Denúncia de traficante deu origem à investigação que levou à prisão de delegado na Paraíba

De acordo com a Draco, apuração teve origem em denúncia envolvendo suposto desvio de entorpecentes apreendidos

Yasmim Pessoa
Yasmim Pessoa
Jornalista formada há quase 10 anos pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), com trajetória em jornalismo político, hard news e mídias digitais, integra atualmente a equipe do portal TH+ João Pessoa. Curiosa e atenta aos movimentos do cotidiano, encontra no universo latino uma de suas principais inspirações. Acredita na rebeldia da comunicação como força para contar histórias, informar com responsabilidade e dar visibilidade a diferentes vozes.

A Operação Perfidus, conduzida pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRACO), pela Unidade de Inteligência Policial (UNINTELPOL) e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), que resultou na prisão de um delegado e dois agentes da Polícia Civil da Paraíba teve início em fevereiro de 2025, a partir de informações repassadas por um investigado por tráfico de drogas. A declaração foi feita pelo delegado Rafael Bianchi, da Draco, durante entrevista coletiva concedida nesta terça-feira (2), em João Pessoa.

De acordo com o delegado, a denúncia apontava que entorpecentes pertencentes ao traficante teriam sido retirados de forma irregular por integrantes de uma equipe policial. A partir das informações recebidas, a Draco iniciou procedimentos para verificar a veracidade das acusações.

Segundo Bianchi, as primeiras diligências incluíram a identificação do denunciante, que foi confirmado como integrante de uma organização criminosa. Em seguida, os investigadores passaram a monitorar e acompanhar a rotina dos policiais suspeitos, reunindo elementos que subsidiaram o avanço das apurações.

A ação cumpriu nove mandados de prisão e 24 mandados de busca e apreensão em diferentes municípios paraibanos. Entre os presos estão o delegado da Polícia Civil Braz Morrone, que possui mais de duas décadas de atuação na corporação, além de dois agentes civis investigados por suposta ligação com um grupo criminoso.

O homem investigado por tráfico de drogas que apresentou a denúncia inicial também foi alvo da operação e acabou preso durante o cumprimento dos mandados.

Além das medidas cautelares, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 10 milhões em bens e valores ligados aos investigados. Os órgãos responsáveis pela operação explicaram que a medida busca interromper a movimentação financeira atribuída ao grupo e assegurar eventual ressarcimento de danos.

Conforme as investigações, os suspeitos teriam obtido informações privilegiadas sobre imóveis e veículos utilizados por traficantes para armazenar e transportar entorpecentes. Com base nesses dados, o grupo teria realizado ações clandestinas que eram favorecidas pela condição funcional de alguns dos envolvidos e pela aparência de legalidade decorrente do exercício de atividades policiais, destacou a apuração.

De acordo com os elementos reunidos durante a apuração, parte das drogas localizadas nessas ações era desviada e posteriormente comercializada de forma ilícita, inclusive dentro do sistema prisional. Os lucros obtidos seriam divididos entre agentes públicos e demais integrantes da organização criminosa.

As investigações também revelaram indícios de manipulação de procedimentos policiais para conferir aparência de legalidade às ações criminosas e dificultar a identificação do esquema. Além disso, foram identificados elementos que apontam para a retirada clandestina de entorpecentes armazenados em unidade policial, oriundos de apreensões regularmente registradas.

Outro aspecto apurado foi o repasse sistemático de informações sigilosas sobre operações policiais a integrantes do tráfico de drogas, o que permitia a frustração de ações repressivas, a evasão de suspeitos e a continuidade das atividades criminosas.

O nome da operação faz referência ao termo latino “Perfidus”, que significa “traidor” ou “desleal”. A denominação foi escolhida em alusão às condutas atribuídas aos investigados, que teriam utilizado estruturas e prerrogativas estatais para favorecer atividades criminosas.

Após serem presos na operação, o delegado Braz Morrone e dois agentes da Polícia Civil serão afastados das atividades operacionais. O secretário de Segurança da Paraíba, Jean Nunes, afirmou ainda existir a possibilidade de aplicação de sanções administrativas, incluindo a expulsão da corporação.

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