Família busca respostas sobre paradeiro de paraibana desaparecida em Barcelona

Mônica vive em Barcelona, onde trabalhava como cabeleireira, e falou pela última vez com a família em 4 de julho.

Carlos Rocha
Carlos Rocha
Nascido em 1988, em Guarulhos (SP), Carlos Rocha é filho de paraibanos e vive em João Pessoa desde o início dos anos 2000. Graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Paraibana, ingressou posteriormente no curso de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).Atua no jornalismo digital desde 2013, com passagens por importantes veículos de comunicação da Paraíba. Na TH+ SBT Tambaú, trabalhou nas áreas de Marketing, Reportagem e Produção de Conteúdo Multimídia.Sua atuação é voltada principalmente para política, cidades e temas de interesse público, sempre com foco na apuração rigorosa e na produção de conteúdo de qualidade. Além do jornalismo, é apaixonado por leitura, cinema, séries e cultura pop.

A família de Mônica Maria da Silva, de 36 anos, natural de Pedras de Fogo, na Paraíba, busca informações sobre o paradeiro da mulher, que está há mais de 40 dias sem contato com os parentes na Espanha. Mônica vive em Barcelona, onde trabalhava como cabeleireira, e falou pela última vez com a família em 4 de julho.

A preocupação aumentou depois que Mônica também deixou de manter contato com a filha, de seis anos, que vive no Brasil sob os cuidados de familiares. Segundo a irmã, Cristina Silva, a família considera incomum que ela passe tanto tempo sem falar com a criança.

“Eu quero uma resposta, seja lá o que esteja acontecendo. Até se ela estiver vivendo a vida dela lá e só não quiser contato, mas que diga para a família. A gente não sabe”, afirmou Cristina.

Família recebeu imagens de possíveis agressões

Durante as buscas, uma antiga cliente de Mônica procurou a família e enviou fotos, vídeos e mensagens que teriam sido recebidas da paraibana.

Segundo Cristina, uma das mensagens teria sido enviada em abril. Nela, Mônica teria pedido que o material fosse guardado porque poderia ficar sem o celular.

A família também recebeu imagens nas quais Mônica aparece ao lado de um homem que não era conhecido pelos parentes e que, segundo a irmã, seria um possível namorado. Cristina afirma ainda ter recebido fotografias em que a irmã aparece com ferimentos nas unhas e relatos de que ela teria sido agredida.

Os parentes também foram informados de que Mônica teria procurado o SARA (Servicio de Atención, Recuperación y Acogida), serviço de atendimento e acolhimento destinado a mulheres em situação de violência na Catalunha.

As suspeitas de agressão, no entanto, não foram confirmadas pelas autoridades espanholas. As informações chegaram à família por meio de terceiros.

Últimos contatos

De acordo com Cristina, as amigas de Mônica disseram que não conversam com ela desde 15 de junho. O último contato direto da mulher com a família ocorreu em 4 de julho.

A família afirma ainda ter recebido do Consulado do Brasil na Espanha a informação de que Mônica teria sido vista durante uma abordagem policial cerca de 20 dias antes. Segundo o relato, a polícia espanhola teria informado que ela estava bem.

Os familiares, porém, dizem não ter recebido nenhum registro oficial que confirme a abordagem ou esclareça onde Mônica foi localizada. O relato também não encerrou a preocupação porque ela continuava sem estabelecer contato com a família.

Itamaraty acompanha o caso

A família registrou um boletim de ocorrência no Brasil e encaminhou documentos ao Itamaraty e ao Consulado do Brasil em Barcelona em busca de assistência para localizar Mônica.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores informou ao Jornal da Paraíba que tem conhecimento do caso, mantém contato com a família e presta assistência consular.

O Itamaraty não informou, até a publicação da reportagem, se existe uma investigação em andamento pelas autoridades espanholas nem forneceu detalhes sobre o paradeiro de Mônica.

Segundo Cristina, a família também procurou as polícias Civil e Federal no Brasil. Ela afirma ter encontrado dificuldades para obter informações sobre os procedimentos que podem ser adotados para localizar a irmã.

“(O consulado) disse que não tem o poder de investigação e que eu tenho que alcançar a Interpol, que é o que estou tentando fazer. É muito difícil. Uma polícia joga você para um lado, outra para o outro”, relatou.

Vida na Espanha

Mônica teria viajado pela primeira vez para a Espanha em 2021. Depois de retornar ao Brasil, voltou ao país europeu em 2024.

Em outubro daquele ano, segundo a família, ela esteve novamente no Brasil acompanhada da filha, que tinha quatro anos. A criança permaneceu com os familiares, enquanto Mônica retornou à Espanha.

A paraibana morava nas proximidades da estação de metrô Can Cuiàs, na região metropolitana de Barcelona, perto de Santa Coloma de Gramenet.

A família continua tentando obter informações oficiais sobre o paradeiro dela e sobre as circunstâncias que levaram à interrupção do contato.

A gente se sente muito impotente“, afirmou Cristina.

Ela também destacou a preocupação com a filha de Mônica, que permanece no Brasil. Segundo a irmã, a criança tem apresentado dificuldades para dormir desde o desaparecimento.

“Ela passa uns dias agitada, sem dormir direito. O que eu posso fazer é dar carinho, amor, cuidar bem e esperar que a mãe dela apareça”, disse.

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