Dia do Feirante: Conheça a história da Banca de Pastel da Dona Amélia

25/08 carrega um significado e uma comemoração muito especial no Brasil: é o Dia do Feirante; conheça a história do pastel da Dona Amélia

Samuel Silva
Samuel Silva
Jornalista em formação, apaixonado por esportes e audiovisual. Redator no Portal TH, Tudo Sobre Paulista e Coordenador de Mídias na Taça das Favelas Campinas!@silvasamuuel nas redes sociais!

Nos fins de semana pela manhã ou, em dias úteis, à noite, ir à feira comer um pastel sempre fez parte da rotina do brasileiro. O lado que muitas vezes não aparece para os clientes, ou chamados fregueses, é o da dedicação que os feirantes para estar na banca de terça à domingo sem falhar.

Por isso, hoje você vai conhecer uma das histórias mais ricas da feira campineira: a da Banca de Pastel da Dona Amélia.

Não existe feira sem banca de pastel

Mesmo após as transformações que a feira passou ao longo dos anos, uma tradição não se perdeu. Nos fins de semana pela manhã ou, em dias úteis, à noite, ir à feira comer um pastel sempre fez parte da rotina do brasileiro.

Em Campinas, nas feiras mais antigas e tradicionais, um nome sempre se destacou, e continua se destacando: a Banca de Pastel da Dona Amélia.

O lado que muitas vezes não aparece para os clientes, ou chamados fregueses, é o da dedicação que os feirantes para estar na banca de terça à domingo sem falhar. Feriado, fim de semana, não importa. Todo dia é dia de feira, faça chuva ou faça sol.

Rotina do Feirante

O trabalho começa bem antes do sol nascer. Para que tudo esteja pronto às 6h da manhã, o feirante precisa começar os trabalhos bem cedinho. A Solange Higa, gerente da Banca da Dona Amélia, conta como é a rotina da equipe que trabalha dentro da banca.

“A gente da banca, acorda umas quatro horas da manhã. Umas cinco horas já estamos na firma e fazemos a carga. Mas antes disso, tem a equipe que faz os pastéis um dia antes. Preparam a massa e o recheio por volta da meia-noite, para tudo ficar prontinho para a equipe que trabalha na banca ir lá, fazer a carga e vir para a feira.”

O dia a dia é cansativo, e a profissão é para quem realmente ama e vive da feira.

Porque essa geração não costuma ir à feira como antigamente?

Desde que a cultura do feirante foi estabelecida no país, muita coisa mudou. Para as gerações passadas, ir à feira logo cedo, comprar insumos para fazer as refeições, ou simplesmente para passear, era um hábito.

Após o desenvolvimento das cidades, com shoppings, mercados, e principalmente com a tecnologia de compas online, muitas pessoas perderam o costume de ir até o comércio e escolher os produtos.

Sérgio Nakazato, feirante há 48 anos e proprietário da banca, explica como precisou se modelar aos novos costumes após assumir o negócio da família.

“A gente tenta se adaptar a tudo. Tenta não, a gente tem que se adaptar. Então, eu acho que as feiras pararam no tempo. Agora que estão percebendo que precisam se adaptar, e eu acho que está acontecendo. As feiras já estão mudando, os próprios feirantes estão sentindo isso e estão melhorando.

As feiras noturnas vieram para acompanhar as mudanças geracionais, e conseguiram manter a tradição de ir à feira em família.

“Feira é muito tradicional, não vai acabar nunca.”, completou Sérgio.

Tradição não se compra: o legado se mantém vivo

A Banca de Pastel da Dona Amélia começou em 1978. Na época, uma outra família japonesa vendeu a banca para os pais de Sérgio, hoje proprietário.

O segredo para sobreviver às mudanças geracionais, para o proprietário, é manter a qualidade. Sérgio relata a dificuldade que ser feirante se tornou com os altos preços dos produtos e a redução da clientela.

Escolher manter a qualidade e um preço justo é, acima de tudo, manter o legado e a tradição construída pela mãe, hoje com 93 anos, e pelo pai já falecido.

Para os clientes ‘das antigas’, não existe nada melhor que comer um pastel da dona Amélia e recordar os bons momentos vividos. Segundo Renato Mesa, engenheiro e freguês da banca, se trata do melhor pastel de Campinas.

“Estamos falando aqui da Banca de Pastel da Dona Amélia, e eu reputo que é o melhor pastel da cidade de Campinas. Eu consumo o pastel deles desde que eu era criança, quando eu morava ali na Vila Teixeira, perto da Vila Industrial, onde a feira é tradicional. Eu conheço a Dona Amélia, e mantenho a tradição de vir e comer o pastel dela.”

Comemoração – 25 de agosto, Dia do Feirante

A celebração da data começou em 1914. O dia 25/08 foi escolhido por marcar a data da primeira feira livre que aconteceu no país, feita na cidade de São Paulo.

Apesar das mudanças desde o início da comemoração desta data, a cultura se mantém e mostra a paixão que estes profissionais tem pelo que fazem no dia a dia. A feira sobrevive às mudanças e mantém vivas histórias como as da Banca da Dona Amélia.

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