Os trabalhadores dos Correios na Paraíba decidiram encerrar a greve e retomar as atividades nesta sexta-feira (25), após duas semanas de paralisação no estado.
A decisão foi tomada em assembleia realizada na noite desta quinta-feira (24), segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos na Paraíba (Sintect-PB).
O encerramento ocorreu no mesmo dia em que o Tribunal Superior do Trabalho (TST) concluiu o julgamento do dissídio coletivo da categoria e determinou o retorno dos trabalhadores às atividades.
A paralisação havia começado na Paraíba em 11 de setembro, após assembleias realizadas em João Pessoa e Campina Grande.
TST considerou greve não abusiva
No julgamento desta quinta-feira, a Seção Especializada em Dissídios Coletivos do TST decidiu, por maioria, que a greve nacional dos trabalhadores dos Correios não foi abusiva.
A estatal havia pedido o reconhecimento da abusividade do movimento e alegado descumprimento de uma decisão anterior que determinava a manutenção de 80% do efetivo em áreas essenciais da operação.
O pedido não prevaleceu.
O Tribunal também manteve a data-base da categoria em 1º de agosto e definiu reajuste salarial de 4,09%, com reflexos em benefícios vinculados à correção.
Entre eles estão vale-refeição e alimentação, reembolso-creche, reembolso-babá, vale-transporte e auxílio destinado a empregados e dependentes com deficiência.
Dias parados serão compensados
Os dias de paralisação não deverão ser simplesmente descontados dos salários.
O TST autorizou a compensação por meio de mutirões de trabalho, inclusive aos fins de semana, com a finalidade de reduzir o volume de objetos e encomendas acumulados durante a greve.
A forma prática dessa compensação deverá ser organizada entre a empresa e as representações dos trabalhadores.
A decisão leva em consideração o passivo logístico formado durante o movimento e a necessidade de normalização das entregas.
Plano de saúde terá mudança
Outro ponto central da negociação foi a assistência à saúde dos trabalhadores.
Pela decisão do TST, os Correios deixarão de atuar como mantenedores exclusivos do atual modelo do plano de saúde.
A empresa deverá passar a oferecer um subsídio empresarial para o Benefício de Assistência à Saúde, conforme regulamentação específica.
Até que o novo modelo seja efetivamente implantado, continua valendo o Correios Saúde II.
O plano de saúde estava entre os principais pontos de divergência entre a estatal e as entidades sindicais durante as negociações.
Greve durou duas semanas na Paraíba
Na Paraíba, a categoria havia aprovado a paralisação após assembleias realizadas no dia 10 de setembro.
O movimento começou no dia seguinte.
Durante a greve, segundo o presidente do Sintect-PB, Tony Sérgio, parte dos serviços administrativos internos continuou funcionando, enquanto as atividades diretamente afetadas pela paralisação sofreram redução.
Entre as reivindicações apresentadas pela categoria estavam a recomposição salarial pelas perdas inflacionárias, manutenção de benefícios, condições do plano de saúde e críticas ao processo de reestruturação da empresa.
Entregas podem levar tempo para normalizar
Embora o retorno ao trabalho ocorra nesta sexta-feira, a normalização completa das entregas pode não ser imediata.
A própria decisão do TST prevê mutirões para enfrentar o volume de correspondências e encomendas represadas durante os dias de paralisação.
Usuários que aguardam objetos devem continuar acompanhando o rastreamento pelos canais oficiais dos Correios.
Até esta atualização, não havia sido divulgado um prazo específico para a normalização integral das entregas na Paraíba.
O que ficou decidido
Fim da greve na Paraíba: quinta-feira (24)
Retorno ao trabalho: sexta-feira (25)
Reajuste salarial: 4,09%
Data-base: 1º de agosto de 2026
Greve foi considerada abusiva? Não
Dias parados: deverão ser compensados
Plano de saúde: terá novo modelo; regras atuais continuam até a mudança


