Armas que abasteciam Comando Vermelho eram fabricadas na região

Polícia do Rio realiza a maior apreensão de fuzis da história em favelas, 91 armas encontradas em operação no Complexo do Alemão; investigação revela fábricas clandestinas em SP e MG que abasteciam o Comando Vermelho

Foto: reprodução | Polícia Federal

No mês de agosto de 2025, A Polícia do Rio de Janeiro realizou a maior apreensão de fuzis em uma única operação em favelas, foram ao menos 91 armas. Estes armamentos, encontrados na megaoperação contra o Comando Vermelho (CV) no Complexo do Alemão, são de calibres capazes de perfurar coletes à prova de balas ou até mesmo paredes. Muitos desses fuzis chegam ao Brasil via fronteira com o Paraguai ou pela Amazônia.

No entanto, a investigação revelou uma nova fonte de arsenal: um esquema de fábricas clandestinas em Minas Gerais e em São Paulo, que alimenta o arsenal do Comando Vermelho. Imagens inéditas obtidas pelo Fantástico mostram como funcionava essa complexa rede.

Pelo menos uma vez por mês, segundo a PF, Rafael Xavier do Nascimento transportava fuzis de São Paulo para o Complexo do Alemão, comunidades da Zona Norte do Rio e áreas de milícias. Ele foi preso em flagrante com 13 fuzis na Via Dutra.

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A investigação da Delegacia de Repressão a Drogas da Polícia Federal também encontrou no telefone de Rafael uma série de mensagens trocadas com o destinatário das armas de guerra

As armas eram produzidas em Santa Bárbara d’Oeste, no interior paulista. A fábrica utilizava pelo menos 11 equipamentos industriais de precisão, como tornos e fresadores. No local, a PF apreendeu cerca de 150 fuzis prontos, além de mais de 30 mil peças. A linha de montagem tem capacidade para fabricar até 3.500 fuzis por ano. Nas imagens reveladas pela PF, também aparece Anderson Custódio Gomes, do núcleo operacional da quadrilha. Ele e um comparsa foram presos em flagrante transportando peças suficientes para a produção de 80 fuzis. Tinham saído da fábrica e iam para o depósito da quadrilha, na cidade de Americana, também em São Paulo.

A fachada do crime era o CNPJ de uma fábrica de peças aeronáuticas. A propriedade é do piloto de avião Gabriel Carvalho Belchior. Em 2015, ele foi notícia quando a aeronave que pilotava caiu no mar da Praia do Leblon, no Rio.

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