Prefeito de João Pessoa veta lei que obrigava shoppings a criar Salas Azuis para pessoas com autismo

Nas razões apresentadas à Câmara, o prefeito argumentou que o projeto criaria atribuições para a Prefeitura relacionadas à fiscalização, monitoramento e regulamentação das Salas Azuis.

Carlos Rocha
Carlos Rocha
Nascido em 1988, em Guarulhos (SP), Carlos Rocha é filho de paraibanos e vive em João Pessoa desde o início dos anos 2000. Graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Paraibana, ingressou posteriormente no curso de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).Atua no jornalismo digital desde 2013, com passagens por importantes veículos de comunicação da Paraíba. Na TH+ SBT Tambaú, trabalhou nas áreas de Marketing, Reportagem e Produção de Conteúdo Multimídia.Sua atuação é voltada principalmente para política, cidades e temas de interesse público, sempre com foco na apuração rigorosa e na produção de conteúdo de qualidade. Além do jornalismo, é apaixonado por leitura, cinema, séries e cultura pop.
Foto: Reprodução

O prefeito de João Pessoa, Leo Bezerra, vetou integralmente o projeto de lei que obrigava shopping centers, centros comerciais e estabelecimentos de grande porte da capital a implantarem Salas Azuis para acolhimento de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O veto foi publicado na edição desta terça-feira (25) do Diário Oficial do Município e agora será analisado pela Câmara Municipal.

A decisão consta na Mensagem nº 147/2026, encaminhada ao Legislativo em 24 de agosto. A proposta havia sido apresentada pelo vereador Guguinha Moov Jampa, aprovada pelos vereadores e transformada no Autógrafo nº 4151/2026.

O que previa o projeto

O texto estabelecia que os estabelecimentos abrangidos pela lei deveriam disponibilizar uma sala com área mínima de 10 metros quadrados, além de mobiliário adaptado, isolamento acústico e materiais lúdicos.

A proposta também previa a contratação de profissionais especializados, como psicólogos e monitores capacitados para atender pessoas com autismo.

O serviço seria oferecido gratuitamente às pessoas com TEA, mediante comprovação da condição.

Por que o prefeito vetou a proposta?

Nas razões apresentadas à Câmara, o prefeito argumentou que o projeto criaria atribuições para a Prefeitura relacionadas à fiscalização, monitoramento e regulamentação das Salas Azuis.

Segundo a justificativa do veto, essas obrigações interfeririam em competências atribuídas ao chefe do Poder Executivo e poderiam contrariar o princípio da separação entre os Poderes.

A Prefeitura também questionou os impactos da medida sobre os estabelecimentos privados. A avaliação apresentada é de que a instalação das salas e a contratação de profissionais poderiam representar um ônus econômico considerado excessivo para os comerciantes.

Outro ponto citado foi a falta de um estudo sobre o impacto financeiro das novas atividades de fiscalização e monitoramento que seriam atribuídas à Administração Municipal.

Câmara ainda pode analisar o veto

A mensagem encaminhada pelo prefeito também menciona possíveis conflitos da proposta com princípios constitucionais relacionados à livre iniciativa, propriedade privada e repartição de competências legislativas.

Com o veto integral, o projeto retorna à Câmara Municipal de João Pessoa, que deverá reexaminar a decisão do Executivo.

Os vereadores poderão analisar os argumentos apresentados na mensagem e decidir se mantêm ou rejeitam o veto.

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