Ato inter-religioso no MPF marca cumprimento de acordo após caso envolvendo padre paraibano e família Gil

O acordo foi celebrado após o sacerdote ser acusado de fazer declarações consideradas ofensivas a religiões de matriz africana ao comentar a morte da cantora Preta Gil

Carlos Rocha
Carlos Rocha
Nascido em 1988, em Guarulhos (SP), Carlos Rocha é filho de paraibanos e vive em João Pessoa desde o início dos anos 2000. Graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Paraibana, ingressou posteriormente no curso de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).Atua no jornalismo digital desde 2013, com passagens por importantes veículos de comunicação da Paraíba. Na TH+ SBT Tambaú, trabalhou nas áreas de Marketing, Reportagem e Produção de Conteúdo Multimídia.Sua atuação é voltada principalmente para política, cidades e temas de interesse público, sempre com foco na apuração rigorosa e na produção de conteúdo de qualidade. Além do jornalismo, é apaixonado por leitura, cinema, séries e cultura pop.

A sede do Ministério Público Federal (MPF) em João Pessoa foi palco, nesta sexta-feira (6), de um ato inter-religioso realizado como parte das medidas previstas em um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) firmado com o padre Danilo César de Sousa Bezerra. O acordo foi celebrado após o sacerdote ser acusado de fazer declarações consideradas ofensivas a religiões de matriz africana ao comentar a morte da cantora Preta Gil.

O evento contou com a presença do cantor Gilberto Gil, pai da artista, que destacou o momento como um gesto de reparação simbólica. Em sua fala, ele afirmou que a iniciativa representa o reconhecimento de uma agressão e de uma injustiça que atingiu não apenas a família, mas também amigos e pessoas próximas. Gil também manifestou a expectativa de que o gesto contribua para mais compreensão e menos intolerância.

A esposa do cantor, Flora Gil, também se pronunciou durante a cerimônia. Ela reforçou os agradecimentos pela realização do ato e ressaltou que a intolerância religiosa é um problema que dificulta a convivência social, desejando paz, saúde e respeito entre diferentes crenças.

O acordo firmado entre o MPF e o padre prevê que ele não responda criminalmente por intolerância religiosa, desde que cumpra as condições estabelecidas, entre elas a participação no ato inter-religioso. A iniciativa, segundo o órgão, busca promover o diálogo e reforçar a importância do respeito à diversidade religiosa.

Origem do caso

A controvérsia teve início durante uma celebração religiosa, quando o padre Danilo César fez comentários questionando orações feitas por Gilberto Gil aos orixás pela saúde da filha. As declarações repercutiram negativamente e foram interpretadas como desrespeitosas, levando o MPF e a família Gil a notificarem o sacerdote.

Como desdobramento, as partes optaram pela formalização do ANPP, mecanismo previsto na legislação para evitar a abertura de processo criminal, desde que haja o cumprimento de medidas reparatórias. O ato realizado nesta sexta-feira integra esse conjunto de compromissos assumidos no acordo.

O MPF informou que a ação tem como objetivo estimular a convivência entre diferentes tradições religiosas e prevenir novos episódios de intolerância, reforçando o papel institucional na defesa dos direitos fundamentais e do respeito às crenças.

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