Fiocruz conclui transferência de tecnologia para produzir remédio contra HIV usado pelo SUS

A fabricação nacional aguarda apenas a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para que os primeiros lotes possam ser fornecidos à rede pública.

Carlos Rocha
Carlos Rocha
Nascido em 1988, em Guarulhos (SP), Carlos Rocha é filho de paraibanos e vive em João Pessoa desde o início dos anos 2000. Graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Paraibana, ingressou posteriormente no curso de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).Atua no jornalismo digital desde 2013, com passagens por importantes veículos de comunicação da Paraíba. Na TH+ SBT Tambaú, trabalhou nas áreas de Marketing, Reportagem e Produção de Conteúdo Multimídia.Sua atuação é voltada principalmente para política, cidades e temas de interesse público, sempre com foco na apuração rigorosa e na produção de conteúdo de qualidade. Além do jornalismo, é apaixonado por leitura, cinema, séries e cultura pop.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) concluiu a transferência de tecnologia para produzir no Brasil o dolutegravir, um dos principais medicamentos utilizados no tratamento do HIV e distribuído gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A fabricação nacional aguarda apenas a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para que os primeiros lotes possam ser fornecidos à rede pública.

Atualmente, mais de 770 mil pessoas que vivem com HIV no país utilizam o medicamento. A produção será realizada pelo Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos), unidade da Fiocruz responsável pela fabricação de medicamentos estratégicos para o SUS.

A transferência de tecnologia foi iniciada em 2020, a partir de um acordo firmado entre a Fiocruz e a ViiV Healthcare, empresa responsável pelo desenvolvimento do medicamento em parceria com a biofarmacêutica GSK.

Desde então, Farmanguinhos realizou adaptações na estrutura industrial, adquiriu equipamentos e capacitou profissionais para incorporar as etapas de produção, controle de qualidade e validação técnica do medicamento.

Segundo a Fiocruz, três lotes do dolutegravir já foram fabricados e validados pelo instituto. A distribuição ao SUS depende da liberação regulatória da Anvisa.

O dolutegravir atua bloqueando a ação da enzima integrase, responsável por permitir a multiplicação do HIV dentro das células de defesa do organismo.

O tratamento reduz a carga viral a níveis considerados indetectáveis, ajuda na recuperação da imunidade e diminui o risco de evolução da infecção para a aids.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a recomendar o dolutegravir, em 2019, como uma das opções preferenciais para o tratamento inicial e de segunda linha contra o HIV, incluindo gestantes e pessoas com potencial para engravidar.

Além da produção do dolutegravir isolado, o acordo prevê uma etapa futura para a fabricação da combinação do medicamento com a lamivudina, outro antirretroviral também distribuído pelo SUS.

A expectativa é que essa versão combinada comece a ser produzida por Farmanguinhos a partir de 2027.

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