A Polícia Federal, o Ministério Público da Paraíba (MPPB) e a Receita Federal deflagraram nesta quinta-feira (13) a Operação Arena, que investiga um suposto esquema de evasão de divisas e lavagem de dinheiro envolvendo recursos de apostas esportivas. A investigação tem como principal alvo a empresa paraibana PixBet e também alcançou o advogado Nelson Wilians, alvo de um mandado de busca e apreensão em São Paulo.
As ordens judiciais foram expedidas pela 4ª Vara Federal da Paraíba e incluem buscas em cidades da Paraíba, São Paulo, Sergipe, Rio de Janeiro e Paraná. Também foram determinadas medidas de quebra de sigilos bancário e telemático e o sequestro de bens e valores de até R$ 1,1 bilhão.
Segundo as informações divulgadas sobre a operação, os investigadores apuram o uso de estruturas empresariais e financeiras no exterior para ocultar a origem e a destinação de valores obtidos por meio de apostas esportivas e jogos de azar. A PF sustenta que parte dos recursos teria sido enviada para uma empresa sediada em Curaçao e posteriormente retornado ao Brasil com aparência de legalidade.
Como funcionaria o suposto esquema
De acordo com a investigação, o dinheiro movimentado a partir das apostas seria enviado ao exterior por meio de empresas de compensação financeira.
Os valores chegariam então a uma empresa de fachada registrada em Curaçao, que, segundo a PF, não teria funcionários nem atividade econômica compatível com as movimentações investigadas.
Ainda segundo os investigadores, essa empresa emitiria notas fiscais por serviços que não teriam sido efetivamente prestados. Dessa forma, os recursos poderiam retornar ao Brasil apresentados como pagamentos por serviços contratados no exterior.
A suspeita é de que esse mecanismo teria sido utilizado para dar aparência de origem lícita aos recursos, além de ocultar os beneficiários finais das operações. (Repórter PB)
PixBet é um dos principais alvos
A PixBet, empresa sediada em Campina Grande, está entre os principais alvos da operação. Segundo as informações divulgadas sobre a investigação, a PF identificou movimentações entre a empresa paraibana e a PixStar, apontada como uma empresa de fachada sediada em Curaçao.
A sede da PixBet, em Campina Grande, foi alvo de busca e apreensão. O empresário Ernildo Júnior, apontado como proprietário da empresa, também foi abordado por agentes federais durante a operação e teve o carro e o celular apreendidos, segundo informações divulgadas pela imprensa.
A defesa do empresário e da empresa foi procurada e, até a atualização das informações fornecidas, não havia apresentado manifestação.
Nelson Wilians é alvo de busca em São Paulo
O advogado Nelson Wilians também é investigado na Operação Arena e foi alvo de um mandado de busca e apreensão em uma residência em São Paulo.
Segundo a investigação, Wilians é suspeito de atuar como operador financeiro do grupo e de participar de mecanismos destinados à ocultação de patrimônio. As acusações, no entanto, ainda estão no campo da investigação e não representam condenação.
A defesa do advogado, representada por Santiago Schunck, afirmou que a relação entre o escritório de Wilians e a PixBet é “estritamente profissional” e decorrente da prestação de serviços jurídicos.
Segundo a nota, a atuação do escritório estaria limitada ao exercício regular da advocacia. A defesa também afirmou que é necessário evitar a criminalização da atividade profissional em razão dos negócios dos clientes representados.
Onde a operação aconteceu
As diligências foram realizadas em cinco estados. Na Paraíba, os municípios citados nas informações da operação são João Pessoa, Campina Grande e Serra Branca.
Também houve ações em Aracaju (SE), São Paulo (SP), Rio de Janeiro e Niterói (RJ) e Curitiba (PR).
A investigação conta com a atuação conjunta da Polícia Federal, Ministério Público da Paraíba e Receita Federal.
Que crimes são investigados?
Segundo a Polícia Federal, os investigados poderão responder, de acordo com a participação de cada um, por crimes como evasão de divisas e lavagem de dinheiro, além de outros delitos relacionados ao sistema financeiro nacional.
A investigação busca identificar a origem dos recursos, os responsáveis pelas operações financeiras e os eventuais beneficiários do dinheiro movimentado.
É importante destacar que os alvos da operação são investigados e não foram condenados. Eventuais responsabilidades criminais ainda dependem do avanço das apurações e das decisões judiciais.
PixBet já havia sido alvo de outras medidas
A operação ocorre após outros episódios envolvendo a empresa paraibana. Em julho de 2026, a Justiça da Paraíba havia determinado, em decisão liminar, a suspensão das plataformas de apostas online da PixBet em território nacional, em razão de questionamentos relacionados aos mecanismos de controle de acesso de menores.
A empresa também já teve contratos de patrocínio com clubes de futebol de grande projeção nacional, entre eles Flamengo e Corinthians, antes do encerramento dos respectivos vínculos.


