“Minhas palavras foram ofensivas e me retrato publicamente”, diz padre após caso de intolerância religiosa contra Preta Gil

As declarações que motivaram os processos foram feitas durante uma homilia transmitida ao vivo em julho de 2025, quando o sacerdote associou a fé de Preta Gil a religiões de matriz afro-indígena ao contexto da morte dela.

Imagem: Reprodução

O padre Danilo César, da paróquia de Areial, no Agreste da Paraíba, realizou um pedido público de desculpas à família da cantora Preta Gil após acordo firmado no âmbito de uma ação cível por danos morais na Justiça do Rio de Janeiro.

Durante a celebração, o sacerdote leu integralmente o termo de retratação previsto no acordo judicial. Ele afirmou que suas declarações feitas em julho de 2025 foram ofensivas e inadequadas, reconhecendo que causaram sofrimento à família da artista. 

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No pronunciamento, o padre citou nominalmente integrantes da família Gil, incluindo Gilberto Gil e Flora Gil, além de outros familiares, e também se desculpou em relação à memória de Preta Gil. Ele destacou a necessidade de respeito às diferentes religiões e reforçou a liberdade religiosa como um princípio dos direitos humanos.

“Reconheço que, na homilia proferida em 27 de julho de 2025, minhas palavras foram ofensivas, inadequadas e que, por minha imprudência, causaram dor aos familiares de Preta Gil, motivo pelo qual lamento e me retrato publicamente”, declarou durante a missa.

O acordo também prevê a doação de oito cestas básicas a uma instituição social, além de envolver a Diocese de Campina Grande, responsável pela paróquia. No âmbito cível, o entendimento firmado evitou o pagamento de cerca de R$ 370 mil em indenização por danos morais.

Entre as obrigações estão ainda horas de capacitação em cursos sobre o tema, pagamento de valor a uma instituição ligada a comunidades afrodescendentes e entrega de resenhas de conteúdos relacionados à intolerância religiosa.

As declarações que motivaram os processos foram feitas durante uma homilia transmitida ao vivo em julho de 2025, quando o sacerdote associou a fé de Preta Gil a religiões de matriz afro-indígena ao contexto da morte dela., o que gerou forte repercussão e denúncias de intolerância religiosa. O vídeo foi posteriormente retirado do ar após a repercussão pública.

“Eu peço saúde, mas não alcanço saúde, é porque Deus sabe o que faz, ele sabe o que é melhor para você, que a morte é melhor para você. Como é o nome do pai de Preta Gil? Gilberto Gil fez uma oração aos orixás, cadê esses orixás que não ressuscitaram Preta Gil? Já enterraram?”, disse.

A fala foi classificada como preconceituosa por entidades ligadas às religiões de matriz africana na região, que registraram ocorrência à época, dando início às medidas judiciais e aos acordos posteriores.

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