MPF denuncia professor por apresentar diplomas falsos na UFPB

O
professor Deyve Redyson Melo dos Santos, que dava aulas no curso de
ciências das religiões da Universidade Federal da Paraíba (UFPB),
foi denunciado pelo Ministério Público Federal da Paraíba (MPF-PB)
por suspeita
de ter falsificado os diplomas apresentados à instituição. As
acusações são de estelionato, falsidade ideológica e crimes
contra o patrimônio.

O
acusado trabalhava na UFPB havia dez anos e era tido pelos alunos
como um profissional dedicado e qualificado, segundo depoimentos
ouvidos pela reportagem. Procurada pela reportagem, a
advogada Kátia Farias, que responde pela defesa
de Deyve Redyson, não quis comentar a denúncia
apresentada (veja mais abaixo).

Os
diplomas e documentos apresentados à UFPB foram recolhidos pela
Polícia Federal durante mandado de busca realizado em fevereiro
deste ano. Ele está afastado das atividades da universidade desde
então. Se a Justiça aceitar a denúncia, o professor se torna réu
e passa a responder a processo judicial. Não há previsão para o
juiz decidir se aceita ou não a denúncia.

De
acordo com o MPF, a partir de janeiro de 2007, Redyson “prestou
falsas informações e apresentou documentos públicos fraudulentos à
UFPB, consistentes em títulos acadêmicos, a fim de tomar posse em
cargo de professor, obter progressão funcional, mudar de lotação e
ocupar cargo de coordenação”. A denúncia é assinada pelo
procurador da República Marcos Alexandre de Queiroga.

No
currículo profissional e acadêmico, disponível na plataforma
Lattes, Redyson aparece como doutor em filosofia e professor adjunto
da UFPB. O texto também afirma que ele é pesquisador na área de
pensamento oriental com ênfase em budismo, filosofia da religião e
ateísmo.

Também
aparece como autor de ao menos 24 livros, além de artigos sobre
esses temas. Sua obra mais recente é “Os Caminhos do Dharma no
Brasil: História e Desenvolvimento do Budismo no Brasil”,
publicado em 2016 pela editora CRV. A última atualização do
currículo foi feita em 19 de janeiro de 2017, antes de ele ser
afastado pela UFPB por suspeita de documentação falsa.

Orientadora
do mestrado inexistente, diz PF

A
reviravolta na vida de Redyson começou quando uma denúncia anônima
sobre os diplomas falsos chegou à Polícia Federal. Durante a
investigação da PF, duas outras instituições de ensino foram
procuradas e informaram que nunca tiveram um aluno com esse nome.

O
denunciado disse que sua dissertação de mestrado foi feita na
Universidade do Ceará e orientada pela professora Andréia Andrezza
Lopes Mattos. Segundo o MPF, além de o diploma de mestrado ser
falso, também não há nenhum registro (como CPF ou passaporte) que
dê conta da existência da suposta professora.

Ainda
de acordo com a denúncia, Redyson apresentou inicialmente diploma de
doutorado obtido em Copenhague, na Dinamarca. Posteriormente, ele
apresentou outro diploma de doutor em filosofia pela Universidade de
Oslo, na Noruega, contradizendo o primeiro. A denúncia do MPF também
afirma que o denunciado, no tempo em que ficou na UFPB, obteve
progressão funcional considerada a “extensa produção
acadêmica”.

Em
março de 2014, Redyson “foi escolhido para coordenar o programa
de pós-graduação em ciências das religiões da UFPB”. Uma
nova progressão funcional foi obtida por Redyson em abril de 2015,
dessa vez para o nível 3 da universidade –considerado um cargo de
adjunto.

Primeiro
passaporte é de 2015

Redyson
apresentou um diploma de doutorado defendido na Dinamarca no ano de
2006, que teria sido validado pela Unicamp (Universidade Estadual de
Campinas). Contudo, a PF descobriu que, além de a história ter sido
desmentida pelos registros da Unicamp, Redyson tirou o primeiro
passaporte em abril de 2015, “não havendo qualquer registro,
portanto, de sua saída do país no ano de 2006 ou anteriores, quando
supostamente teria cursado e defendido o doutorado”.

Nem
mesmo os contatos que ele disse ter feito com um professor da
Universidade de Oslo são verdadeiros, segundo apurou a investigação.

Ao
apresentar a denúncia, o procurador destacou que, “como se pode
facilmente constatar, o denunciado não possuía minimamente os
títulos para ocupar o cargo de professor universitário, muito menos
coordenar a pós-graduação em ciências das religiões, tendo sob
sua coordenação, portanto, diversos professores doutores”.

No Portal
da Transparência
,
que registra os pagamentos dos servidores públicos, Redyson
aparece como professor do magistério superior classe 6, de dedicação
exclusiva.

Outro
lado

Procurada
pela reportagem, a advogada Kátia Farias, que responde pela defesa
de Deyve Redyson, disse que ele vai se pronunciar somente nos autos.
Ela não quis comentar nada mais a respeito da denúncia apresentada.

Durante
as apurações da PF, no dia 31 de março, Redyson foi chamado a
depor, mas preferiu ficar calado –direito previsto na Constituição.

Por
meio de sua assessoria de imprensa, a UFPB afirmou que não vai se
pronunciar sobre o assunto, que o professor continua afastado e que a
instituição vai aguardar a decisão transitado em julgado (quando
não há mais possibilidade de entrar com recurso).

Em
abril, a instituição havia informado que Redyson estava suspenso e
sem vencimentos, situação que ficaria mantida até o final do
processo.

Por Uol

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