RÁDIO AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO Ícone TV
RÁDIO AO VIVO Ícone Rádio

Após reclamações, MPPB cobra ajustes na Zona Azul em João Pessoa

Impactos da Zona Azul sobre servidores, trabalhadores do centro, idosos, pessoas com deficiência e cidadãos sem acesso digital foram destaque

Foto: Divulgação

O Ministério Público da Paraíba (MPPB) colocou em pauta, nessa segunda-feira (12), os impactos do sistema de estacionamento rotativo pago, a Zona Azul, sobre os cidadãos de João Pessoa. A audiência institucional integrou a Notícia de Fato nº 001.2025.078643,  instaurada para apurar o modelo jurídico, contratual e operacional do serviço adotado pelo município, diante das reclamações da população.

A reunião foi conduzida pela promotora de Justiça de Defesa do Meio Ambiente e Patrimônio Social, Cláudia Cabral Cavalcante, e contou com as presenças de representantes da Secretaria de Administração (Sead), Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana (Semob), Procuradoria-Geral do Município, concessionária responsável pelo serviço (Consórcio Sinalvida/REK Park) e da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), entre outros envolvidos com o assunto.

Os impactos da Zona Azul sobre servidores públicos, trabalhadores do centro da cidade, idosos, pessoas com deficiência e cidadãos sem acesso a meios digitais foram o foco principal da discussão. Durante o encontro, a Semob informou que avalia a criação de áreas de longa permanência e a adoção de regras específicas para esses públicos, mas admitiu que as medidas ainda dependem de regulamentação por meio de portaria e da realização de estudos técnicos complementares.

Já representantes da CDL destacaram que o sistema tem contribuído para a rotatividade de vagas e para a dinamização do comércio do centro, enquanto o MPPB ressaltou a necessidade de conciliar a eficiência urbana com justiça social, transparência e participação dos segmentos diretamente afetados.

Durante a audiência, foram apresentados esclarecimentos sobre a trajetória da Zona Azul em João Pessoa, desde tentativas anteriores de implantação até a atual concessão, firmada após procedimento licitatório concluído em 2025. O sistema, atualmente em funcionamento apenas no Centro da cidade, prevê a gestão de aproximadamente 5.688 vagas, além da obrigação contratual de construção de um edifício-garagem com 644 vagas nas proximidades do Mercado Central, no prazo de dois anos.

Também foram detalhadas as bases legais do serviço, a regulamentação vigente, a governança exercida pelo Município, especialmente pela Semob, e os limites da atuação da concessionária, que não detém poder de polícia, cabendo ao ente público a fiscalização e a aplicação de penalidades administrativas quando cabíveis.

Como resultado da reunião, o MPPB expediu solicitações formais à Semob, à Sead, bem como à concessionária responsável pelo serviço, estabelecendo prazo de 15 dias para resposta. O documento requer, entre outros pontos, a apresentação de estudos técnicos sobre o impacto social do sistema para servidores públicos e trabalhadores do centro; cronograma e critérios para a implantação de zonas de longa permanência; políticas específicas voltadas a idosos, pessoas com deficiência e à população sem acesso digital; além de dados consolidados sobre arrecadação, ocupação das vagas e ações de fiscalização.

Também foram solicitados estudos de impacto climático e medidas para redução da pegada de carbono associada ao sistema, bem como um cronograma detalhado para a construção do edifício-garagem previsto em contrato.

O procedimento seguirá em acompanhamento pelo Ministério Público, podendo resultar, conforme o caso, na expedição de Recomendação Ministerial ou na celebração de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para adequações necessárias. Segundo a promotora Cláudia Cabral, a atuação do órgão busca assegurar equilíbrio entre gestão urbana eficiente e proteção dos direitos coletivos

“O Ministério Público não é contra a organização do espaço urbano nem contra instrumentos de gestão do trânsito. O nosso papel é garantir que políticas públicas como a Zona Azul sejam implementadas com transparência, base legal sólida e sensibilidade social, ouvindo quem é diretamente impactado e corrigindo distorções. A cidade precisa funcionar melhor, mas sempre com respeito ao interesse público, à inclusão social e ao direito de ir e vir da população”, afirmou a promotora.

COMPARTILHAR:

Participe do grupo e receba as principais notícias de Campinas e região na palma da sua mão.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.

NOTÍCIAS RELACIONADAS