João Pessoa cria Estatuto de Promoção e Igualdade para reforçar combate ao racismo

A proposta reconhece diferentes formas de racismo, como o religioso, ambiental e recreativo

Carlos Rocha
Carlos Rocha
Nascido em 1988, em Guarulhos (SP), Carlos Rocha é filho de paraibanos e vive em João Pessoa desde o início dos anos 2000. Graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Paraibana, ingressou posteriormente no curso de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).Atua no jornalismo digital desde 2013, com passagens por importantes veículos de comunicação da Paraíba. Na TH+ SBT Tambaú, trabalhou nas áreas de Marketing, Reportagem e Produção de Conteúdo Multimídia.Sua atuação é voltada principalmente para política, cidades e temas de interesse público, sempre com foco na apuração rigorosa e na produção de conteúdo de qualidade. Além do jornalismo, é apaixonado por leitura, cinema, séries e cultura pop.

A Prefeitura de João Pessoa publicou nesta terça-feira (30) o Estatuto Municipal de Promoção e Igualdade Racial, uma nova lei que reúne ações e diretrizes para enfrentar o racismo, reduzir desigualdades e garantir mais acesso da população negra a serviços e oportunidades na cidade. A medida foi oficializada pelo prefeito Cícero Lucena, após aprovação na Câmara Municipal.

A proposta, agora transformada na Lei Ordinária nº 15.757/2025, define o que é discriminação racial, reconhece diferentes formas de racismo — como o religioso, ambiental e recreativo — e reforça o direito à igualdade de oportunidades em áreas como saúde, educação, cultura, esporte, lazer, trabalho e participação política.

Ações afirmativas e novos sistemas

O Estatuto determina que o município adote ações afirmativas para enfrentar desigualdades históricas que ainda atingem a população negra, incluindo iniciativas de reparação pelos impactos da escravidão e do racismo estrutural.

Entre as novidades, estão:

  • criação do Sistema Municipal de Financiamento das Políticas de Promoção da Igualdade Racial;
  • implantação do SISMUPIR, que vai articular e acompanhar ações com outras secretarias e entidades;
  • formação de um Grupo de Trabalho, em até 90 dias, para revisar iniciativas existentes e traçar novos caminhos.

Saúde, educação e cultura no foco

Na área da saúde, a lei cria a Política Municipal de Saúde Integral da População Negra, que reconhece o racismo como fator que afeta a saúde e pede ações para combater problemas específicos, como racismo obstétrico e doenças com maior incidência nesse grupo.

Na educação, o Estatuto reforça a importância de trabalhar a história e cultura afro-brasileira nas escolas e propõe apoio financeiro e iniciativas que garantam a permanência de estudantes negros nas instituições. A lei também incentiva o convite de pessoas negras para palestras, debates e eventos educacionais.

Na cultura, o texto valoriza produções e manifestações de matriz africana e afro-indígena, reconhece oficialmente mestres e mestras dos saberes tradicionais e incentiva apoio a grupos culturais, projetos e eventos ligados à temática.

Combate ao racismo institucional

Outra frente importante é o enfrentamento ao racismo institucional. A lei prevê medidas como:

  • capacitação de servidores;
  • protocolos de atendimento;
  • campanhas internas;
  • acompanhamento de dados sobre violações de direitos.

Comércio, serviços e empresas também podem ser penalizados se praticarem atitudes discriminatórias, como impedir a entrada, constranger, atender de forma desigual ou cobrar valores diferentes por causa da cor, etnia ou crença da pessoa.

De onde veio a lei?

O Estatuto foi apresentado pelo vereador Marcos Vinícius e sancionado por Cícero de Lucena Filho. A nova legislação já está em vigor.

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