Falsa médica é solta pela Justiça e vai responder em liberdade por procedimentos estéticos em João Pessoa

Mulher de 36 anos foi presa após denúncias de complicações; cerca de 10 vítimas já foram ouvidas pela Polícia Civil

Kaliane Vitoria
Kaliane Vitoria
Estudante de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), é apaixonada por comunicação e pelo futebol. Atualmente, é estagiária no portal Th+ SBT, onde atua na produção de conteúdos jornalísticos. Busca reunir informação, credibilidade e criatividade em todas as suas reportagens.

A mulher de 36 anos suspeita de se passar por médica para realizar procedimentos estéticos em João Pessoa foi colocada em liberdade após passar por audiência de custódia. Apesar da soltura, a Justiça determinou que ela não poderá realizar novos procedimentos estéticos e deverá cumprir medidas cautelares.

Identificada como Isabela Dantas, a mulher foi presa na quinta-feira (27), após uma investigação da Polícia Civil da Paraíba sobre procedimentos realizados em uma sala comercial na Avenida Epitácio Pessoa, na capital. Segundo o delegado Ademir Fernandes, além da proibição de exercer as atividades investigadas, ela deverá permanecer em casa entre 22h e 6h.

A investigação aponta que cerca de 10 vítimas já foram ouvidas. Segundo a polícia, elas relataram problemas após os procedimentos realizados pela suspeita.

Procedimentos e complicações

De acordo com a Polícia Civil, Isabela se apresentava como médica especializada na aplicação de ácido hialurônico e bioestimulador de colágeno, principalmente em procedimentos nos glúteos e nos seios.

Os investigadores suspeitam que, durante os atendimentos, a mulher teria utilizado soro fisiológico e ar em procedimentos apresentados às pacientes como aplicações de ácido hialurônico e bioestimulador de colágeno. A prática poderia provocar complicações como embolia gasosa, necrose e infecções.

Algumas pacientes precisaram procurar atendimento médico. Há relatos de desmaios durante os procedimentos e necrose na região dos glúteos.

Uma das vítimas afirmou que realizou diversas aplicações e que os efeitos duravam cerca de sete dias. Ao questionar a profissional, segundo o relato, recebeu como justificativa que “o seu organismo está absorvendo tudo”. Entre as pessoas ouvidas pela polícia está também uma influenciadora.

Segundo as investigações, a suspeita também teria realizado procedimentos em Recife, Fortaleza e Natal. Ela afirmou ser formada em estética e disse que utilizava os materiais corretamente. A Polícia Civil, no entanto, apura se ela se apresentava como médica e realizava procedimentos sem habilitação.

Investigação continua

Isabela foi autuada, em tese, por exercício ilegal da medicina, estelionato e falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais. Conforme o delegado, ela também poderá responder por lesão corporal, dependendo da conclusão das investigações.

Em nota, o Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) alertou que procedimentos estéticos de natureza médica, especialmente os que envolvem injeções, implantes e anestesia, devem ser realizados por profissionais habilitados e em ambiente adequado.

A Polícia Civil continua investigando o caso para identificar possíveis novas vítimas e esclarecer todas as circunstâncias dos procedimentos realizados.

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