PF investiga uso de CPFs de 549 mortos em operações ligadas à Pixbet

Segundo a investigação, os registros teriam sido usados para atribuir a terceiros uma falsa identidade em transações destinadas, em tese, a viabilizar evasão de divisas.

Carlos Rocha
Carlos Rocha
Nascido em 1988, em Guarulhos (SP), Carlos Rocha é filho de paraibanos e vive em João Pessoa desde o início dos anos 2000. Graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Paraibana, ingressou posteriormente no curso de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).Atua no jornalismo digital desde 2013, com passagens por importantes veículos de comunicação da Paraíba. Na TH+ SBT Tambaú, trabalhou nas áreas de Marketing, Reportagem e Produção de Conteúdo Multimídia.Sua atuação é voltada principalmente para política, cidades e temas de interesse público, sempre com foco na apuração rigorosa e na produção de conteúdo de qualidade. Além do jornalismo, é apaixonado por leitura, cinema, séries e cultura pop.
Foto: Divulgação/THmais

A Polícia Federal investiga o uso de 549 CPFs pertencentes a pessoas mortas em documentos relacionados a operações de câmbio ligadas à Pixbet, empresa sediada em Campina Grande, na Paraíba, e alvo da Operação Arena, deflagrada na quinta-feira (13). Segundo a investigação, os registros teriam sido usados para atribuir a terceiros uma falsa identidade em transações destinadas, em tese, a viabilizar evasão de divisas.

A informação consta em uma representação apresentada pela PF à Justiça Federal. De acordo com o documento, alguns dos titulares dos CPFs utilizados haviam morrido há mais de 20 anos.

Segundo a Polícia Federal, o sistema que autoriza operações de compra de moeda estrangeira identificou irregularidades e gerou um alerta ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Ainda conforme a investigação, os nomes associados aos números de CPF chegaram a ser alterados depois do alerta. Mesmo assim, os números dos documentos continuaram sendo utilizados nas transações.

A PF também afirma que a Anspace, instituição de pagamento apontada como uma das mais utilizadas pelo grupo ligado à Pixbet, foi comunicada sobre as inconsistências.

A investigação considera a possibilidade de que a empresa não tenha sido apenas vítima de uma fraude documental, mas que tenha participado ativamente do mecanismo. Essa conclusão, contudo, ainda é objeto de apuração.

A hipótese investigada pela Polícia Federal é de que os CPFs de pessoas mortas tenham sido empregados em operações de câmbio para ocultar a identidade real dos responsáveis pelas movimentações financeiras.

O objetivo, segundo a investigação, seria viabilizar o envio de recursos para fora do Brasil e dificultar o rastreamento da origem e do destino do dinheiro.

A Operação Arena apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e outros crimes contra o sistema financeiro nacional, envolvendo empresas e pessoas relacionadas ao setor de apostas esportivas.

De acordo com a Polícia Federal, recursos provenientes de apostas esportivas eram enviados ao exterior por meio de empresas de compensação financeira.

Os valores chegariam posteriormente a uma empresa sediada em Curaçao, apontado nas investigações como um local utilizado na estrutura financeira analisada pela polícia. Segundo a PF, a empresa não teria funcionários ou atividade econômica compatível com as movimentações.

Depois disso, os recursos retornariam ao Brasil sob a justificativa de pagamento por supostos serviços contratados no exterior. Para dar aparência de legalidade às transferências, seriam emitidas notas fiscais mesmo sem a prestação efetiva dos serviços.

A investigação busca determinar quem controlava as empresas utilizadas na estrutura e qual era a origem e o destino final dos recursos movimentados.

Na quinta-feira (13), o Ministério da Fazenda determinou a suspensão imediata da atuação da Pixbet. A medida cautelar também determinou o cancelamento das apostas em andamento e a devolução dos valores apostados aos usuários, segundo informações divulgadas na decisão administrativa.

A defesa da empresa afirmou que foi surpreendida pela operação e que ainda não havia tido acesso à decisão que autorizou as medidas. Os advogados disseram que a empresa se manifestaria após analisar o conteúdo da determinação.

O empresário Ernildo Júnior, apontado como dono da Pixbet, foi abordado por agentes da Polícia Federal em Campina Grande durante o cumprimento de mandados.

O veículo em que ele estava e o telefone celular foram apreendidos para auxiliar nas investigações. A operação também teve como alvo o advogado Nelson Wilians, em São Paulo.

A defesa de Wilians afirmou que a relação do escritório com a Pixbet é estritamente profissional e decorrente da prestação de serviços de advocacia.

A Operação Arena foi realizada pela Polícia Federal, Ministério Público da Paraíba e Receita Federal. A ação cumpriu mandados na Paraíba, em São Paulo e em outros estados.

As investigações procuram esclarecer se empresas ligadas ao grupo de apostas foram utilizadas para ocultar a origem e a destinação de recursos obtidos por meio da exploração de jogos de azar e apostas esportivas.

Os investigados podem responder, conforme o avanço da apuração e eventual responsabilização formal, por evasão de divisas, lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro nacional.

Até o momento, as suspeitas descritas pela PF ainda estão sob investigação e não representam condenação definitiva dos envolvidos.

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