Polícia da Espanha investiga possível rede de barriga de aluguel envolvendo brasileiras

Uma das principais linhas consideradas pelos investigadores é a possibilidade de que os casos estejam relacionados a um esquema organizado de gestação por substituição.

Carlos Rocha
Carlos Rocha
Nascido em 1988, em Guarulhos (SP), Carlos Rocha é filho de paraibanos e vive em João Pessoa desde o início dos anos 2000. Graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Paraibana, ingressou posteriormente no curso de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).Atua no jornalismo digital desde 2013, com passagens por importantes veículos de comunicação da Paraíba. Na TH+ SBT Tambaú, trabalhou nas áreas de Marketing, Reportagem e Produção de Conteúdo Multimídia.Sua atuação é voltada principalmente para política, cidades e temas de interesse público, sempre com foco na apuração rigorosa e na produção de conteúdo de qualidade. Além do jornalismo, é apaixonado por leitura, cinema, séries e cultura pop.
Foto: Divulgação

A Polícia Nacional da Espanha investiga a possível existência de uma rede de gestação por substituição (barriga de aluguel) relacionada a cerca de 30 mulheres brasileiras atendidas desde maio no Hospital Universitário de Burgos, no norte do país. As informações foram divulgadas pelo jornal espanhol elDiario.

A investigação começou após profissionais de saúde do hospital identificarem um padrão incomum nos atendimentos. Parte das mulheres teria chegado à unidade para realizar a última consulta pré-natal ou diretamente para o parto. Algumas delas teriam aparecido acompanhadas pelo mesmo homem, apresentado como pai dos bebês.

Uma das principais linhas consideradas pelos investigadores é a possibilidade de que os casos estejam relacionados a um esquema organizado de gestação por substituição. A polícia também analisa a repetição de informações nos registros, como a presença do mesmo suposto pai e endereços semelhantes, para verificar se existe uma conexão entre os atendimentos.

Investigação ainda não aponta crime específico

A apuração está sendo conduzida pela Unidade de Estrangeiros da Polícia Nacional, mas, até o momento, não foi identificado um crime específico relacionado aos casos.

Outra hipótese considerada pelas autoridades é que as mulheres tenham viajado para a Espanha em busca de atendimento médico por causa dos custos elevados de um parto na Bélgica. Segundo a investigação, mulheres sem cobertura de saúde no país poderiam enfrentar despesas significativas para realizar o procedimento, o que teria motivado a procura por atendimento em território espanhol.

Os investigadores também passaram a analisar os endereços informados pelas pacientes. Conforme a reportagem do elDiario, as mulheres teriam declarado residir em imóveis localizados nos municípios de Medina de Pomar e Villarcayo, na região de Las Merindades. No entanto, elas teriam vindo da Bélgica, o que levantou questionamentos sobre os dados apresentados nos registros.

Cerca de 30 casos são analisados

A polícia estima que entre 15 e 18 mulheres tenham dado à luz nos meses de junho e julho, além de outras pacientes atendidas em maio. Somados, os casos chegam a aproximadamente 30 atendimentos realizados na mesma unidade hospitalar.

A investigação busca verificar se existe algum vínculo entre as mulheres, confirmar suas filiações e endereços de residência e entender por que pacientes com características semelhantes chegaram ao mesmo hospital.

As autoridades, no entanto, ressaltam a necessidade de cautela na análise dos dados, principalmente para confirmar se os endereços declarados correspondem aos domicílios reais das pacientes e se existe, de fato, uma organização por trás dos atendimentos.

Hospital comunicou situação à polícia

O Hospital Universitário de Burgos comunicou formalmente o padrão identificado às autoridades policiais. A partir do alerta dos profissionais de saúde, a Polícia Nacional iniciou a apuração dos casos.

A unidade afirma que presta atendimento a qualquer paciente, independentemente da nacionalidade ou origem. Segundo fontes oficiais do hospital ouvidas pelo elDiario, a instituição é obrigada a atender as pessoas que procuram o serviço e explicou que, em situações como essas, as gestantes podem chegar para a última consulta pré-natal e, posteriormente, ter o restante do atendimento programado.

Até o momento, a investigação permanece em andamento e não há confirmação de que as mulheres tenham participado de uma rede ilegal de barriga de aluguel. A possível existência de um esquema organizado é apenas uma das hipóteses analisadas pelas autoridades espanholas.

COMPARTILHAR:

Participe do grupo e receba as principais notícias de Campinas e região na palma da sua mão.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.

NOTÍCIAS RELACIONADAS