A madrasta condenada por torturar três crianças durante seis anos em Campinas foi presa. Aline Fonseca de Castilho, de 40 anos, foi capturada por policiais do 1º BAEP na Rodovia SP-340, em Mogi Mirim, quando seguia para aquela cidade. Ela estava morando em Campinas.
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Aline e o pai das crianças, Marcelo de Melo Dias, foram condenados em agosto de 2025 a 6 anos de prisão em regime fechado pelos crimes de tortura física e psicológica contra os três filhos dele, que na época tinham 5, 6 e 8 anos. As torturas ocorreram diariamente entre julho de 2017 e julho de 2021. A sentença foi proferida em dezembro de 2024.
Marcelo foi preso no dia 5 de fevereiro deste ano em Araruama, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, após ação integrada entre as polícias dos dois estados. Agora, com a prisão de Aline, os dois condenados estão atrás das grades.
O terror dentro de casa
De acordo com as investigações, as crianças eram agredidas fisicamente e sofriam tortura psicológica constante. Elas eram impedidas de ver a mãe biológica e, quando tentavam defendê-la, eram punidas com mais violência. O filho mais velho passou a gravar os episódios de tortura e enviar os vídeos à mãe, que denunciou ao Conselho Tutelar e à polícia.
Áudios obtidos pela reportagem revelam que Aline deixava os enteados com fome e os ameaçava quando eles demonstravam vontade de comer. Em um dos áudios, ela diz: “Cê vai ver o que vai acontecer com cê”.
Nas redes sociais, no entanto, Aline se apresentava como “mãe exemplar de uma criança autista”, referindo-se a uma das vítimas, diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA) grau 3 de suporte. Ela publicava imagens que simulavam uma família feliz, o que levou vizinhos e familiares a acreditar que as crianças viviam em um lar estruturado, dificultando as denúncias da mãe biológica.
Mãe fala pela primeira vez
A mãe das crianças, que perdeu o braço em um grave acidente de carro e ficou muito tempo internada, o que a impediu de retomar a guarda dos filhos, falou pela primeira vez à equipe da TH+ Record. Ela está com as crianças hoje e vive em local não revelado por medo de represálias, já que o pai das vítimas tem ligações com o crime.
Emocionada, ela descreveu os anos de sofrimento: “Eles passaram fome, eram agredidos, humilhados. Meu filho autista, que precisa de cuidados especiais, era o que mais sofria. Eu mandava áudios, vídeos, ninguém acreditava. Hoje, ver os dois presos é um alívio, mas a dor nunca vai passar.”
As crianças hoje têm 12, 13 e 15 anos e estão sob a guarda da mãe. O caso segue sendo acompanhado pela Justiça.







