A Unidade Municipal de Ensino (UME) Dom Pedro I, na Vila Natal, registrou 6,6 no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2025. O resultado ultrapassa a meta de 6,3.
O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) combina indicadores de fluxo escolar e desempenho dos estudantes. O resultado foi divulgado este mês pelo Ministério da Educação e mostrou que a unidade ultrapassou a meta de 6,3, além de registrar o aumento de um ponto em relação ao índice de 2025, que foi de 5,6. Para a Seduc, “embora a diferença de um ponto possa parecer pequena à primeira vista, o resultado ganha relevância quando considerado que a evolução do Ideb costuma ocorrer em décimos. Além disso, a nota alcançada pela unidade ficou acima da média nacional, que, segundo dados divulgados pelo Ministério da Educação (MEC), foi de 6 nos anos iniciais do ensino fundamental”, complementa a secretária.
Na UME Dom Pedro I, entretanto, o objetivo nunca foi alcançar um determinado número. “Nós tínhamos muito mais do que uma meta. Tínhamos o sonho de nos tornarmos uma referência, com foco na qualidade do ensino, na motivação de cada aluno e de cada profissional que trabalha aqui. O resultado do Ideb veio como uma consequência de todo esse trabalho. Isso mostra que estamos no caminho certo”, comemoram a diretora Denize Queiroz Jorge e a coordenadora pedagógica Magali Aparecida Pereira.
A mudança para o período integral ocorreu em 2023 na UME Dom Pedro. A proposta já vinha sendo estudada pela equipe gestora, que conhece profundamente a escola e o território onde ela está inserida. A escola tem 360 alunos, do primeiro ao quinto ano. E, à noite, atende o Ensino de Jovens e Adultos (EJA). A ampliação da jornada respondia a uma demanda concreta da comunidade. “Muitas famílias, especialmente mães solo, precisam trabalhar durante todo o dia e necessitam de um espaço seguro e acolhedor para seus filhos. Mas atender a essa necessidade significa ir além de prolongar o horário escolar”, frisa Denize.
Antes de implantar o ensino integral, as gestoras chegaram a visitar uma escola da rede municipal na periferia de São Paulo para conhecer uma experiência que pudesse inspirar a construção do projeto em Cubatão. A intenção, entretanto, nunca foi reproduzir um modelo pronto, mas observar possibilidades e adaptá-las à realidade da Dom Pedro I. Portanto, a implantação do período integral já foi pensada com uma dinâmica diferente, fora do padrão, reorganizando toda a lógica da jornada. Língua portuguesa, história e geografia são trabalhadas pela manhã. À tarde, matemática e ciências. No projeto político-pedagógico (PPP), a distribuição foi pensada para equilibrar a rotina e garantir que os componentes com maior carga horária não ficassem concentrados em um mesmo período.
A organização também contempla a descentralização de alguns componentes curriculares, com professores dedicados a áreas específicas de aprendizagem. Em língua portuguesa, por exemplo, três professoras atuam de forma especializada: uma com interpretação de texto, outra com fluência leitora e outra com produção textual. “A ideia é que o estudante não tenha apenas mais aulas dessa disciplina, mas experiências pedagógicas distintas, planejadas para desenvolver competências específicas de leitura, compreensão e escrita”, reforça a direção da escola.
Já as atividades extras foram pensadas também de maneira estratégica, sempre atendendo aos requisitos da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), mas também levando em consideração a necessidade local. “Não queríamos apenas inserir atividades extracurriculares de maneira aleatória ou previsível”, explica a diretora. Artes e educação física estão presentes nos dois períodos, com propostas diferentes para cada turno. Eles também têm aulas de inglês e de dança.
Há ainda o projeto Vivências, organizado a partir de eixos temáticos que aproximam o conteúdo escolar de questões culturais, científicas, sociais e de cidadania: formação do povo brasileiro; espaço e meio ambiente; responsabilidade social; história de Cubatão e as transformações pelas quais a cidade passou. A proposta é fazer com que o aluno compreenda o mundo em que vive e também o lugar que ocupa nele, especialmente no território em que mora. Por isso, eles também têm aulas de literatura, meio ambiente, educação antirracista, por exemplo. A educação especial também integra essa perspectiva: os estudantes que necessitam de atendimento específico permanecem incluídos nas salas regulares e contam ainda com atendimento individualizado, de acordo com suas necessidades.
A Unidade conta ainda com o projeto Escola Parceira, com cursos de danças brasileiras, papel machê e educomunicação. Até mesmo os momentos de pausa fazem parte do planejamento. Os alunos têm ao menos cinco refeições balanceadas por dia, além de intervalos e tempo destinado às brincadeiras.
Outro diferencial da escola são as salas temáticas. Os estudantes circulam por diferentes ambientes, como as salas de artes, de educação antirracista, de leitura, entre outras. Cada espaço é organizado para favorecer uma experiência específica de aprendizagem. Na sala de leitura, por exemplo, o ambiente foi pensado para aproximar as crianças dos livros. Entre almofadas, objetos decorativos e livros cuidadosamente organizados na estante, ali são promovidas rodas de leitura e momentos semanais de escolha de obras. O trabalho é acompanhado por uma professora dedicada exclusivamente às atividades relacionadas à leitura.
Em 2027, a unidade educacional também deverá contar com uma sala de informática, ampliando as possibilidades pedagógicas oferecidas aos estudantes. A escola procura manter uma relação de proximidade com o entorno. As reuniões com as famílias, por exemplo, não se limitam à apresentação de notas e resultados. “São realizadas reuniões formativas, nas quais cada encontro aborda um tema relacionado à formação e ao cotidiano das crianças, como alimentação saudável, uso de telas e qualidade do sono”, explicou Magali.




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