Dois homens foram presos por esquema de sorteio ilegal com prêmio de R$100 mil

A premiação falsa levava o nome de "VIDA SORTE", os sorteios eram realizados através de transmissões ao vivo pelas redes sociais

Giovanna Laranjo
Giovanna Laranjo
Formada em Jornalismo pela PUC-Campinas, atua na produção de conteúdo para mídias digitais, com experiência em televisão e apresentação. Voluntária na Copa do Mundo FIFA Qatar 2022, apaixonada por esportes, música e literatura.
Divulgação/Polícia Civil de Piracicaba

Dois homens foram presos em flagrante, no domingo (5), responsáveis por um esquema fraudulento de sorteio ilegal denominado “VIDA SORTE”, operado de forma clandestina na cidade de Piracicaba e comercializado nas cidades de Piracicaba, Limeira e municípios vizinhos.

Um homem de 60 anos foi apontado pelas investigações como organizador e administrador real do esquema e um de 65 anos figurava como titular nominal da empresa de fachada utilizada para a operação.

A operação policial aconteceu no bairro Vila Monteiro, em Piracicaba, exatamente no momento em que os suspeitos realizavam o sorteio ao vivo, com transmissão pelas redes sociais.

As investigações, realizadas pelo DEIC/DEINTER 9, tiveram início após uma denúncias anônimas sobre a venda irregular de cartelas de premiação na região.

Depois de mapear a estrutura do grupo e o fluxo financeiro foi constatado fraude na utilização de autorizações de terceiros.

Além dos dois organizadores presos, os policiais civis identificaram funcionários e técnicos de uma empresa de produção audiovisual contratada para realizar a transmissão em tempo real.

Como funcionava o esquema:

“VIDA SORTE” era apresentado ao público como um “certificado premiável”, vendido ao valor unitário de R$ 10,00 por cartela.

Segundo a polícia, o principal atrativo consistia na promessa de um prêmio maior de R$ 100 mil em dinheiro, além de três prêmios secundários de R$ 5 mil e 30 rodadas de “super giros” no valor de R$500 cada.

As cartelas eram comercializadas tanto presencialmente, por meio de revendedores, quanto por aplicativos de mensagens, com pagamentos processados por uma plataforma digital de intermediação financeira.

Com o objetivo de parecer legal, os suspeitos usavam o Certificado de Autorização SPA/ME n.o 01.045970/2025, documento que pertencia a uma entidade filantrópica do Estado do Pará, o Sol Nascente Futebol Clube, sediado em Tucuruí.

A entidade não possui qualquer relação com o crime ou ciência sobre o sorteio realizado.

A empresa dos investigados não tinha nenhuma autorização legal dos órgãos federais para a realização de sorteios comerciais.

Com a projeção de emissão de até 100.000 cartelas, a captação potencial de recursos da operação alcançaria cerca de um milhão de reais.

Como a premiação total anunciada somava era de R$ 115 mil, a diferença de R$ 885 mil permanecia sem qualquer destinação legítima ou tributação, indicando o crime de lavagem de dinheiro.

No local da ação foram apreendidos:

  • R$ 610 mil em espécie;
  • Três veículos de luxo: um Honda Civic, uma BMW 320i e uma Toyota Hilux;
  • Uma urna de sorteio personalizada com a marca “VIDA SORTE” com 60 bolinhas numeradas;
  • Caixa registradora utilizada para o controle financeiro das vendas das cartelas;
  • Equipamentos tecnológicos: computadores, notebooks, tablets e aparelhos celulares utilizados na gestão e na transmissão ao vivo do evento;
  • Documentos diversos, contratos, registros de vendas, planilhas e comprovantes financeiros;
  • Material gráfico e publicitário de divulgação do sorteio clandestino;
  • Uma máquina de contagem de cédulas.

As buscas foram feitas simultaneamente em quatro endereços nas cidades de Piracicaba e Limeira.

Os dois suspeitos foram encaminhados ao plantão policial e presos em flagrante pelos crimes de exploração de jogo ilegal, estelionato, uso de documento falso e lavagem de dinheiro.

As contas bancárias dos investigados foi bloqueadas, assim como o das empresas envolvidas e foi feito congelamento dos valores custodiados na plataforma digital de intermediação de pagamentos.

A polícia segue investigando o caso para identificar outras pessoas envolvidas no esquema e realizar o rastreamento completo do fluxo financeiro.

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