O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, afirmou que o governo federal intensifica a presença nos territórios para ampliar o acesso da população a políticas públicas, durante entrevista concedida nesta quinta-feira (23), na Rádio Novabrasil João Pessoa.
Boulos participou de programa de rádio e destacou que a agenda na capital paraibana inclui a realização do evento Governo do Brasil na Rua, no bairro Mangabeira. Segundo ele, a iniciativa leva serviços diretamente à população e reduz barreiras de acesso. “Em vez das pessoas terem que correr atrás do programa, nós estamos levando os programas e as políticas do governo para os territórios”, afirmou. O ministro explicou que a ação reúne serviços de diferentes áreas e ocorre em bairros com histórico de menor acesso a políticas públicas. “Justamente pegando esses bairros mais populares, esses bairros que historicamente sofreram com descaso, historicamente sofreram a falta de políticas públicas”, disse.
Durante a entrevista, Boulos também abordou a trajetória pessoal e a atuação em movimentos sociais. Ele relatou que cresceu em São Paulo, mesmo sem enfrentar dificuldades financeiras, mas se incomodou com a desigualdade social. “Você via o pessoal morando na rua, foi uma coisa que nunca me desceu”, afirmou. Ele acrescentou que decidiu atuar em causas sociais ainda jovem. “Eu fui me juntar para apoiar esses movimentos, quem lutava por casa”.
O ministro afirmou que a experiência influenciou a entrada na política. “A gente não precisa sentir fome para se indignar com quem passa fome num país tão rico”, declarou. Ele também criticou práticas políticas que, segundo ele, afastam a população. “Na política tem muita coisa ruim, gente que aparece só em tempo de eleição”. Boulos analisou o cenário político atual e apontou forte polarização no país. Ele comparou o comportamento político ao de torcidas de futebol. “A luta política virou igual time de futebol”, disse. Segundo ele, a dinâmica dificulta o debate público. “Quando a posição política vira torcida organizada, você perde o bom senso”.
O ministro também comentou o impacto das redes sociais na formação de opinião. Ele destacou o volume de informações como um fator que dificulta a identificação de conteúdos verdadeiros. “Chega tanta informação que a pessoa não sabe mais em que acreditar”, afirmou. Durante a entrevista, Boulos defendeu ações do governo federal e citou indicadores econômicos e sociais. “O Lula pode estar melhorando a tua vida, mas o cara que já decidiu não vai reconhecer”, disse. Ele afirmou que o governo aposta na comparação de resultados e trajetórias para ampliar o diálogo com a população.
O ministro também tratou da regulamentação do trabalho por aplicativos e apontou dificuldades na tramitação no Congresso Nacional. Ele relatou que o governo ouviu trabalhadores e elaborou propostas, mas não houve acordo na fase final. “A regulamentação só tem que servir se for para defender trabalhador”, afirmou. Boulos criticou a divisão de ganhos nas plataformas digitais. “A Uber pega de cada corrida 30%, 40%, às vezes 50%. É muito injusto”, disse. Ele também destacou a rotina intensa dos trabalhadores. “Ele trabalha 7×0 muitas vezes”, afirmou.
Ao comentar a agenda em João Pessoa, o ministro reforçou que a ação no bairro Mangabeira representa a estratégia do governo de aproximar serviços da população. Ele citou atendimentos nas áreas de saúde, assistência social, crédito e documentação. “Quem quiser aparecer lá é só chegar, não precisa agendar”, afirmou. Boulos destacou que a iniciativa reúne programas de diversos ministérios e instituições públicas. “Nós conseguimos juntar os programas de onze ministérios”, disse. Ele também ressaltou a presença de serviços do INSS, com realização de perícias no local.



