Associação alerta para déficit de médicos-legistas na Paraíba e diz que sobrecarga já provoca atrasos em laudos periciais

De acordo com a associação, a Paraíba conta atualmente com apenas 74 médicos-legistas em atividade.

Carlos Rocha
Carlos Rocha
Nascido em 1988, em Guarulhos (SP), Carlos Rocha é filho de paraibanos e vive em João Pessoa desde o início dos anos 2000. Graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Paraibana, ingressou posteriormente no curso de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).Atua no jornalismo digital desde 2013, com passagens por importantes veículos de comunicação da Paraíba. Na TH+ SBT Tambaú, trabalhou nas áreas de Marketing, Reportagem e Produção de Conteúdo Multimídia.Sua atuação é voltada principalmente para política, cidades e temas de interesse público, sempre com foco na apuração rigorosa e na produção de conteúdo de qualidade. Além do jornalismo, é apaixonado por leitura, cinema, séries e cultura pop.

A Associação dos Peritos Oficiais Médico-Legais da Paraíba (APML) alertou para o déficit de médicos-legistas no estado e afirmou que a sobrecarga enfrentada pelos profissionais já tem provocado atrasos na emissão de laudos periciais. Segundo a entidade, caso o cenário permaneça, o problema poderá comprometer ainda mais a produção de provas técnicas e até afetar a liberação de corpos pelo Instituto Médico Legal (IML).

De acordo com a associação, a Paraíba conta atualmente com apenas 74 médicos-legistas em atividade. A estimativa da APML é de que seriam necessários pelo menos 200 profissionais para atender à demanda de forma adequada e reduzir a sobrecarga das equipes.

Segundo a entidade, o déficit tem provocado um quadro de esgotamento mental entre os profissionais, além de evidenciar a necessidade de melhorias nas condições de trabalho e de revisão do adicional de insalubridade pago à categoria.

Em nota, o presidente da APML, Patrício Eduardo Abrantes Sarmento, afirmou que a atuação dos médicos-legistas exige formação médica e conhecimento técnico especializado, sendo fundamental para a elucidação de crimes, identificação da causa de mortes e garantia de direitos às vítimas.

“O médico-legista exerce atribuições que exigem formação médica e conhecimento técnico especializado, previstas em lei. Cada exame realizado pode ser decisivo para esclarecer um crime, identificar a causa de uma morte ou garantir direitos às vítimas. No entanto, trabalhar com um déficit tão grande adoece o profissional. Há um desgaste mental extremo e diário. Lidamos com a morte e a violência em condições estruturais que precisam melhorar, recebendo uma insalubridade que não reflete o risco e o peso real da nossa atividade”, afirmou.

Entre as atribuições dos médicos-legistas estão a realização de necropsias, exames de lesão corporal, perícias em vítimas de violência sexual, exames toxicológicos e outros procedimentos que servem como provas técnicas em investigações policiais e processos judiciais.

Ainda segundo o presidente da associação, a deficiência no quadro de profissionais impacta diretamente o funcionamento da perícia oficial e pode gerar reflexos em toda a cadeia do sistema de Justiça.

“A perícia é um dos pilares da investigação criminal. A demora na conclusão de um exame repercute negativamente em toda a cadeia da Justiça. Quando o médico-legista adoece pela sobrecarga, a sociedade inteira perde. Por isso, é fundamental e urgente que o Estado adeque o efetivo e garanta condições de trabalho para a entrega de um serviço eficiente e seguro”, concluiu Patrício Eduardo Abrantes Sarmento.

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