O que era casa, hoje é mato. O que era rotina, virou espera. Cerca de 15 famílias da Comunidade Santa Fé, que moravam no Parque São Quirino, em Campinas, vivem um drama há quatro anos. Elas tiveram que deixar o terreno onde viviam porque a Prefeitura identificou risco na área e necessidade de regularização. A promessa era que voltariam depois das obras. Até agora, nada.
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Em 2021, os moradores receberam uma notificação com prazo de 30 dias para sair. Muitos viviam no local há 15 anos. Para não ficarem na rua, passaram a receber um auxílio moradia de R$ 605 mensais. A ideia era que, após as obras de infraestrutura e contenção de risco, todos pudessem voltar para os lotes já regularizados.
Mas a espera já dura quatro anos. E o valor do auxílio, que antes ajudava, hoje está longe de ser suficiente. Segundo levantamento do FipeZap, o preço médio do aluguel em Campinas é de R$ 51 por metro quadrado, o 12º mais caro do país, à frente de capitais como Belo Horizonte e Curitiba. No ano passado, os aluguéis na cidade subiram quase 20%, bem acima da inflação.
Moradores ouvidos pela reportagem contaram que precisam tirar dinheiro do próprio bolso para complementar o aluguel, fora as despesas de água e luz. Uma das líderes da comunidade, Undina, afirmou que o auxílio de R$ 605 não custa nem um quarto pequeno na região. “A gente tem que tirar do próprio bolso”, disse.
Outros relatos são ainda mais preocupantes. Um morador contou que recebeu o auxílio por apenas seis meses e depois foi cortado. Há dois anos, ele paga o aluguel sozinho, com o próprio salário. “Pra mim não tá fácil”, desabafou.
A Prefeitura de Campinas informou, em nota, que a Comunidade Santa Fé é um núcleo urbano informal em fase de regularização. Disse que as famílias foram removidas para a implantação de obras de infraestrutura e contenção de risco. Atualmente, estão em andamento obras de contenção de taludes para viabilizar a instalação de redes de água, esgoto e energia elétrica. A Prefeitura afirmou também que projetos urbanísticos estão sendo elaborados e que, após a conclusão das obras, as famílias poderão retornar aos lotes já regularizados.
Enquanto isso, a espera continua. E o desejo de voltar para casa segue sendo a principal esperança dessas famílias.







