Um professor ajudou a retirar cerca de 1.600 estudantes de uma área de risco durante uma enxurrada no Nepal, após perceber que a força da água poderia atingir a escola onde trabalhava. A ação ocorreu na Escola Secundária Tribhuvan Trishuli, em uma região próxima à fronteira do Nepal com a China.
O diretor da instituição, Rajendra Dawadi, recebeu primeiro um telefonema informando que uma vila próxima havia sido atingida pela água. Pouco depois, um familiar alertou que a enxurrada poderia chegar à escola.
Naquele momento, cerca de 900 estudantes estavam na instituição, enquanto outros aproximadamente 700 ainda estavam a caminho, alguns em ônibus escolares e outros a pé.
Dawadi entrou em contato com os motoristas dos ônibus e pediu que alterassem as rotas para evitar a área de risco.
Quando conseguiu falar com o último motorista, a água já se aproximava da escola. O professor então orientou os estudantes que estavam no local a seguirem para uma região mais alta.
“Uma menina teve um ataque de pânico, então a coloquei na parte de trás de uma moto. Mandei as outras crianças subirem a colina a pé”, relatou Dawadi.
A retirada rápida evitou que os estudantes permanecessem na área atingida pela enxurrada. O episódio fez com que o professor fosse reconhecido como herói pela comunidade.
Professora morreu durante a enxurrada
Apesar da evacuação, uma professora de História, de 32 anos, não conseguiu escapar da correnteza.
Segundo as informações divulgadas, ela havia chegado mais cedo à escola para dar aulas extras e acabou sendo arrastada pela força da água.
Tragédia mobiliza equipes de resgate
A enxurrada atingiu a região na quarta-feira e desencadeou uma operação de emergência para localizar vítimas e retirar pessoas das áreas afetadas.
Até o momento informado, os números apontavam 797 mortos e 3.048 desaparecidos nos dois territórios atingidos. Também havia 239 feridos registrados.
As equipes de resgate haviam conseguido retirar 8.730 pessoas das áreas afetadas.
No quinto dia de operações, mais de 19,8 mil integrantes do Exército e das forças policiais participavam dos trabalhos de emergência.
As equipes também procuravam trabalhadores que ficaram presos em usinas hidrelétricas. A estimativa era de que cerca de mil pessoas estivessem nessa situação.
Os números ainda podem sofrer alterações devido às dificuldades de comunicação e às condições enfrentadas pelas equipes de resgate.


