Ao participar da chegada da caminhada do deputado Nikolas Ferreira, em Brasília, no domingo, de forma ostensiva e dando larga divulgação, o senador Efraim Morais (União) manifestou de forma inequívoca sua adesão ampla, geral e irrestrita ao bolsonarismo.
Não que ainda não houvesse adesão de Efraim ao bolsonarismo. Havia, mas ainda existia uma modulação, parecia menos escancarado.
Funcionavam como moderador à necessidade de se apresentar com posições mais ao centro político na Paraíba (centro-direita) na tentativa de atrair o apoio do ex-deputado Cunha Lima e mesmo de ampliar a perspectiva de voto. Outro fator limitante, certamente, seria a disputa pelo controle de Federação Progressista (União Brasil e Partido Progressistas) na Paraíba. Assumir o bolsonarismo mais acaloradamente poderia gerar desconfianças nas legendas da federação.
O momento agora é, sem dúvida, de aprofundamento da opção escolhida e de acentuação de compromissos públicos. Observe-se, porém, que, na verdade, os planos de Efraim para a disputa do governo na Paraíba desde o final do primeiro semestre de 2025, ainda que de forma menos parente, estão vinculados ao bolsonarismo. Um tanto por razões ideológicas, mas, sobretudo, por razões pragmáticas. Não é difícil de entender.
Em julho, quando, repentinamente, a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro apareceu na Paraíba para declarar apoio à sua pretensão, o pragmatismo de Efraim se fez notar na necessidade urgente de consolidar, independente de outras forças políticas, a candidatura a governador.
À época, Efraim dividia com o ex-deputado Pedro Cunha Lima a possibilidade da candidatura. Ambos repetiam o discurso do “pode ser eu ou pode ele”. Pelo visto, o senador parece ter percebido naquele instante que o lenga-lenga poderia esticar no tempo e abreviou sua decisão. O bolsonarismo adotou seu projeto de candidatura sem vacilação. Agora, ao radicalizar a mistura com o bolsonarismo, o pragmatismo de Efraim se revela na necessidade de acentuar contornos ao discurso, assegurar alianças e criar alternativa de filiação (PL) para o caso de perder o controle da Federação União Progressista.
Em verdade, os principais eixos da plataforma de campanha de Efraim foram se plasmando ao longo de 2025 premidos invariavelmente pelas circunstâncias do pragmatismo e o bolsonarismo foi se impondo quase sempre como a alternativa mais próxima e adequada.
O discurso escolhido é o conservador liberal. Vai misturar as pautas de costumes com a defesa dos segmentos produtivos.
A estratégia principal é apostar na polarização entre o bolsonarismo e o lulismo na campanha presidencial, na tentativa de também dividir o Estado, esperando se beneficiar com um dos lados polarizados. Por isso, toda caminhada rumo ao bolsonarismo mais radical faz sentido.
A opção também se explica pela falta de estrutura de campanha. Os dois outros principais candidatos – Lucas Ribeiro e Cícero Lucena – contam com fortes estruturas locais de partidos e de poder, restando a Efraim, segundo sua lógica, tão somente se juntar a uma grande estrutura de campanha nacional.
O discurso local de Efraim tem tudo a ver com esse problema da falta de estrutura política. Pragmaticamente, ele demonstra ter optado por fazer oposição radicalizada, com discurso crítico um tanto contundente, ao governador João Azevedo e ao prefeito Cicero Lucena, buscando evitar virar recheio do sanduíche da rivalidade política estadual da ocasião. Sem a estrutura dos concorrentes, não tem como disputar, com paridade de armas, apoios de deputados, prefeitos e lideranças municipais ou investir em na atração de segmentos sociais importantes. O discurso mais forte de oposição é a aposta de compensação.
Nesse ponto, mais uma vez, a ligação mais estreita com o bolsonarismo se explica. Existe a tendência de que os outros dois candidatos acabem apoiando a candidatura do presidente Lula em maior ou menor grau no Estado, sobrando para Efraim a possibilidade de atrair o eleitorado da direita conservadora.
Em suma, o “foguete” tenta decolar impulsionado pelo discurso conservador mais radical, o ativo da militância aguerrida do bolsonarismo e um discurso mais contundente de oposição contra o governo do Estado, já com Lucas Ribeiro no governo, ao prefeito Cícero Lucena e tentando se inserir como o novo no processo de disputa estadual. Os outros esquemas, pelas alianças praticamente montadas, seriam o “velho” na disputa.
Esse é o plano. Falta agora combinar com o eleitor



