilegais, rifas clandestinas e tráfico internacional de drogas.
A decisão foi assinada na quarta-feira (13) pela desembargadora Louise Filgueiras, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3). A magistrada entendeu que a prisão preventiva não podia ser mantida sem elementos suficientes para o oferecimento de denúncia pelo Ministério Público Federal.
MC Ryan saiu do presídio às 14h10, vestindo calça bege, camisa branca de mangas compridas e tênis branco. Familiares e amigos o aguardavam do lado de fora, celebrando a liberdade. Sua esposa, Giovanna Roque, foi a primeira a abraçar o funkeiro, que deixou o local escoltado por uma equipe de seguranças e policiais armados, ao lado do advogado.

Declarações do funkeiro
Ao deixar a prisão, MC Ryan SP fez declarações à imprensa sobre seu desejo de retomar a vida normal. “Só quero cuidar da minha família agora e ficar em paz. MC não é bandido, MC não é faccionado”, afirmou o cantor. Disse que está com muita saudade da filha e que aproveitou o tempo na penitenciária para compor muitas músicas. Uma delas reflete sua experiência na prisão:
“Saudade da família no peito arregaça, não sei aonde eu tô, mas tô longe de casa, sofri muita agonia, ansiedade ataca…não recebo visita, muito menos carta. Mas se Deus me abençoar e o juiz assinar o papel, mas se a vitória mudar e a tranca se abrir pro réu, enquanto o alvará não canta eu tô rabiscando o papel e pedindo proteção pra Deus que tá no céu…O bonde canta, coração sofre, meus companheiros me deixam forte, dentro da tranca, longe da morte. Essa é a rotina de um primário na prisão de Mirandópolis.”
Medidas cautelares
Apesar da soltura, MC Ryan SP deverá cumprir medidas cautelares determinadas pela Justiça, entre elas comparecimento mensal em juízo, comunicação de eventual mudança de endereço, proibição de deixar o país sem autorização judicial e entrega do passaporte.
Decisão
Na decisão pela soltura do MC, a desembargadora afirmou que a prisão preventiva não poderia ser mantida sem elementos suficientes para denúncia. Conforme o despacho, até o momento nenhum dos investigados foi formalmente denunciado, e a Polícia Federal solicitou mais 90 dias para concluir diligências e perícias.
“É incongruente entender que não há provas para a formação da opinio delicti e manter a prisão preventiva”, escreveu a magistrada.
O documento também destaca que a prisão cautelar não pode ser usada como instrumento para facilitar investigações e que não havia demonstração concreta de que o cantor pudesse interferir na produção de provas. Os equipamentos eletrônicos e materiais considerados relevantes já haviam sido apreendidos pela Polícia Federal.
Operação Narco Fluxo
A Operação Narco Fluxo foi deflagrada em 15 de abril pela Polícia Federal e apura um esquema bilionário de lavagem de dinheiro. Segundo a investigação, o grupo teria movimentado mais de R$ 1,6 bilhão por meio de empresas de fachada, contas de passagem, criptomoedas e remessas ao exterior.
Empresas ligadas ao setor musical e de entretenimento teriam sido usadas para misturar receitas lícitas com recursos provenientes de apostas ilegais e rifas digitais. No inquérito, MC Ryan SP é apontado como suposto “beneficiário final” da estrutura investigada.
A operação nasceu de provas reunidas durante investigações anteriores, a Narco Bet (outubro de 2025) e a Narco Vela (abril de 2025), que já apuravam lavagem de dinheiro ligada a apostas e tráfico internacional de drogas.
No total, 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão foram cumpridos em oito estados e no Distrito Federal. A investigação segue em andamento, e a Polícia Federal não descartou novas fases da operação.



