Fernanda Benvenutty e Zabé da Loca estão entre homenageadas em exposição que termina nesta segunda (28)

A entrada é gratuita e, segundo as informações divulgadas pelo órgão, não há exigência de inscrição antecipada.

Carlos Rocha
Carlos Rocha
Nascido em 1988, em Guarulhos (SP), Carlos Rocha é filho de paraibanos e vive em João Pessoa desde o início dos anos 2000. Graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Paraibana, ingressou posteriormente no curso de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).Atua no jornalismo digital desde 2013, com passagens por importantes veículos de comunicação da Paraíba. Na TH+ SBT Tambaú, trabalhou nas áreas de Marketing, Reportagem e Produção de Conteúdo Multimídia.Sua atuação é voltada principalmente para política, cidades e temas de interesse público, sempre com foco na apuração rigorosa e na produção de conteúdo de qualidade. Além do jornalismo, é apaixonado por leitura, cinema, séries e cultura pop.

Quem ainda não visitou a exposição “Mulheres Invisibilizadas” tem até esta segunda-feira (28) para conhecer gratuitamente a mostra em João Pessoa. A segunda edição do projeto reúne as trajetórias de 30 brasileiras que participaram da história do país em áreas como cultura, ciência, política e defesa de direitos, mas cujas histórias permaneceram menos conhecidas do grande público.

A visitação ocorre das 9h às 17h, na sede do Ministério Público Federal (MPF) na Paraíba, localizada na Avenida Epitácio Pessoa, nº 1800. A entrada é gratuita e, segundo as informações divulgadas pelo órgão, não há exigência de inscrição antecipada.

Entre as mulheres apresentadas estão duas personagens com forte ligação com a Paraíba: Fernanda Benvenutty, nascida em Remígio e que se tornou referência na luta pelos direitos de travestis e pessoas trans, e Isabel Marques da Silva, a Zabé da Loca, pifeira cuja trajetória artística e pessoal ficou marcada por sua vida em Monteiro, no Cariri paraibano.

30 histórias brasileiras

Esta é a segunda edição nacional de “Mulheres Invisibilizadas”. A mostra foi lançada em agosto, em Brasília, pela Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), órgão do Ministério Público Federal, e posteriormente chegou a João Pessoa.

Os painéis apresentam mulheres negras, indígenas, quilombolas, trabalhadoras, intelectuais, artistas e ativistas de diferentes períodos da história brasileira.

A seleção inclui nomes como Clementina de Jesus, Enedina Alves Marques, Ivone Lara, Mãe Stella de Oxóssi, Maria Firmina dos Reis, Nísia Floresta, Patrícia Galvão, a Pagu, e Tuíre Kayapó, além das representantes relacionadas à Paraíba.

A proposta é recuperar trajetórias que tiveram participação em transformações sociais, culturais e políticas do país, mas que receberam reconhecimento público menor do que sua atuação histórica.

Quem foi Fernanda Benvenutty

Nascida em Remígio, no Agreste paraibano, Fernanda Benvenutty foi técnica de enfermagem, servidora pública e ativista pelos direitos da população LGBTQIA+.

Ela participou da organização do movimento de travestis e transexuais na Paraíba, teve atuação nacional na defesa do uso do nome social e integrou espaços de participação na área da saúde. O MPF a aponta como pioneira na defesa dos direitos de pessoas travestis e transexuais no Brasil.

Sua trajetória também deixou marcas na vida cultural de João Pessoa. Fernanda teve atuação no Carnaval e seu nome passou a identificar homenagens relacionadas à promoção de direitos e cidadania na capital paraibana.

Zabé da Loca e o pífano do Cariri

A outra homenageada ligada ao estado é Isabel Marques da Silva, a Zabé da Loca.

Nascida em Pernambuco, ela se estabeleceu ainda jovem na região de Monteiro e construiu na Paraíba praticamente toda a trajetória que a transformaria em uma das referências da cultura popular do Cariri.

O apelido veio de um período marcante de sua vida: após perder a casa, Zabé passou aproximadamente 25 anos com a família em uma loca de pedra na Serra do Tungão, zona rural de Monteiro.

Pifeira e compositora, teve reconhecimento nacional sobretudo a partir da velhice. Gravou discos, participou de apresentações pelo Brasil e dividiu eventos com artistas como Hermeto Pascoal. Zabé morreu em 2017, aos 93 anos, e continua sendo homenageada em Monteiro por meio de um festival de cultura popular que leva seu nome.

Dá para visitar pela internet

Quem não puder comparecer presencialmente ainda poderá conhecer a exposição pela internet.

O MPF mantém uma versão virtual da segunda edição, permitindo o acesso aos textos e trajetórias das mulheres homenageadas mesmo após o encerramento da visitação física em João Pessoa.

Serviço

Exposição: Mulheres Invisibilizadas – 2ª edição
Último dia: segunda-feira, 28 de setembro
Horário: 9h às 17h
Local: sede do Ministério Público Federal na Paraíba
Endereço: Avenida Epitácio Pessoa, nº 1800, João Pessoa
Entrada: gratuita

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