Voepass voo 2283: Cenipa divulga relatório final sobre queda; veja as conclusões

Documento traz as conclusões da investigação sobre o acidente que matou 62 pessoas; familiares das vítimas terão acesso antecipado ao conteúdo.

Imagem: FAB

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) divulgou nesta quinta-feira (23) o relatório final sobre a queda do voo 2283 da Voepass, acidente que deixou 62 mortos. O documento apresenta as conclusões da investigação técnica conduzida pela Força Aérea Brasileira (FAB) e traz novos detalhes sobre o funcionamento da aeronave nos dias que antecederam a tragédia.

Antes da divulgação pública, os familiares das vítimas tiveram acesso ao conteúdo. A investigação do Cenipa tem caráter exclusivamente preventivo e busca identificar fatores que contribuíram para o acidente, sem atribuir responsabilidades civis ou criminais.

Entre os principais pontos apresentados pelo relatório está a confirmação de uma nova falha no sistema de degelo (de-icing) durante o último pouso realizado pela aeronave antes do voo que terminou em acidente.

De acordo com o Cenipa, o ATR 72 chegou ao Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP) apresentando o problema. No entanto, assim como havia ocorrido anteriormente, a falha não foi registrada no diário de bordo técnico (technical log book), documento utilizado para informar ocorrências que possam afetar a operação da aeronave.

Segundo o tenente-coronel Paulo Mendes Fróes, a aeronave também apresentou falha no sistema de degelo na véspera do acidente. Entretanto, a tripulação novamente deixou de registrar a ocorrência, impedindo que a informação fosse formalmente encaminhada para avaliação da manutenção.

Durante a apresentação do relatório, o tenente-coronel Paulo Mendes Fróes afirmou que pilotos que operam aeronaves ATR costumam menosprezar alertas de queda de velocidade, comportamento observado durante as investigações e considerado um aspecto relevante para compreender a dinâmica operacional desse tipo de avião.

Investigação busca prevenir novos acidentes

O Cenipa reforçou que sua missão não é apontar culpados, mas identificar fatores contribuintes e formular recomendações capazes de aumentar a segurança da aviação civil.

Nesse contexto, o relatório analisa aspectos relacionados à operação da aeronave, aos sistemas embarcados, às condições de voo, aos procedimentos adotados pela tripulação e aos processos de manutenção, com o objetivo de evitar que acidentes semelhantes voltem a ocorrer.

Polícia Federal mantém investigação criminal

Enquanto o Cenipa concluiu a investigação técnica, a Polícia Federal segue conduzindo um inquérito para apurar a existência de eventuais crimes relacionados ao acidente.

A previsão é de que a investigação policial seja finalizada em agosto e encaminhada ao Ministério Público Federal (MPF), responsável por avaliar a adoção de possíveis medidas na esfera criminal.

A apresentação do relatório final foi conduzida por representantes da investigação aeronáutica da Força Aérea Brasileira:

Paulo Mendes Fróes, tenente-coronel aviador da Força Aérea Brasileira;
Alexandre Avellar Leal, brigadeiro do ar e chefe do Cenipa;
Raphael Vargas Vilar, coronel aviador e atual chefe da Divisão de Investigação e Prevenção (DIP).

Durante a coletiva, as autoridades detalharam os principais pontos da investigação e responderam a questionamentos sobre os fatores identificados ao longo da apuração.

*A reportagem será atualizada ao longo desta quinta-feira (23), conforme novas informações forem divulgadas pelo Cenipa e pelas autoridades responsáveis pela investigação.

Relembre o caso

A aeronave da Voepass, de matrícula PTB 2283, saiu de Cascavel (PR) e seguia em direção à Guarulhos, em São Paulo (SP). A decolagem aconteceu às 11h58 e a chegada no destino final estava programada para às 13h50.

O avião caiu e explodiu em um condomínio no bairro Jardim Florido, em Vinhedo (SP), na tarde do dia 9 de agosto de 2024.

Ao todo, estvama na aeronave havia 62 pessoas, 57 passageiros e quatro tripulantes, ninguém sobreviveu.

Após o acidente, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) cassou o Certificado de Operador Aéreo (COA) da Passaredo Transportes Aéreos, principal empresa do grupo Voepass. A medida é definitiva e impede a companhia de realizar qualquer voo comercial de passageiros ou cargas no Brasil.

Segundo a agência, na épocoa, a cassação foi motivada por falhas graves e persistentes no sistema de supervisão de manutenção da empresa, detectadas durante uma “operação assistida” iniciada após o acidente aéreo de 2024. Mesmo advertida, a Voepass não corrigiu de forma efetiva as irregularidades, voltando a descumprir normas básicas de segurança.

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