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Hospital de Trauma de João Pessoa recebe exposição sobre mulheres invisibilizadas

A iniciativa é fruto de uma parceria entre o Ministério Público Federal (MPF), órgãos de segurança pública e a rede de saúde

O Hospital Estadual de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, em João Pessoa, passou a abrigar, desde esta segunda-feira (9), a exposição “Mulheres Invisibilizadas”, que segue aberta à visitação até o dia 22 de fevereiro. A mostra reúne histórias de mulheres brasileiras cujas trajetórias foram apagadas ao longo do tempo e propõe uma reflexão sobre memória, direitos e o enfrentamento da violência de gênero.

A iniciativa é fruto de uma parceria entre o Ministério Público Federal (MPF), órgãos de segurança pública e a rede de saúde. Já apresentada em outras instituições, a exposição chega ao hospital como um espaço simbólico de conscientização e acolhimento, aberto ao público em geral.

Referência no atendimento de urgência e emergência no estado, o Hospital de Trauma concentra grande parte dos casos de violência contra a mulher registrados na rede pública. Em 2025, a unidade contabilizou 383 atendimentos relacionados a agressões diretas, número que, segundo a equipe, ainda é subestimado, já que muitas vítimas não procuram os serviços de saúde ou não formalizam denúncia.

O diretor-geral da unidade, Laércio Bragante, destacou que o hospital busca oferecer não apenas assistência médica, mas também acolhimento humanizado e encaminhamento adequado à rede de proteção. Para ele, a exposição reforça esse compromisso institucional com as vítimas.

A procuradora do MPF, Janaína Andrade, ressaltou que o hospital é uma porta de entrada importante para mulheres em situação de violência. Segundo ela, não é necessário apresentar boletim de ocorrência para buscar atendimento. “Aqui elas recebem cuidados médicos, acolhimento e orientação para acessar a rede de proteção”, explicou.

A procuradora também lembrou que as primeiras 72 horas após a agressão são consideradas fundamentais para a realização de exames e adoção de medidas de proteção. Para ela, a integração entre saúde e sistema de justiça amplia as chances de garantir não apenas o tratamento, mas também a defesa dos direitos das vítimas.

Já a delegada Sileide Azevedo, coordenadora das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) na Paraíba, enfatizou que a violência atinge mulheres de diferentes perfis sociais e níveis de escolaridade. Segundo ela, o diálogo entre as instituições é essencial para avançar no combate a esse tipo de crime.

Sileide também destacou a importância de que as mulheres atendidas no hospital sejam encaminhadas às delegacias especializadas, onde podem ter acesso às medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha.

O procurador-chefe da Procuradoria da República na Paraíba, José Guilherme Ferraz da Costa, afirmou que a exposição reforça o compromisso das instituições públicas com a dignidade humana e a justiça social, ao dar visibilidade a histórias que foram silenciadas ao longo do tempo.

Entre as mulheres homenageadas está Margarida Alves, referência na luta pelos direitos das mulheres e dos trabalhadores rurais. A exposição também dialoga com temas de saúde pública e enfrentamento da violência de gênero, destacando a importância de reconhecer e valorizar mulheres historicamente marginalizadas.

Mais do que um tributo, a mostra se consolida como um espaço de reflexão permanente dentro do hospital, funcionando como alerta para a urgência de fortalecer ações conjuntas entre saúde, justiça e segurança pública na construção de uma sociedade mais justa e segura para todas.

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