Apesar de um ano de pré-campanha com muitos rompimentos e adesões para todos os lados, o jogo eleitoral na Paraíba não está jogado. Ainda existem muitas fichas a serem postas na mesa e decisivamente lançadas.
Existe um problema de relevo inerente aos três principais candidatos e que pode ser crucial para todos: nenhum tem candidato a vice-governador.
Por que pode ser crucial? Por que erros na escolha do vice podem custar a eleição, podem “enterrar” o candidato. Algumas questões gerais demonstram claramente os riscos que os pré-candidatos correm na Paraíba.
A disputa entre o prefeito de João Pessoa (MDB) e o senador Efraim Filho (União) por indicações de nomes ligados à família Cunha Lima, por exemplo, poderá avariar a campanha de um dos dois. Se Cícero consegue, por exemplo, unir todo o grupo Cunha Lima na indicação de seu candidato a vice-governador, pode deixar o senador Efraim Filho isolado no campo de direita bolsonarista, criando sérias dificuldades para sua campanha.
Noutra direção, se o senador Efraim Filho conseguir fixar o apoio do prefeito Bruno Cunha Lima e emplacar a primeira-dama campinense Juliana Figueiredo Cunha Lima como candidata a vice em sua chapa, o prefeito Cícero Lucena é que ficará em situação complicada.
Mesmo numa hipótese branda, que é a de uma possível divisão da família Cunha Lima, o eleitorado da cidade terá que se dividir na escolha de três opções, rebaixando consideravelmente a expectativa de elevadas votações como nos casos em que os Cunha Lima disputaram o governo do Estado, o que pode ser ruim para todos.
É de se imaginar que o prefeito Cícero Lucena, ao se reaproximar do grupo Cunha Lima, tenha sido movido pelo plano estratégico de somar supostas grandes maiorias em João Pessoa e Campina Grande e, assim, contrapor a previsão de maioria a ser obtida pelo esquema liderado pelo governo no interior do Estado, como ocorreu nas duas últimas eleições. Uma divisão no grupo Cunha Lima pode frustrar totalmente esse provável plano geo-eleitoral.
E existe alguma possibilidade de racha no grupo Cunha Lima? Para o consolidado histórico de atuação monolítica do grupo, a palavra racha é muito forte e soa distante. No entanto, uma participação dividida nas próximas eleições não deve fixar fora de cogitações. O prefeito Bruno Cunha Lima, já filiado em partido distinto – o União Brasil- parece bem disposto a manter compromissos com o senador Efraim Filho. Pode ponderar que a eleição ocorre em dois turnos e que, desse modo, não há razões para que ele não possa retribuir gestos a ações de Efraim em favor de sua reeleição e da gestão.
Lógico que na undécima hora sempre vai pesar a pressão pela unidade do grupo. O próprio Bruno se beneficiou dessa pressão que fez o deputado Romero Rodrigues desistir de ser candidato a prefeito em 2024. Ironia será Romero ser pressionado agora a ser candidato a vice do grupo para salvar a unidade já um tanto cansada pela atuação do tempo.
De qualquer forma, esse jogo de Campina Grande pode ser crucial para Cicero ou Efraim.
Os problemas do vice-governador Lucas Ribeiro para escolha do companheiro de chapa são de outra natureza, mas não menos complicados. Começa com a falta de um nome com densidade eleitoral e liderança comprovada em João Pessoa, capaz de fazer algum contraponto ao prefeito Cícero Lucena. A melhor opção, sem dúvida, parece ser encontrar um candidato na Capital, mas essa escolha, dependendo dos arranjos partidários, pode acabar comprometendo sua eleição.
Haveria ainda uma discussão sobre a necessidade de indicação de um candidato a vice-governador do PSB em função do decisivo apoio do governador João Azevedo. Essa hipótese padece, igualmente, da falta de quadros com alguma densidade eleitoral.
A ideia da candidatura do prefeito Nabor Wanderley a vice-governador aventada nos últimos dias, mesmo em análise simples, não resulta em ganhos, uma vez que sua atuação política se concentra no Sertão, área que aparentemente já seria favorável ao governismo.
Opções vão existir, mas a verdade é que ainda não há nomes com substância para ajudar eleitoralmente na campanha de Lucas.
Para qualquer um dos três pré-candidatos, uma boa solução pode ser uma adesão. Mas haverá algum trânsfuga?



