El Niño: Paraíba terá plano para monitorar estiagem, calor, enchentes e riscos à saúde

Carlos Rocha
Carlos Rocha
Nascido em 1988, em Guarulhos (SP), Carlos Rocha é filho de paraibanos e vive em João Pessoa desde o início dos anos 2000. Graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Paraibana, ingressou posteriormente no curso de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).Atua no jornalismo digital desde 2013, com passagens por importantes veículos de comunicação da Paraíba. Na TH+ SBT Tambaú, trabalhou nas áreas de Marketing, Reportagem e Produção de Conteúdo Multimídia.Sua atuação é voltada principalmente para política, cidades e temas de interesse público, sempre com foco na apuração rigorosa e na produção de conteúdo de qualidade. Além do jornalismo, é apaixonado por leitura, cinema, séries e cultura pop.
Foto: MIDR/Divulgação

O Governo da Paraíba criou um grupo técnico para planejar ações de preparação e resposta aos possíveis impactos do El Niño sobre a saúde da população.

A medida foi publicada na edição desta quarta-feira (9) do Diário Oficial do Estado.

Batizado de GC El Niño/PB, o grupo será coordenado pela Secretaria de Estado da Saúde (SES-PB), por meio da Gerência Executiva de Vigilância em Saúde.

A equipe terá prazo de até 60 dias para apresentar uma proposta de Plano Estadual de Preparação e Resposta aos Eventos Climáticos Associados ao El Niño.

O que o grupo deverá fazer?

Entre as atribuições estão coordenar e integrar ações de:

  • preparação;
  • vigilância;
  • monitoramento;
  • alerta;
  • resposta;
  • recuperação.

A atuação estará voltada a eventos climáticos relacionados ao El Niño que possam provocar impactos na saúde pública paraibana.

A criação do grupo tem caráter preventivo. A lista de eventos prevista na portaria representa cenários que deverão ser acompanhados e não significa que todos estejam ocorrendo simultaneamente no estado.

Estiagem e ondas de calor estão entre os riscos

Segundo a portaria, alterações nos regimes de chuva e temperatura associadas ao fenômeno podem produzir diferentes efeitos, dependendo das condições observadas em cada região.

Entre os eventos que deverão ser considerados pelo grupo estão:

  • estiagens;
  • aumento das temperaturas;
  • ondas de calor;
  • redução ou alteração da disponibilidade de água;
  • chuvas intensas;
  • inundações;
  • alagamentos;
  • incêndios florestais.

A análise deverá considerar as particularidades das diferentes regiões da Paraíba.

Saúde da população também será monitorada

O plano não ficará restrito à previsão do tempo.

A proposta é relacionar informações meteorológicas e ambientais com indicadores de saúde, permitindo identificar riscos e preparar os serviços para possíveis aumentos de demanda.

Entre os pontos que deverão ser acompanhados estão doenças transmitidas por vetores, como aquelas relacionadas à proliferação de mosquitos.

Também entrarão no monitoramento doenças associadas à água e aos alimentos, além de problemas respiratórios e efeitos provocados pela exposição a calor intenso e fumaça.

Disponibilidade e qualidade da água entram no acompanhamento

Outro eixo previsto é o acompanhamento da disponibilidade hídrica e da qualidade da água.

O tema ganha importância em períodos de estiagem prolongada, quando a redução dos reservatórios pode afetar o abastecimento, mas também diante de episódios de chuvas intensas e inundações, que podem gerar outros riscos sanitários.

O grupo deverá cruzar esses dados com informações sobre eventos extremos e condições de saúde da população.

Populações vulneráveis terão atenção especial

O GC El Niño/PB também deverá analisar os impactos sobre populações consideradas mais vulneráveis aos eventos climáticos.

A portaria prevê ainda o acompanhamento da capacidade dos próprios serviços de saúde para responder a situações de emergência ou aumento da demanda.

A intenção é permitir que os gestores antecipem necessidades de equipes, medicamentos, insumos e outras estruturas de atendimento.

Defesa Civil e Aesa participarão do grupo

Além da Secretaria de Estado da Saúde, o grupo terá participação de representantes de diferentes setores do poder público.

Entre os órgãos envolvidos estão:

  • Defesa Civil Estadual;
  • Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba (Aesa);
  • Conselho de Secretarias Municipais de Saúde;
  • Secretaria de Estado da Infraestrutura, dos Recursos Hídricos e do Meio Ambiente;
  • áreas técnicas vinculadas à saúde estadual.

A composição busca reunir dados de clima, recursos hídricos, defesa civil e vigilância em saúde em uma mesma estratégia de acompanhamento.

Dados poderão gerar alertas e planos de contingência

As informações coletadas deverão subsidiar a emissão de alertas e recomendações técnicas.

O grupo também poderá apoiar decisões dos gestores e indicar a necessidade de ativação de planos de contingência diante de determinados cenários.

Outro objetivo é organizar previamente a resposta dos serviços de saúde e o planejamento dos recursos necessários.

Ao fim dos 60 dias, a expectativa prevista na portaria é que o grupo apresente uma proposta estruturada para orientar a atuação estadual diante dos possíveis efeitos sanitários de eventos climáticos associados ao El Niño.

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