A decisão já está tomada, mas a polêmica continua: a prova de baliza nos exames para habilitação de condutores deve ser obrigatória e eliminatória ou não?
Seguindo o Manual Brasileiro de Exames de Direção Veicular da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), os Detrans em todo o país desobrigaram a realização de balizas.
O engenheiro Carlos Batinga, um dos mais conceituados especialistas em transporte e trânsito do Brasil, tendo integrado durante anos o conselho de trânsito em Salvador e exercido consultorias em Natal, Belém e órgãos nacionais do setor, além de ter ocupado em mais de uma oportunidade a Secretaria de Mobilidade (Semob) em João Pessoa, ao comentar a polêmica das balizas, em entrevista ao jornal Manhã TH+ (TV TH+ SBT), põe o dedo na ferida aberta e que mais sangra.
O problema do trânsito nas ruas, segundo Batinga, não é resultado da ação de maus condutores (motoristas e motociclistas), mas do mau comportamento dos mesmos.
É com essa percepção que o experiente especialista afirma que não menosprezaria a necessidade de baliza nos exames de direção veicular, mas avalia que a retirada da obrigatoriedade da prova não deverá produzir muita alteração na realidade do trânsito nas ruas.
Essa questão seria como o caso das autoescolas, que, conforme o engenheiro Carlos Batinga, teriam funcionamento parecido com cursinhos pré-vestibular, que ensinam o aluno a passar nas provas, mas não os tornam profissionais.
Batinga identifica com clareza solar os graves problemas de trânsito nas ruas e que carecem de enfrentamento urgente: excesso de velocidade, embriaguez ou dirigir após ingerir bebida alcoólica e uso de telefone celular enquanto dirige.
As soluções também são apontadas com clareza: fiscalização efetiva e intensas campanhas de educação à moda das antigas campanhas de conscientização para uso do cinto de segurança e da cadeirinha para crianças nos veículos e contra o vício de fumar no âmbito da saúde.
Não é difícil perceber que o diagnóstico de Batinga para os principais problemas de trânsito nas cidades, assim como as soluções indicadas, estão plenamente adequadas à realidade. As mudanças nas regras e orientações para os exames de habilitação são apenas atualizações necessárias impostas pelo decurso do tempo e obviamente não vão conseguir combater o mau comportamento dos condutores.
O lamentável em tudo é ver que os órgãos executivos de trânsito no país, apesar de dispor de soluções relativas fáceis, parecem totalmente incompetentes para administrar o sistema e proteger a mobilidade, sobretudo, das pessoas.



