Escala 5×2: entenda como funciona a proposta e o que pode mudar na jornada de trabalho

O tema foi abordado no programa Manhã TH+, da TH+ SBT Tambaú, e tem gerado dúvidas entre trabalhadores e empregadores

Carlos Rocha
Carlos Rocha
Nascido em 1988, em Guarulhos (SP), Carlos Rocha é filho de paraibanos e vive em João Pessoa desde o início dos anos 2000. Graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Paraibana, ingressou posteriormente no curso de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).Atua no jornalismo digital desde 2013, com passagens por importantes veículos de comunicação da Paraíba. Na TH+ SBT Tambaú, trabalhou nas áreas de Marketing, Reportagem e Produção de Conteúdo Multimídia.Sua atuação é voltada principalmente para política, cidades e temas de interesse público, sempre com foco na apuração rigorosa e na produção de conteúdo de qualidade. Além do jornalismo, é apaixonado por leitura, cinema, séries e cultura pop.
Foto: Davi Pinheiro / Divulgação

A chamada escala 5×2, que prevê cinco dias de trabalho e dois de descanso, voltou ao centro do debate nacional após uma proposta em tramitação no Congresso Nacional, em Brasília, que discute mudanças na jornada de trabalho dos brasileiros. O tema foi abordado no programa Manhã TH+, da TH+ SBT Tambaú, e tem gerado dúvidas entre trabalhadores e empregadores.

Atualmente, a legislação trabalhista brasileira adota, de forma predominante, a escala 6×1, na qual o trabalhador atua seis dias por semana e folga um dia, respeitando o limite constitucional de 44 horas semanais e oito horas diárias. A nova proposta, no entanto, prevê a redução da carga horária semanal para 40 horas, o que viabilizaria a adoção da escala 5×2, com duas folgas semanais.

Segundo especialistas, trata-se de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que já passou pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), mas ainda precisa ser votada pelo Congresso Nacional antes de qualquer possibilidade de sanção e entrada em vigor. Portanto, nenhuma mudança é imediata.

De acordo com o advogado Tadeu Vilarim, ouvido durante o programa, a principal alteração seria a redução da jornada semanal, sem impacto direto no salário. “Não existe mudança salarial, porque o salário mínimo hoje é vinculado à jornada constitucional. Se a Constituição mudar para 40 horas, o salário mínimo passa a valer para esse novo limite”, explicou.

Na prática:

  • O trabalhador não perderia salário;
  • Haveria redução da carga horária semanal;
  • As 40 horas seriam distribuídas em cinco dias, garantindo duas folgas.

As folgas, no entanto, não precisam ser obrigatoriamente aos sábados e domingos. Assim como ocorre hoje com o descanso preferencial aos domingos, a escala poderá variar conforme o tipo de atividade da empresa, especialmente em setores que funcionam aos fins de semana, como comércio e shoppings.

Especialistas apontam que a mudança pode gerar impactos significativos para os empregadores, sobretudo em áreas que exigem funcionamento contínuo. Com menos dias de trabalho por empregado, pode haver a necessidade de contratação de mais funcionários para manter a operação, o que pode elevar custos.

Por outro lado, defensores da proposta argumentam que a redução da jornada pode trazer melhoria na qualidade de vida, mais descanso e até ganhos de produtividade, experiências que já vêm sendo testadas em outros países e em algumas empresas no Brasil.

O tema também é visto como um possível eixo de debate político, especialmente com a proximidade do calendário eleitoral. Analistas avaliam que a proposta pode ser usada como bandeira trabalhista pelo governo federal, mas enfrentará resistência em um Congresso considerado mais conservador.

Enquanto isso, a discussão segue em andamento, sem definição sobre quando ou se a escala 5×2 será adotada oficialmente no Brasil. Até lá, a legislação vigente permanece em vigor, e eventuais mudanças dependerão de amplo debate e aprovação legislativa.

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