A perícia realizada para verificar a idade do suspeito de matar Washington Rodrigo, de 33 anos, em um hotel de João Pessoa, não conseguiu definir se ele já alcançou a maioridade. O resultado foi confirmado na manhã desta quarta-feira (29) pelo perito Flávio Fabres, diretor do Instituto de Medicina Legal (IML) em João Pessoa.
A avaliação utilizou elementos odontológicos para estimar a idade do investigado. No entanto, segundo o especialista, as características observadas não foram suficientes para indicar, com segurança, se ele tem 18 anos ou mais.
Flávio Fabres explicou que a proximidade da faixa etária de transição para a maioridade dificulta a precisão desse tipo de exame. Por esse motivo, o laudo foi considerado inconclusivo.
Enquanto não houver confirmação documental da idade, o suspeito continuará sendo tratado como menor de idade durante os procedimentos policiais. A definição dependerá da análise de documentos e outros registros que serão reunidos pela investigação e encaminhados ao Ministério Público e ao Poder Judiciário.
Conforme a Polícia Civil, familiares deverão apresentar documentos que auxiliem na comprovação da idade do investigado. Essas informações serão confrontadas com outros registros oficiais antes da definição jurídica sobre a condição do suspeito.
O delegado Diego Garcia informou que, após a realização da perícia, o investigado foi levado para a ala destinada a adolescentes da carceragem da Polícia Civil, em João Pessoa. Ele permanecerá no local até a audiência de custódia, que será acompanhada pela Promotoria da Infância e Juventude da capital.
Relembre o caso
Washington Rodrigo, de 33 anos, foi encontrado morto na última sexta-feira (24) dentro de um quarto de hotel, em Manaíra, com um fio de secador enrolado no pescoço e algemas.
O adolescente de 17 anos suspeito de praticar o crime foi transferido para a capital paraibana nessa terça-feira (28). O jovem foi transferido após se apresentar espontaneamente à Polícia Civil na cidade de Caicó (RN), na segunda-feira (27), onde confessou a autoria do crime.
Durante depoimento, ele detalhou a dinâmica do homicídio e afirmou que conheceu a vítima por meio de um site de relacionamentos, marcando um encontro em um hotel da capital.
De acordo com o superintendente da Polícia Civil, Cristiano Santana, o adolescente se apresentava publicamente como pastor e palestrante religioso, mas possui 17 boletins de ocorrência por atos infracionais análogos a furto qualificado, extorsão, lesão corporal grave no contexto de violência doméstica, ameaça e perseguição (stalking), além de já ter sido internado em unidade socioeducativa.
Em depoimento, o jovem relatou que, durante o encontro íntimo, passou a suspeitar de que Washington estaria registrando imagens. Segundo ele, simulou um fetiche para convencer a vítima a colocar algemas e, utilizando uma arma de airsoft, exigiu o celular para verificar se havia fotos ou vídeos. Após constatar que não existiam registros, afirmou que temeu ser denunciado e utilizou o fio de um secador de cabelo para enforcar Washington. O adolescente disse que a intenção era apenas impedir que a vítima gritasse, e não matá-la.
Ainda conforme a investigação, a principal motivação do crime teria sido o receio de que o encontro amoroso fosse divulgado, comprometendo a imagem que o adolescente mantinha nas redes sociais como líder religioso.


